sábado, 16 de março de 2013

Medo de voltar para casa


M.- Consegui sair de uma depressao que me acompanhava por 5 anos. Pra mim e dificil comentar sobre esse assunto, pois acho que ja passei por todas  as etapas possiveis com medicamentos e terapias. Tambem ja cansei do papel de vitima. Concordo com todas as suas publicacoes por experiencia propria, mas nao estou conseguindo controlar meus ataques de ansiedade causados por medos de perda.Essa situacao ja se tornou tao cansativa que nem animo e vontade de escrever sobre o assunto tenho. Sabendo disso, sei que e bem dificil pra voce poder fazer qualquer tipo de analise. Neste momento me encontro fora do Brasil ha quase 1 ano, onde vim meio que me esconder e tentar me curar.Enfim, da depressao consegui me livrar, mas .. Tenho que voltar pra minha familia, mas toda vez que penso em deixar meu companheiro que tem me ajudado muito nao consigo me livrar do panico. Um email seria pouco pra te explicar minha estoria e realmente ela ja me cansou.

                       
Resposta:
A negação da realidade é um mecanismo de defesa psicológico e pode ser encontrado em indivíduos saudáveis, mas sua presença excessiva é, via de regra, indicação de possíveis conflitos paralisantes. Uma viagem pode ser benéfica e trazer de volta o bem estar e disposição para retomar a rotina, mas no seu caso percebe-se a angústia com a perspectiva de 'voltar para casa'.

Este "cansaço", esta indisposição para falar do assunto se deve, (assim como sua mudança de país) possivelmente, a uma resistencia em mexer em feridas escondidas, um artifício para escapar da dor que você finge não existir. É como se alguém, dentro de você, mentisse para te proteger.

Que parte de você quer fugir e não responde aos tratamentos? Que parte de você continua evitando a vida e sua realidade? É preciso mais do que uma resposta breve para esclarecer a insatisfação. É preciso um corajoso mergulho interior através de uma análise para descobrir as razões inconscientes do seu medo. Abraço
Aglair Grein- psicanalista

quinta-feira, 14 de março de 2013

A delicada posição da "Outra"



( Alguém me perguntou porque a abordagem do tema aqui se dá no feminino. Estatisticamente são as mulheres que disparado mais procuram apoio, esclarecimento e orientação quando não mais suportam o peso de uma relação dessa natureza. São elas que se expõem e confessam não mais aguentar as frustrações por se sentirem sempre a segunda opção. São as mulheres também que mais constroem fantasias românticas de um futuro a dois, sem considerar a realidade.  São elas, enfim que procuram o meu consultório. )

Tornar-se amante de um homem casado é sempre uma questão delicada. Movido por diversos motivos –amor, paixão, carência, sexo, comodismo–, esse tipo de relacionamento é mais comum do que se imagina e sempre esbarra nos limites da razão. Há mulheres que se sentem à vontade no papel da "outra" e desfrutam, sem culpa, da condição.Especialistas afirmam, no entanto, que ser amante é alternar, o tempo todo, sofrimento e prazer. 

As vantagens são a constante e intensa excitação inerente ao risco da descoberta, a sensação de novidade pela escassez ou dificuldade de encontros e ausência de rotina, a falta de responsabilidade ou compromisso com problemas do parceiro ou típicos de uma relação conjugal.

As desvantagens vão desde o pouco (ou nenhum) compartilhamento de momentos agradáveis em público, a impossibilidade de planejar e realizar juntos programas prolongados como viagens e férias, não poder contar com o amado em momentos difíceis, restrições quanto aos telefonemas e, ainda, a dificuldade em lidar com o ciúme da mulher oficial. Outro fator negativo é que o envolvimento nem sempre constrói laços afetivos entre o casal. Como os encontros são limitados e geralmente quando os dois se veem acabam transando, esse tipo de relacionamento fica vinculado ao sexo.

Elas são raras, mas existem: mulheres que preferem namorar homens casados simplesmente por diversão, conscientes de sua escolha. Cobranças e compromisso não fazem parte de seu vocabulário, ao contrário de sexo por prazer. Esse comportamento sempre existiu, mas vem ganhando maior visibilidade porque as mulheres estão mais independentes e, como os homens, assumem o que querem e gostam.

 O envolvimento com homens casados também acontece porque muitas mulheres aprendem a relacionar amor e dor desde a infância, ou seja, na sua vivência com os adultos significativos das suas vidas (pais, avós) são desprezadas, ignoradas, controladas e exigidas a sempre fazer o que o outro espera delas. Com isso crescem com baixa autoestima e escolhem inconscientemente sujeitos indisponíveis, já que não se sentem merecedoras de afeto ou atenção.

