quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Amargo regresso


C.- Estou me sentindo muito perdida. Estou com 34 anos, e sou formada, morava em São Paulo. Mas por causa de alguns problemas familiares, tive que retornar para a cidade do interior onde minha mãe mora com minha filha de 15 anos.
Aqui é uma cidade sem recursos, é o fim do mundo, estou acostumada com uma vida corrida e agora estou aqui sem nenhuma perspectiva, pois aqui não encontro nada voltado para minha área.Sinto que a cada dia estou me acabando estou aqui apenas 4 meses, mas parece que estou há anos.
Sou uma pessoa cheia de vida, que tenho vários projetos, sonhos, mas que aqui não vejo como realiza-los.Preciso de ajuda para aceitar esta nova condição de vida, mas a unica coisa que sei fazer é chorar e ficar irritada com todos.Me ajude a pensar.Obrigado por este espaço para me abrir e desabafar minha inquietação e desespero.

Resposta: Cara C., seu e mail indica que entrou num processo depressivo.O choro constante e a irritação podem ser sintomas de depressão.
Não mencionou a natureza dos problemas familiares que a obrigaram a mudar de cidade, mas pode ser bom investigar se aí se encontra a causa do sua desesperança. Por outro lado, a vida corrida da cidade grande talvez servisse de 'camuflagem' para alguma dor interna que agora se manifesta.
Minha recomendação é que procure ajuda profissional para falar e se ouvir até encontrar de volta a pessoa cheia de vida e projetos que é. O mundo é repleto de oportunidades para todos, mas para perceber essa evidência  precisamos estar saudáveis e abertos às possibilidades. Abraço
Aglair Grein-psicanalista

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Suicídio:quanto antes detectar, mais fácil prevenir.



No Brasil ocorrem, em média, 25 suicídios por dia. Somente em 2014 o suicídio matou mais pessoas do que a AIDS ou a guerra .Não há morte por suicídio. Há morte por depressão. Quanto antes se detectar, mais fácil prevenir.

*“Quem fala não faz” é um mito comum sobre o suicídio.
 A maioria dos suicidas dá sinais claros de que vai se matar. São praticamente anúncios. Normalmente os mais jovens são mais diretos. Eles verbalizam claramente, ou avisam pelas redes sociais, por e mail. Já os mais idosos são mais sutis. Eles se despedem distribuindo posses.

Há também os sinais indiretos, que precisam ser decodificados. Um tipo de sinal, neste caso, é começar a colocar a vida em risco, como abusar de álcool e drogas, dirigir de forma irresponsável, brincar com armas de fogos perigosas. São os chamados suicidas passivos.

 *Perguntar se a pessoa pensa em se suicidar não a induzirá ao ato? Ao contrário, falar sobre o assunto pode salvar muitas vidas. Se você ficou desconfiado diante dos sinais, pergunte a ela: 'você está pensando em se matar?' Faça então um encaminhamento desta pessoa a um profissional de saúde mental. Para o copo não transbordar, precisa esvaziar. 

*Mudanças bruscas de comportamento são as principais pistas que o suicida dá. Por exemplo, pessoas muito tímidas e, do nada, ficam muito agitadas. Também acontece uma retirada da vida social, um isolamento, ou abuso de álcool e drogas.

*Grande alteração alimentar ou de sono, sentimento de desvalor e desesperança. Pessoas que tiveram perdas recentes, como mortes, divórcio, histórico familiar de suicídio ou que tiveram diagnóstico de doença grave, fazem parte do grupo de risco.

*Nem todo suicida quer morrer, apenas quer mudar a situação. Todo suicida é ambivalente: uma hora ele quer, na outra não.  Isso explica porque muitas vezes, quando o suicida fez uso de um método letal e está à beira da morte, bate o desespero e  se arrepende.

* Um conselho importante é não ignorar qualquer sinal. Leve a sério as ameaças e tome providências para ajudar a pessoa em risco.O tratamento dos transtornos psicológicos é a primeira intervenção. Isso porque a maioria dos suicidas têm um transtorno como depressão ou outros males associados.

