quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O "outro" que nos habita.



Por que mesmo querendo fazer diferente algumas pessoas não conseguem? Porque não conseguem ser senhores de suas escolhas?

Alguns buscam a resposta na ciência,  nas cartas de tarô, no horóscopo, no cosmo ou nas estrelas. Outros, inconformados e cansados de sofrer, munem-se de coragem (pois é preciso ter coragem para enfrentar os próprios fantasmas) e encaram uma análise.  Perguntam se é melhor tomar remédios, pois o problema pode ser um hormônio enlouquecido ou uma doença genética.
 Geralmente a pessoa que sofre acredita que é mais fácil procurar culpados. E o culpado é sempre o outro: o pai, a mãe, o chefe, o namorado, a namorada, o gene, o destino ou uma molécula.

Somente depois é que descobrem que esse outro que governa seus pensamentos, suas fantasias, suas escolhas, sua vida, é um outro dele mesmo. É um outro que “habita” dentro dele a ponto de fazê-lo tomar essa ou aquela atitude. Esse outro responde pelo nome de Inconsciente.

Custam a acreditar que essa força, que é maior que sua vontade e que os impulsiona a sofrer e a repetir situações, provém deles mesmos e não do destino. E quando finalmente não conseguem mais negar, começam a se responsabilizar pelo que fazem.Assim, se colocam como senhores de suas escolhas e de seu destino.
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[O inconsciente, em psicanálise, não é o mesmo que o contrário da consciência. É o que traz o selo das palavras escutadas na infância, dos significantes primordiais que marcaram o sujeito desde que ele nasceu, que tem relação com sua história familiar, com os costumes e o discurso de sua família, pois assim como os traços genéticos, eles também são transmitidos através das gerações.]

 [Via Escuta Analitica]



terça-feira, 13 de novembro de 2012

Amor ou Paixão?



R.M.- Tenho 32 anos e ainda não sei diferenciar se estou só apaixonada ou se estou amando de verdade.Há 4 meses me relaciono com um cara que caiu de paraquedas na minha vida, logo depois que eu tinha acabado um namoro de mais de 3 anos.O que me amedronta é que no namoro anterior, foi decepcionante pra mim quando a relação estava no fim, era como seu eu estivesse com um estranho.Tudo nele era novidade pra mim, seu jeito mudou, seu comportamento, suas manias e defeitos ficaram tão à vista que não aguentei mais conviver com ele, morando junto.Brigávamos por tudo, ele me irritava demais e não fui capaz de descobrir porque não percebi isso antes. No começo achei que ele mudou, mas lendo algumas coisas sobre o assunto e acompanhando teus posts, me pergunto se não era eu que não enxergava por cegueira da paixão.Estou com medo de continuar e me dar mal, pois vejo no relacionamento novo tudo de bom, o homem na medida certa para mim, ele é perfeito.Não vejo nenhum defeito e isso me assusta.

Resposta:
Se você está mais alerta com a nova paixão, é um bom sinal.
Alguém -cujo nome não lembro agora- disse que qualquer que tenha sido o relacionamento que tenhamos tido no passado, era daquilo que precisávamos naquele momento.

É preciso distinguir entre o amor como sentimento da paixão e o amor como dom ativo. O amor como paixão fica no plano das relações imaginárias, em que as imagens do eu e do outro se confundem. Ao passo que o amor como dom ativo inscreve-se no plano das relações simbólicas, dimensão da palavra, cujo registro é o da verdade, da realidade.
 O amor como dom ativo está além da fascinação imaginária, porque se dirige ao ser do outro em sua particularidade, convive na diferença, onde dois não fazem um, mas dois.
Com sorte, a paixão ao se arrefecer pode se transformar em amor como dom ativo, algo a ser construido e cultivado.

Algumas dicas para não cair na armadilha cega da paixão e não se decepcionar mais tarde :
1- DIMINUA AS EXPECTATIVAS.A perfeição no outro e no relacionamento não existe.

2- POR MAIS APAIXONADA QUE ESTEJA, CULTIVE A AUTOESTIMA. Além de fazer alguém feliz, a gente tem que ser feliz.Não se anule pensando apenas na felicidade de quem está ao seu lado.

3- ESCOLHA ALGUÉM COM QUEM TENHA AFINIDADES.Essa história de que os opostos se atraem pode ser verdadeira, mas a convivência pede afinidades.