Segundo as especialistas, dificilmente os homens casados que mantêm relacionamentos extraconjugais se separam. O motivo? Apesar de a vida sexual com a oficial estar desgastada ou inexistente, muitos homens valorizam suas famílias e amam suas mulheres e seus filhos. Para os homens, o sexo é apenas uma parte do amor, o amor erótico. O casamento pode se sustentar com o amor de amizade, companheirismo, um projeto de vida comum etc.

Parece ironia, mas quando um homem decide se separar da "matriz", raramente assume a "filial". A "outra", muitas vezes, representa para o indivíduo a sensação de liberdade e, ao se separar, o homem prefere viver experiências novas e diversificadas, sem o compromisso de estar vinculado a ninguém. Em algumas poucas ocasiões, só quando é um amor grande e verdadeiro eles ficam com a amante. No entanto, vários homens arrumam uma relação extraconjugal para amenizar os problemas de seu casamento ou até para esquentá-lo. E aí, quando se separam, a amante deixa de ter uma função. Ele não precisa mais dela.


sábado, 9 de março de 2013

A Psicoterapia de Orientação Analítica


A Psicoterapia de Orientação Analítica

Está incluída nas psicoterapias de insight (compreensão interna) e utiliza como referencial teórico a Psicanálise, por isso também é chamada de Psicoterapia Psicanalítica. Parte, portanto, de certas premissas básicas, como a existência de um sofrimento psíquico, de natureza consciente, que pode ter sido desencadeado por fatores externos atuais, mas que está intimamente relacionado a conflitos (emocionais) internos, estes eminentemente inconscientes, vinculados, por sua vez, a padrões estruturais da personalidade.

O processo terapêutico se baseia em dois pontos principais:

1. Na livre associação, quer dizer, o indivíduo em tratamento psicoterápico de orientação analítica deve ser capaz de comunicar todos os pensamentos e sentimentos que surgem durante a sessão terapêutica (freqüentemente de uma, duas, a três vezes por semana), o que vai permitir que o terapeuta compreenda os diversos significados conscientes e inconscientes dos mesmos.

2. Na capacidade do indivíduo de estabelecer novas compreensões emocionais internas de si mesmo e dos fatos e pessoas que o cercam, modificando, conseqüentemente, um ou mais padrões de comportamento. Como o objetivo é a aquisição, por parte do indivíduo, de compreensões emocionais (insight) e não apenas entendimentos intelectualizados de seus conflitos inconscientes e sua estrutura de personalidade, o processo terapêutico é geralmente mais longo e o resultado é permanente.

Desta forma, a Psicoterapia Psicanalítica está principalmente indicada em situações caracterizadas por inibições de certas capacidades que afetem o desempenho em uma ou mais esferas da vida do indivíduo, tais como profissional, amorosa, relacional, e cujos sintomas gerem desconforto psíquico em graus variados.

Também está indicada - como terapia exclusiva ou associada a outras formas de tratamento (psicofarmacológico, por exemplo) - em diversos quadros clínicos, tais como transtornos ansiosos, dissociativos e conversivos, de adaptação, de aprendizado (em crianças) e  transtornos depressivos e de ansiedade. Pode também ser utilizada na abordagem terapêutica de alguns transtornos de personalidade.

Fonte: Escuta Analítica


sexta-feira, 8 de março de 2013

Antidepressivos sem terapia não têm efeito





Os médicos precisam reconsiderar a forma como estão prescrevendo antidepressivos.Os estudos mais recentes vêm mostrando que os antidepressivos restauram a capacidade de determinadas áreas do cérebro a fim de contornar rotas neurais cujo funcionamento não está normal.

Mas essa mudança no "hardware" do cérebro só trará benefícios se houver uma mudança no "software" - na mente do paciente - algo que não é suprido pelos antidepressivos, só podendo ser alcançado mediante a psicoterapia ou terapias de reabilitação.

O alerta contundente está sendo feito pelo renomado neurocientista Eero Castrén, da Universidade de Helsinque (Finlândia).Trata-se de uma posição surpreendentemente franca, principalmente vinda de um neurocientista respeitado mundialmente.

Afinal, milhões de pessoas em todo o mundo tomam antidepressivos seguindo receitas de seus médicos, e as empresas farmacêuticas têm faturado bilhões de dólares vendendo essas drogas.Será então que um sistema tão amplamente aceito poderia estar totalmente errado?É exatamente isso que mostram estudos recentes na área.

Pesquisas em modelos animais demonstram que os antidepressivos não são uma cura por si sós.Em vez disso, o seu papel é o de restaurar a plasticidade no cérebro adulto.
Os antidepressivos reabrem uma janela da plasticidade cerebral, que permite a formação e a adaptação de conexões cerebrais através de atividades específicas e observações do próprio paciente, de forma semelhante a uma criança cujo cérebro se desenvolve em resposta a estímulos ambientais.

Quando a plasticidade cerebral é reaberta, problemas causados por "falsas conexões" no cérebro podem ser tratadas - por exemplo, fobias, ansiedade, depressão etc.A equipe do Dr. Castrén mostrou que os antidepressivos sozinhos não surtem efeitos para esses problemas, enquanto a psicoterapia sozinha obtém resultados de curta duração. Quando antidepressivos e psicoterapia são combinados, por outro lado, obtém-se resultados de longa duração.

"Simplesmente tomar antidepressivos não é o bastante. Nós precisamos também mostrar ao cérebro quais são as conexões desejadas," disse o pesquisador.
A necessidade de terapia e tratamento medicamentoso também pode explicar porque os antidepressivos às vezes não têm efeito. Se o ambiente e a situação do paciente permanecerem inalterados, a droga não tem capacidade para induzir mudanças no cérebro, e o paciente não se sente melhor.

O estudo de Castrén chamou a atenção das autoridades de saúde europeias, que lhe derem um financiamento de €2,5 milhões para detalhar suas descobertas.

Fonte Mente e Cérebro
http://diariodasaude.com.br/news.php?article=antidepressivos-sem-terapia-nao-tem-efeito&id=8605

sexta-feira, 1 de março de 2013

Abuso Sexual Infantil



Abuso Sexual Infantil 

Muitos pensam que abuso sexual infantil é ter uma relação sexual completa com uma criança, mas a definição é muito mais ampla. Podemos caracterizar como abuso : tocar a boca, genitais, bumbum, seios ou outras partes íntimas de uma criança com objetivo de satisfação dos desejos; forçar ou encorajar a criança a tocar um adulto de modo a satisfazer o desejo sexual. Fazer ou tentar fazer a criança se envolver em ato sexual. Forçar ou encorajar a criança a se envolver em atividades sexuais com outras crianças ou adultos. Expor a criança a ato sexual ou exibições com o propósito de estimulação ou gratificação sexual. Usar a criança em apresentação sexual como fotografia, brincadeira, filmagem ou dança, não importa se o material seja obsceno ou não.

O número de crianças e adolescentes abusados sexualmente no Brasil é cada vez maior, mas só uma minoria apresenta queixa. Isso se dá devido ao grande trauma psicológico acarretado e também porque muitas vezes o abusador mantém algum grau de parentesco com a vítima, quando não é o próprio pai ou padrasto, o que gera medo de retaliação. 

Os principais sinais que a criança pode mostrar e podem ser observados pelos pais, professores ou outro cuidador da criança são:

*Mudanças no comportamento como perda do apetite, pesadelos, medo de dormir, se afastar das atividades rotineiras. *Afastamento dos amigos. *Voltar a fazer xixi na cama. *Chupar o dedo. *Dificuldade de concentração na escola. *Medo de alguma pessoa, ou pânico de ser deixada em algum lugar ou com alguém. *Comportamento agressivo ou perturbador, delinquência, fuga de casa ou prostituição.*Comportamentos autoagressivos.*Irritação genital ou sangramento, inchaço, dor, coceira, cortes ou arranhões na área genital, vaginal ou anal.

Qual deve ser a postura dos pais? 

Em primeiro lugar, não entrar em pânico. Muitas vezes, os pais já até tinham algum “pressentimento” sobre determinada pessoa, mas não deram a devida atenção à sua percepção. A criança pode ter medo de contar aos pais ou familiares, pois muitas vezes o abusador faz ameaças a ela ou aos seus entes queridos. Se a criança conseguir contar aos pais, atenção! Acreditem, dificilmente uma criança inventa histórias dessa natureza. Conforte a criança. Explique que não foi culpa dela. A culpa é do abusador e ele fez algo muito errado. Deixe a criança saber que você sente pelo que aconteceu. Fale a ela que você vai fazer de tudo para que isso não aconteça novamente. Leve a criança e a família para um aconselhamento ou terapia.

Quais as principais sequelas do abuso sexual infantil:

*Confusão – A criança pode achar que é normal porque o abusador disse que é, mas é confuso por que ele também falou para não contar para ninguém.

*Culpa – Por não ter feito nada para parar o abuso; porque pode ter sentido alguma sensação boa; por ter recebido algo especial por fazer aquilo; porque acha que fez algo para que o abuso acontecesse; porque acha que é tão má que mereceu o abuso.

*Medo – De ter sofrido um dano físico irreparável; de ser descoberto pelos outros; de que os outros, ao olhar para ela saberão que foi abusada por ser má.

*Raiva – Do abusador; de si mesma, por não parar o abuso, ou por ter gostado; do pai/mãe que não a protegeu de ser abusada; pode parecer uma criança passiva e submissa, mas está explodindo por dentro; pode descarregar sua raiva maltratando animais ou crianças menores

*Perda da confiança – Nos pais; nos adultos.

Se isso aconteceu com alguma criança que você conhece, busque ajuda especializada. Leigos no assunto com frequência machucam mais do que ajudam.

Fonte: Cláudia Bruscagin