sábado, 29 de setembro de 2012

Gozo masoquista




T. J. - Olá, tenho 28 anos, em 2011 conheci um homem de 42 e nos apaixonamos. O sexo era perfeito, nos encontrávamos com frequência, sms constantes.. ele sempre muito ciumento, a cada encontro queria deixar "marcas" em meu pescoço e seios para nenhum homem me olhar! Em dezembro de 2011 descobri que ele era casado ha 17 anos. Meu mundo acabou, depois disso ainda continuei com ele por 4 meses, mas não me sentia bem.. Ainda gosto dele mas paramos de nos encontrar. A mulher dele descobriu e me vigia noite e dia pelo facebook.  Gosto dele mas sei que não é para mim, fiquei obcecada, fico querendo saber noticias, cheguei ate a adicionar parentes dele no perfil falso que criei, não aguento mais essa paranoia mas não consigo ter forças para parar. Me ajude por favor!


Resposta :

Você gosta dele só pelo gozo do sexo ou para fazer de conta que sente amor ? Para o faz-de-conta, o tempo tem que ser limitado, como foi. 
Se seu mundo acabou por causa de uma relação alicerçada na mentira, o que sustenta seu mundo?  Cada um de nós tem o amor que acredita merecer.
 Como diz Flavio Gikovate, o psicanalista : " Se a felicidade sentimental depende do estabelecimento da confiança recíproca, ela será, pois, um privilégio das pessoas íntegras e de caráter. "

Masoquismo é isso: a pessoa agarrada ao sofrimento, ao desprazer. Precisa descobrir por que sustenta essa posição, por que ainda procura o triângulo. As mulheres, talvez por receberem uma educação que as ensina a serem pacientes e conformadas, são mais sujeitas ao masoquismo que os homens.

O que você quer que eu responda? Que você não deve ser amante de um homem que, além de casado, foi desonesto com você ? Isso seria moralismo. Prefiro dizer que você é dependente sexualmente dele. E, se o amor não compensa quando traz infelicidade, muito menos o sexo. Procure uma psicanalise e mergulhe fundo na descoberta das raízes poderosas do seu masoquismo. Sem isso, poderá repetir no futuro a escolha desastrosa. Abraço
Aglair Grein-Psicanalista



sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Abuso sexual



S.- Tenho 25 anos, sou bióloga, tenho um ótimo emprego, mas vivo insatisfeita em todas as áreas da minha vida. Aos 9 anos sofri abuso sexual repetidas vezes por parte do diretor da minha escola.Cheguei em casa,na primeira vez chorando contei para minha mãe e ela mal me ouviu, não acreditou.Nunca mais falamos sobre o ocorrido e nada foi feito para penalizar o diretor.Tive que frequentar aquela escola pelo resto do ano, e foi o período mais triste e nojento da minha vida... as vezes era chamada a ir à sala dele depois da aula e eu sabia porque. Tem horas que penso que isso está esquecido, mas ainda hoje, aquelas cenas voltam em minha mente…..Nunca consegui transar com os poucos namorados que tive até hoje..foram tentativas cheias de pavor..Me apaixono, mas quando o relacionamento começa a esquentar termino tudo ou o cara some ..Sofro de obesidade desde o inicio da adolescência, e não tenho motivação para me cuidar.Já fiz terapia por um tempo, mas desisti porque a psicóloga não me dava muita atenção, achei que perdia tempo e dinheiro.


Resposta :
Agradeço a confiança. Posso imaginar o quão difícil é fazer um relato como o seu. Acredito que se expor foi um ato de coragem e um primeiro passo para a resolução.
O abuso sexual em crianças é o mais frequente, o mais cruel e também o mais omitido crime sexual.

O que é grave é que hoje o seu presente é determinado pelo seu passado. Essa condição é intolerável .Você precisa decifrar o passado e resolvê-lo dentro de si para não viver mais com essas marcas. É preciso promover a aceitação do abuso e, mais importante que tudo, reconhecer o seu lugar na história da sua vida. Passado é passado e não deve mais ser vivido.  É preciso trabalhar também a emoção da raiva, que é legítima mas deslocada: ela está voltada contra você mesma, já que não encontra motivos para se cuidar , e se priva de relacionamentos satisfatórios.Viver encarcerada nas próprias lembranças não é viver.

Não há outra forma de trabalhar essas marcas senão pela terapia.Talvez a terapia de grupo, depois de um período de trabalho individual, possa ser mais adequada e eficaz, já que vítimas de abuso sexual definem a si mesmas inteiramente através da sua experiência de abuso, e sentem-se únicas nesta experiência. Não espere mais! Abraço.
Aglair Grein- Psicanalista

domingo, 23 de setembro de 2012

Desejar e Querer




S.M.- Cantar para mim sempre foi motivo de prazer e é algo que amo fazer.apesar de nunca ter tido o incentivo da família.Ultimamente tem pulsado em meu peito o latente desejo de voltar a Itália para aperfeiçoar a técnica do canto e para também trabalhar a fim de financiar meus estudos.Confesso que quero muito isso, mas me sinto insegura, com medo de enfrentar novamentre e sozinha, a vida lá fora. Por isso, dentro de mim, tem se instalado um conflito que não consigo resolver, pois sei que aqui ficando não conseguirei conquistar meus objetivos de realização pessoal. A inconstância emocional, é outro motivo que me impede de alçar o vôo...temo os desafios que terei que enfrentar para ter forças e foco para perseverar, o que aliás, tem sido meu calcanhar de Aquiles, a falta de perseverança em tudo o que me proponho a fazer, tem aniquilado meus projetos. Preciso de uma luz, por favor me oriente.