 [Adaptado da Web]

quinta-feira, 4 de julho de 2013

PESSOAS TÓXICAS - CUIDADO!



Muitos dos problemas de autoestima que afetam milhares de jovens e adultos nada têm a ver com doenças de carater emocional ou psicológico, (embora possam vir a se tornar um problema desse genero), mas a sua genese está nas pessoas tóxicas que permitem que interfiram e permaneçam na sua vida. Estas pessoas têm a capacidade de despertar o pior que há em nós e até de nos fazer acreditar que somos frageis, instáveis, incapazes de tomar decisões sem o seu parecer, incapazes de nos relacionar com o próximo e de sermos independentes.

Por norma, as pessoas tóxicas procuram controlar os outros através do abuso emocional. Levam os que lhes são próximos- através das críticas constantes- a crer que algo terrível lhes acontecerá se algum dia se desprenderem deles. Incapazes de fazer um elogio, dão ares de conhecer grandes segredos a respeito das outras pessoas, de saber coisas que mais ninguém sabe, tudo para os certificar que a terra para de girar se eles assim o desejarem.

Muitas pessoas adultas e talentosas vêm os seus casamentos fracassarem por causa de pais tóxicos. Muitos jovens já cometeram suicídio por causa de pais, irmãos, amizades e relacionamentos amorosos altamente tóxicos.

Conhece alguém que o tira do sério? Logo você que é bem visto no seu emprego, que é um bom cidadão, que é querido pelos amigos, alguém a quem atribuem qualidades pessoais e profissionais com alguma facilidade, mas que quando a pessoa tóxica chega perto , não só o leva a desencadear um ataque de fúria como ainda consegue sair da situação como vítima?
 Conhece alguém que não poupa de o envergonhar em público, de expor a sua intimidade, os seus segredos, as suas dificuldades, as suas trapalhadas de infância, nos momentos mais inapropriados só com a intenção de o envergonhar? E o pior é que as coisas são feitas de tal maneira que se você tentar refutar os argumentos da pessoa, seja com um sorriso forçado, seja com indignação evidente, acaba sempre por ficar mal visto.

Só há uma saída, por vezes dolorosa, sobretudo se estamos falando dos nossos próprios pais, irmãos, tios, parceiro sentimental, etc. Só há uma saída: afaste-se. Se o laço familiar não permitir um corte 100%, fale e conviva apenas o necessário e não fique com remorsos, porque, repare: se insistir num relacionamento tóxico, a loucura do outro vai acabar por enlouquecê-lo. 

Mais vale estar só e saudável do que doente ao lado de alguém. Não precisamos de mais mentes distorcidas na sociedade, nem de gente viciada em dramas. Precisamos é de sanidade mental e de pessoas capazes de conviver com o sucesso alheio, desprendidas de inveja, de competição e de outros sentimentos destrutivos.

[Texto adaptado da Web]

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Minha filha é gay. E agora ?



R.L.-Estou passando por uma fase muito difícil: minha filha de 18 anos vem me dizer que e gay! Quase morri.Disse pra ela não contar pra ninguém da família.Eu sou culpada por que  sempre falei mal dos homens, estou casada com o pai dela só por causa da situação financeira (olha que vai fazer 22 anos que estou neste casamento), nunca fui feliz com ele e acho que isto influenciou muito ela.Alem de tudo tem uma tia que é gay assumida, e quando contei pra ela que a tia era, falei que era normal (ela estava com 11 anos). Apesar do pai dela conversar com a namorada da tia dela , não aceita a opção da irmã.Acho que ficaria mais feliz se não soubesse a verdade.Fique tao magoada com ela...sera que uma fase? Se o pai dela souber nao sei o que ele pode fazer.Agora eu fuço os email dela, o face, twitter ...tudo. Estou perdida, nao consigo conversar com ninguem sobre isto. Me ajude, por favor.


