sábado, 26 de julho de 2014

O QUE É DISTIMIA E QUAIS SÃO SEUS SINTOMAS?


O QUE É DISTIMIA E QUAIS SÃO SEUS SINTOMAS?

A distimia consiste em uma depressão leve e crônica que conta com outros sintomas além da tristeza persistente, como falta ou excesso de apetite, insônia ou sonolência excessiva, fadiga fácil, baixa auto-estima, dificuldade de concentração, sentimentos de desesperança e mau humor. Além disso, há uma acentuada perda de prazer, grande falta de interesse, um acentuado isolamento social e uma marcante irritabilidade e falta de paciência. A capacidade produtiva é bastante prejudicada, bem como a destreza mental. O humor pode ser irritável, ao invés de triste, principalmente nas crianças, que se tornam briguentas, intolerantes e intranquilas.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE DISTIMIA E DEPRESSÕES?
A diferença entre a distimia e as depressões é que geralmente as últimas acontecem de repente, em crises, que cedem em favor de intervalos de relativa normalidade, às vezes longos ou mesmo definitivos. As distimias, ao contrário, são estados permanentes. Os distímicos geralmente conseguem manter suas atividades rotineiras, embora possam ter algumas dificuldades com elas. Os depressivos, ao contrário, principalmente quando estão gravemente doentes, abandonam seus afazeres e às vezes sequer conseguem sair da cama. Além disso, nas pessoas que sofrem distimias não há a ocorrência de fases maníacas, nem o estado depressivo é motivado por fatores externos.
As depressões são doenças passageiras. As distimias são transtornos afetivos permanentes da personalidade.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA DISTIMIA?
Quase sempre a distimia se inicia de maneira gradual e um diagnóstico cabal só pode ser feito quando o quadro está totalmente instalado. É um diagnóstico basicamente clínico.

Em geral, a distimia começa na infância e as pessoas com esta condição desde cedo acreditam que esse seja o seu estado de ânimo natural e alegam que “sempre foram assim”. Mas há também as distimias que começam mais tarde, inclusive na maturidade. As primeiras incidem igualmente em ambos os sexos e as outras parecem predominar nas mulheres, numa proporção de três para um.

A criança distímica em geral é mais calada e menos ativa que as normais. Não se envolve em brincadeiras agitadas nem em festividades que impliquem algazarras, como é próprio às demais crianças. Por causarem poucos distúrbios, é comum que sejam tidas como “boazinhas”, ao invés de doentes.

Os distímicos adultos em geral são retraídos, não gostam de sair de casa ou de atender ao telefone. Eles evitam situações de júbilo e comemorações de todo tipo, porque têm dificuldades de se confraternizar e preferem estar sozinhos ou com poucas pessoas que em meio a multidões.

A DISTIMIA VEM ACOMPANHADA DE OUTRAS PATOLOGIAS?
A pessoa que sofre distimia pode ter outras condições associadas como depressões, transtornos do pânico e sintomas orgânicos inespecíficos tais como fadiga, mal-estar gástrico, sudorese, tremores, etc.

COMO SÃO OS TRATAMENTOS?
Os tratamentos com antidepressivos clássicos não se mostram satisfatórios. Os mais recentes, de novas gerações, no entanto, parecem apresentar melhores resultados, quando usados adequadamente. É indispensável a associação de uma psicoterapia.

[ABC.MED/BR - Psiquiatria]

quarta-feira, 23 de julho de 2014

CODEPENDÊNCIA OU DEPENDÊNCIA EMOCIONAL: O QUE É?




É a inabilidade de manter e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros e consigo mesmo, resultando em relações difíceis, desgastantes ou destrutivas. Na Codependência, nota-se a presença de baixa auto-estima, de expectativas irreais, da falta de bons diálogos, de discussão direta dos problemas, expressão aberta dos sentimentos e pensamentos, comunicação honesta e franca, de respeito às individualidades, de intimidade, de confiança nos outros e em si mesmo.
O termo Codependência teve origem nos estudos e trabalhos da Dependência química e foi atribuído aos familiares, partindo do princípio de que os familiares de dependentes químicos também apresentariam uma dependência, não das drogas, mas emocional, isto é, relacionada a um vínculo doentio que têm com estes dependentes.