Resposta :
Em seu e-mail, você fala do que deseja e do que quer, mas você quer o que deseja ?
"Você quer o que deseja ? "O psicanalista Jorge Forbes lança uma questão com essa pergunta intrigante que fala do Querer e do Desejo como instâncias diferentes e independentes. Segundo ele, Desejar é sempre desejar o que não está no nosso alcance, a ponto de podermos agradecer a quem não nos dá o que foi pedido para manter vivo o desejo. Ou para justificar nosso medo.Toda dúvida ou indecisão vem do medo.

Por outro lado, o Querer é buscar,  encontrar os meios para alcançar, criar as condições para chegar lá, se dispor a enfrentar as dificuldades, encarar os medos. O Desejo mede os obstáculos, enquanto que o Querer vence os obstáculos.  Espero que você reflita sobre o seu Desejo de cantar e seu Querer cantar. Nenhum dos dois está na família, no destino, ou em qualquer outro lugar: eles estão em você e são responsabilidade sua. Como disse alguém : "A oportunidade só dança com aqueles que já estão no salão." Abraço
Aglair Grein-psicanalista


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Medo de ficar sozinha


A.L.-Tenho 49 anos, separada há 10, uma filha casada, e vivo uma relação enrolada há quase 4 anos com um homem de 58. Decidimos viver de modo mais livre, sem compromissos nem cobranças, e no começo foi bom. Ando muito incomodada porque ele não contribui com nada, nada, nem na parte financeira. Nos dias que ele vem ficar na minha casa,( algumas vezes na semana e finais de semana) se instala como um rei e eu faço tudo, desde compras até cozinhar, limpar e cuidar da roupa dele. Ele tem 2 filhos adultos que não conheço e volta e meia passa fim de semana com eles e nunca me convidou. Faz segredo da vida deles, se esconde para falar no telefone, quando ligam. Ele fuma e me irrita demais com fumaça e sujeira pela casa toda, apesar de que já pedi e briguei muito pra ele fumar na sacada. Gosto dele, mas faz um tempo que penso em acabar, mas descobri que o que me segura é o medo de ficar sozinha e me arrepender.


 Resposta:
O seu e-mail me fez pensar no quão pouco exigentes podemos ser quando temos medo da própria companhia, no quão tolerantes podemos ser para escapar de tomar conta de nós mesmos. Você escolhe se submeter a uma situação de subserviência, de infelicidade, para evitar olhar para si mesma, desamarrar os próprios nós e ficar livre. Livre, especialmente, para ser capaz de escolher uma companhia agradável, alguém que traga satisfação,  segurança, bem estar, e alguma reciprocidade. E momentos felizes, claro.

O que há para fazer é um balanço do que traz de bom ( se é que traz) e de desconfortável essa relação "aberta". Coloquei entre aspas, porque me parece que é aberta somente para ele, que preserva sua individualidade e seu espaço - dentro do teu espaço também . Ele entrou na tua vida, ocupou os cômodos da casa, ignorando as tuas necessidades, os teus limites, a tua presença, enfim.
É claro que ele ocupou todo esse espaço porque você permitiu. 50% da responsabilidade, portanto, é tua.

 Não tenha medo de perdê-lo ou de ficar sozinha. Pior é perder-se.  O medo deve servir de dínamo, de motor para enfrentar os desafios, as mudanças. É mais do que hora de procurar uma maneira de fazer novos caminhos e quebrar a rotina. Ninguém acha um atalho sem se perder antes.  Se puder, seria ótimo procurar suporte terapêutico para aprender a ficar sozinha sem medo e não repetir esta história com outro parceiro . Lembre-se: nós aceitamos o amor que acreditamos merecer. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Ejaculação precoce




P.-Tenho 27 anos... nunca namorei sério e agora me apaixonei pela primeira vez...Acontece que tenho varios problemas de saúde, sofro do estômago, de varias alergias, tenho problemas de coluna , vivo em médicos, é bem complicado... mas o que mais atrapalha minha vida é nunca ter tido relação sexual completa, pois tenho ejaculação precoce, que acontece só de encostar na mulher, nas preliminares. Nunca tive coragem de contar isso para ninguém, nem para os médicos. Já passei por muita situação vergonhosa e faz anos que parei de procurar mulher por isso. Agora a menina é tudo de bom, e eu estou muito angustiado, já passou da hora e eu não tenho coragem de atacar, porque sei que vai acontecer de novo. Não quero perder a menina, mas fico paralisado só de saber que não vou conseguir segurar.

Resposta:
A ejaculação precoce é um distúrbio típico do início de atividade sexual- apesar de ocorrer  em qualquer idade- com causas exclusivamente de ordem psicológica.Não existe nenhum tipo de problema no sistema reprodutivo. É o problema mais comum entre os homens afetando de 20 a 30% deles.
Algum distúrbio psicológico como ansiedade, sentimento de culpa em relação ao sexo, ou antecedentes de situações traumáticas, como abusos sexuais ou simplesmente ter sido surpreendido por alguém enquanto se masturbava podem desencadear a disfunção.

A verdade é que apenas um episódio isolado de ejaculação precoce pode causar um estresse e uma frustração tão grande que este passa a ser o próprio fator desencadeante.
O tratamento geralmente é natural, com investigação das causas e aprendizado de técnicas de controle ejaculatório, sem necessidade de medicação. A recomendação, naturalmente, é que procure um tratamento psicológico, até para tratar os outros problemas de saúde citados que devem ser decorrentes da mesma ansiedade. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista