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Abuso sexual



S.- Tenho 25 anos, sou bióloga, tenho um ótimo emprego, mas vivo insatisfeita em todas as áreas da minha vida. Aos 9 anos sofri abuso sexual repetidas vezes por parte do diretor da minha escola. Cheguei em casa, na primeira vez chorando, com a calça do agasalho marcada por sangue, contei para minha mãe e ela mal me ouviu. Foi à escola onde coordenadora e diretor disseram ser fantasia de criança, manipulação para mudar de escola ou problemas domésticos que eu transferia . Nunca mais falamos sobre o ocorrido e nada foi feito para penalizar o diretor. Tive que frequentar aquela escola pelo resto do ano, e foi o período mais triste e nojento da minha vida... as vezes era chamada a ir à sala dele depois da aula e eu sabia porque. Tem horas que penso que isso está esquecido, mas ainda hoje, aquelas cenas voltam em minha mente…..Nunca consegui transar com os poucos namorados que tive até hoje..foram tentativas cheias de pavor..Me apaixono, mas quando o relacionamento começa a esquentar termino tudo ou o cara some ..Sofro de obesidade desde o inicio da adolescência, e não tenho motivação para me cuidar. Já fiz terapia por um tempo, mas desisti porque a psicóloga não me dava muita atenção, achei que perdia tempo e dinheiro.


Resposta :
Agradeço a confiança. Posso imaginar o quão difícil é fazer um relato como o seu. Acredito que se expor foi um ato de coragem e um primeiro passo para a resolução. O abuso sexual em crianças e adolscentes é o mais frequente, o mais cruel e também o mais omitido crime sexual.

O que é grave, mas reversível, é que hoje o seu presente é determinado pelo seu passado. Essa condição é intolerável . Você precisa elaborar o que sofreu, precisa e resolver sentimentos de culpa e abandono dentro de si para não viver mais com essas marcas. É preciso promover a aceitação do abuso e, mais importante que tudo, reconhecer o seu lugar na história da sua vida. Passado é passado e não deve mais ser vivido.  É preciso trabalhar também a emoção da raiva, que é legítima mas deslocada: ela está voltada contra você mesma, já que não encontra motivos para se cuidar  e se priva de relacionamentos satisfatórios. Viver encarcerada nas próprias lembranças traumáticas não é viver.

Não há outra forma de trabalhar essas marcas senão pela terapia.Talvez a terapia de grupo, depois de um período de trabalho individual possa ser mais adequada e eficaz, já que vítimas de abuso sexual definem a si mesmas inteiramente através da sua experiência de abuso, e sentem-se únicas nesta experiência. Não espere mais! Abraço.
Aglair Grein- Psicanalista

Comentários

  1. Também fui violada aos 7 anos mais ou menos por um irmão mais velho . Nunca disse nada até a maior idade , em que disse á minha mãe. Não acreditou e disse que devia estar a brincar, Casei
    só para sair de casa. Sofri de violencia doméstica mas consegui separar me.Nunca mais casei e um dia ñ há muito tempo em familia criei coragem e disse toda a verdade. Sou bipolar e isso serviu para me atacarem e me chamarem de doida e pq só agora? A pessoa nega.
    Estou numa luta constante. Sou unica rapariga de 4 irmaõs e tenho um filho mas estou só. Nao quero viver e tb já tenho 55 anos, reformada de enfermagem

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