4- VALORES E PRINCÍPIOS MORAIS SÃO INEGOCIÁVEIS. Seu parceiro não deve ser cópia sua, mas precisa ter valores e princípios parecidos.
Abraço.
Aglair Grein-Psicanalista

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Assumindo a homossexualidade



V.-Tenho 15 anos.Depois que assumi minha homossexualidade, tenho enfrentado problemas com o mundo.Chego a pensar que talvez seja a minha aparência, mas penso que tem a ver com meu caráter também.Em casa, o relacionamento com meus pais nunca foi 100% legal, agora então não chega nem nos 5%.. Na Escola os alunos parecem não ir com a minha cara, é triste... não tenho problema com nota, só que quando eles brigam comigo eu acabo indo mal na prova,.e isso me faz me odiar, sabe? Quando eu fico irritado com alguém banco uma vilã das novelas de globo, vivo querendo fazer maldades... é estranho, eu começo a querer empurrar os outros da escada.Minha vilã favorita é a Tereza Cristina de Fina Estampa. Preciso de alguém, não amorosamente falando, mas de um amigo, eu só tenho amigas.. Às vezes penso em me suicidar, mas não tenho coragem...o Problema em sí é como conseguir amigos de verdade, que não te usem e te botem para baixo? Detalhe:tento conhecer gente pela net, mas não dá...a maioria deles é compromissado ou são desses de sair, ridiculo... Se puder me ajudar, agradeço de coração.


Resposta:
É preciso que você tenha paciência com seus pais, pois o processo de assimilação pode demorar muito tempo, até anos. Pense que se você demorou um tempo para se auto-aceitar, e ainda sente-se em conflito com o mundo, seus pais também podem não conseguir aceitar de uma hora pra outra. São muitos os que se chocam com tal descoberta, e passam por um momento de grande desgaste emocional. Eles vão precisar aprender com você o que acontece com eles, pois sentem como se estivessem perdido as projeções feitas,e são obrigados a  mudar a perspectiva ao olhar você. A grande maioria dos pais se preocupa com o preconceito social que o filho porventura possa vir a enfrentar, já que ser minoria é se sentir discriminado, muitas vezes. Outros pais negam por um bom tempo a condição do filho, como uma forma de se proteger das mudanças.

Quanto ao ambiente na escola, tenha certeza que quando você se sentir à vontade com sua orientação, seguro de si e da sua condição, os outros irão olhar para você de modo diferente. Os outros refletem o que a gente transmite.Esta raiva que você carrega, a ponto de maquinar certas maldades, mostra que ainda precisa de um tempo para se aceitar.Você projeta nos outros algo que é seu. Nota-se isso quando duvida do próprio carater.Ame-se para receber amor.Será ótimo se você procurar um suporte psicológico para essa caminhada.Existem terapias pela internet, onde talvez você se sinta mais livre para se revelar.Pense a respeito e converse com seus pais. Abraço


sábado, 3 de novembro de 2012

Nem tudo o que chamam de amor é Amor.




L.M.-Tenho 49 anos, divorciada há 9 anos. Tive um relacionamento nos últimos 3 anos, que encerrei há pouco, depois de muito suportar. Já que conheci esse homem sabia que não daria certo, mas eu tenho uma necessidade absurda de não estar só e acabei tolerando absurdos só pra dizer que eu tinha alguém. É algo que me consome essa ausência. E eu estou sozinha de novo, tentando fazer coisas que não fazia há muito como academia, massagem, idas ao teatro, ao cinema, comprei vestidinhos novos... mas nada melhora meu ânimo... eu preciso de uma paixão, de um amor pra me sentir viva... é triste, mas eu não me basto! Ao mesmo tempo vou aos lugares e nunca vejo ninguém...Estou me sentindo velha, muito velha... como se a vida já estivesse no fim para mim... e eu não vou despertar interesse de mais nenhum homem.Essa sensação de fim de vida me arrasa.Todo dia tem sido um pesadelo viver. Tenho medo até de respirar...me ajuda, por favor.


Resposta:
Se o amor que desejamos e damos, não o damos a nós também, é outra coisa, mas não amor real. Esse sentimento de abandono tem muitos nomes, como carência,  baixa auto estima, e alguns outros. Quem procura desesperadamente por um parceiro amoroso, ou tolera absurdos para manter um,  não está se amando. Um parceiro sentimental não pode ter o poder ( e nem a responsabilidade) de validar nossa existencia. 
É muito bom se apaixonar, amar e ser amado. A vida fica mais colorida, com mais qualidade.  Mas quando isso é uma necessidade vital, sem a qual a vida perde o sentido, não é saudável. Nem é amor. Quem não encontra realização em si mesmo, também não encontrará no outro.

O vazio que você descreve não será nunca ocupado  pelo homem dos sonhos, ou qualquer outra coisa ou pessoa neste mundo. O vazio é seu, e lhe traz a oportunidade de encontrar em si mesma o que lhe falta. Não se fixe no vazio, mas procure se perceber mais para interromper esse processo depressivo em que está se afundando. Sozinha ou - mais aconselhável - com a ajuda de uma análise ( para encurtar o caminho), poderá ressignificar sua falta, possibilitando uma vida mais plena e livre. Há certamente uma razão para seu desamparo - que pode ser decifrada por meio da interpretação da sua história. Abraço 
Aglair Grein-Psicanalista