Resposta:

Entendo sua surpresa e preocupação, R.L., mas se você conversar mais com sua filha ( em vez de fuçar o computador) , se aproximar de verdade, ouvi-la com amor e compreensão, ler mais sobre o assunto, talvez possa entender que a homossexualidade é bem mais que uma opção ou influência do meio.É um caminho dificil o bastante para ser encarado como uma opção.
 Enfrentar os preconceitos e caminhar de mãos dadas com sua filha é uma escolha saudável para você, apesar de- neste momento- parecer dificil.
Quero te informar que é possivel ser mãe ou pai de um(a) filho(a) gay e ser feliz.É claro que as preocupações transitam pela trajetória complicada da filha- preconceitos, discriminações, e certas pressões da sociedade. Mas até isso já está menos intenso, com a abundancia de informações sobre o assunto.
Mais importante que tudo é você se desfazer destes sentimentos de culpa, totalmente infundados. Mantenha-se inteira para poder apoiar sua filha, aceitando a pessoa que ela é, independente da sua preferencia sexual.
Talvez te ajude a leitura do livro " Mãe sempre sabe? Mitos e verdades sobre pais e seus filhos homossexuais" de Edith Modesto ( Editora Record). Abraço
 Aglair Grein-psicanalista

Murro em ponta de faca

A.M - ESTOU MTO CONFUSA COM UM AMOR,ESTOU COM UM HOMEM HA OITO ANOS E ELE ME DISSE QUE NOSSO RELACIONAMENTO NÃO PASSA DE UMA ILUSÃO.TO TRISTE, MAGOADA, PORQUE ELE HA MAIS DE UM MÊS SÓ FALA COMIGO POR CELULAR E NO FACE,NÃO QUER ME VER DE JEITO ALGUM.NÃO SEI O QUE FAZER, O QUE FALAR.. AMO POR DEMAIS ELE,NÃO TENHO FILHOS E ELE TEM.NÃO CONVIVO COM NINGUÉM DA FAMILIA DELE,É SÓ NÓS DOIS.SEMPRE O AJUDEI, MAS ALGUNS MESES ATRAS RESOLVI NÃO AJUDAR MAIS. QUERO ESQUECER, MAS NÃO CONSIGO ESTOU COM DEPRESSÃO, TOMANDO REMEDIOS FORTES ,CHORO DIA E NOITE. NÃO TENHO COM QUEM CONVERSAR E QUANDO O PROCURO ELE ME DIZ: "É SÓ ASSIM QUE IREI FAZER, FALAR CONTIGO NO CELULAR. NÃO QUERO TE VER". E ISTO ME DEIXA MUITO MAGOADA, PORQUE SEMPRE FUI HONESTA COM ELE.VC PODE ME AJUDAR?

Resposta:

Por que razão você se machuca tanto? Não percebe que está dando murro em ponta de faca ?
Ele é ele, e o que está evidente é que está também sendo muito honesto e objetivo: não quer mais o relacionamento. Olhe para si e se pergunte : por que você ainda resiste em acreditar nele ? 

Não há motivo para estar confusa, não é hora de fantasiar sobre os motivos dele, e sim aceitar que chegou ao fim. Quanto mais você o perseguir, mais ele vai correr. Alguém entra em nossa pele e nos faz desmoronar somente quando - e se - nós permitimos. Ficar triste e dolorida, sentir falta e ter saudades é uma coisa,  desmoronar é outra. 

Vá em busca de uma psicoterapia para descobrir as razões da sua dificuldade em aceitar a perda, descobrir onde você abandonou sua autoestima, os motivos porque se agarra ao sofrimento. Além disso, está mais do que na hora de ir em busca do resgate do seu amor próprio. Abraço