Em média, 9 entre 10 pessoas são afetadas pelo impacto da dependência química de um ente querido, número que extrapola o da família nuclear que é formada, em média, por 3 pessoas. Este é o resultado de uma recente pesquisa realizada na cidade de São Paulo, pela UNIAD/Unifesp/Inpad. A pesquisa aponta também que, além da resistência do dependente químico em aceitar o tratamento (52% dos casos), o comportamento/atitude da família (11%) é a segunda maior dificuldade encontrada no tratamento.

Convivendo com sentimentos opressores como tristeza (28%), impotência (26%), dor, angústia, raiva, desespero, culpa, pena, decepção, solidão e medo, a família do dependente químico é grupo de risco para problemas de saúde, no âmbito das doenças emocionais, psíquicas ou físicas. Este impacto corresponde aos vividos por familiares de doentes terminais. Em 34% dos casos, para aliviar o sofrimento, a família procura psicólogos, terapeutas e grupos de apoio.

Posteriormente, notou-se que esta dependência acontece em situações muito além da dependência química.

A maior parte dos codependentes vem de famílias disfuncionais, isto é, que demonstraram significativa fragilidade emocional. E, por serem mais frágeis, contribuíram de forma efetiva para o desenvolvimento e instalação da dependência emocional entre seus membros.

Em geral, a pessoa codependente teve dificuldade de experimentar amor, amparo, aceitação, segurança, razoável coerência e harmonia. Em muitos casos, houve abusos, violência psicológica e até física, rigidez de regras e críticas excessivas. Por isto, desenvolveram sinais e sintomas, como a baixa autoestima, senso de identidade frágil, alta reatividade ou irritabilidade, preocupação ou cuidado excessivo com o outro, perfeccionismo, negação da realidade, uso do sexo para ganhar aprovação (no caso de se relacionar a dois); compulsões nos relacionamentos – às vezes, associadas a outros transtornos compulsivos, como o alimentar, gastos, jogos e outros, além do foco excessivo na realidade do outro, como parceiro afetivo ou filhos, em vez de focar na própria vida. Neste sentido, muitas vezes assumem pelo outro, responsabilidades que a ele pertencem. Isto pode resultar na facilitação da continuidade da doença ou problemática deste outro.

Além destes sinais, o codependente escolhe parceiros ou estabelece relacionamentos deste tipo com pessoas que também apresentam transtornos psicológicos, incluindo outras dependências. Também costumam ter padrões de comportamento como controle excessivo; manipulação do outro; necessidade de agradar (que leva à submissão); compulsão de salvar o outro e/ou autoritarismo. Enfim, apresenta sinais e sintomas que contribuem para padrões autodestrutivos de viver.

Apesar deste quadro clínico ocorrer em ambos os sexos, é notória a prevalência maior no sexo feminino, o que provavelmente se explica pelos condicionamentos culturais a que as mulheres estão expostas desde cedo, ou seja, de colocarem seu foco de interesse maior e valor nos relacionamentos afetivos.
Cada um destes codependentes acredita que é outra pessoa e não ela, a responsável direta pela sua felicidade, passando então a buscá-la fora e não dentro de si.
                                                   
E como superar a Codependência?

Buscar ajuda pode ser necessário. A primeira questão fundamental é fazer um bom diagnóstico. Não existe qualquer receita rápida para mudar estes comportamentos que têm suas bases na infância. Um modelo de tratamento é o de grupos de mútua ajuda, outro é a psicoterapia e eles não se excluem. Enfim, o importante é começar a dar os passos para cuidar de si mesmo de forma muito amorosa, tendo em mente o objetivo de, ou alcançar relacionamentos saudáveis e respeitosos ou é melhor não tê-los.

[Elizabeth Zamerul Ally]