Aglair Grein-psicanalista

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O sentimento de desprezo



T.-Sou pedagoga,solteira,independente e tenho 33 anos.Trabalho com um professor que mexe com meu ego. Ele se aproximou jogando charme, um sorriso cativante e pouco depois me adicionou no facebook. Passamos a conversar pelo face durante algum tempo: desde julho / 2012 até meados de abril deste ano. a conversa virava a madrugada a ponto de desligarmos o computador às 3h da manhã, mas algo me chamou atenção: a quantidade de mulheres que tem no facebook  Muitas o convidam para sair, dizem que sentem saudade dele. Ele me chamou para sair no mês de abril / 2013. Saímos, conversamos e acabei esticando a noite com ele no motel. Depois desse dia,ele disse que a noite foi muito boa, mas que se arrependeu e pelo que percebeu brincou com os meus sentimentos.
 De lá pra cá, ele me despreza. Fala quando quer, não me chama mais para bater papo no face, não responde as minhas mensagens, me ignora por completo. Parece que eu fiz um mal irreparável a ele. Não consigo entender esse tipo de comportamento. Penso que, em pleno século XXI, ele não sabe lidar com uma mulher decente e que está disposta a viver um relacionamento.  O que mais me angustia é o desprezo que ele me oferece. Por que sou desprezada se não fiz nenhum mal a ele? 

Resposta:
Desprezo é um  sentimento de desvalorização e antipatia, com base na convicção da inutilidade da pessoa desprezada . É semelhante ao ódio, mas carrega junto um sentimento de superioridade. A pessoa desprezada é considerada indigna e inferior. 

Há inumeras razões que a gente pode imaginar para justificar que este homem tenha se afastado de você depois da conquista. Especialmente, pelo perfil dele, a mais provável talvez seja a que não tem nenhum interesse em assumir um relacionamento. Mas você insiste no seu e mail que ele a despreza. Preciso lhe apontar que você pode estar projetando no outro sentimentos que nutre sobre si mesma. Não percebe seu próprio valor e sente-se desprezível. Trocando em miudos: é você quem se despreza.

Com todas as evidencias de que este homem não queria nada sério, durante quase um ano você apostou na ilusão. Aprenda a lição que este episódio trouxe para sua vida e fique de olhos mais abertos na direção do que Você deseja . Lição de casa : procurar ajuda psicológica para melhorar sua autoestima Abraço
Aglair Grein-psicanalista

terça-feira, 11 de junho de 2013

Mitos e Verdades Sobre a Psicanálise



O paciente fala deitado no divã e o analista só escuta, sentado numa poltrona confortável. Clichê no cinema, a cena nem sempre é exatamente essa nos consultórios. Aqui, toda a verdade sobre o folclore que envolve essa relação tão delicada.

Todas as terapias têm a mesma meta: lidar com a angústia e com o sofrimento, ajudando o paciente a ser mais feliz e a encontrar um sentido para a vida. Mas cada modalidade busca esses objetivos a sua maneira. Em alguns casos, a pessoa vai dramatizar e reviver situações pelas quais passou; em outros, vai tentar desatar nós desbloqueando tensões físicas. Na psicanálise, a fala é o fio condutor de um processo de autoconhecimento.

Tudo começou com Freud, no início do século passado: ao receber pacientes que já tinham consultado todos os médicos de Viena, sem sucesso. Freud percebeu que o ato de falar, sendo ouvido por alguém, era terapêutico. Mais do que isso, esse discurso podia trazer à tona conflitos que estavam em outro lugar além da mente racional, a esse lugar ele deu o nome de inconsciente. "Uma parte da mente a qual não temos acesso, mas que é capaz de produzir efeitos, como neuroses, angústias e sintomas físicos", explica a psicanalista Mania Deweik, de São Paulo.

A seguir, três especialistas falam sobre os mitos que cercam o assunto, mostrando que muito do que se diz sobre a psicanálise é um exagero.

PERGUNTAS FREQUENTES:

1- O psicanalista nunca fala durante a sessão?

“Eu falo e escuto, ensino, aprendo e também me divirto com meus pacientes", diz a psicanalista Mania Deweik. Segundo ela, talvez esse mito tenha surgido quando a obra de Freud foi traduzida do alemão para o inglês. "Ele escrevia de maneira literária, inspirava-se nos poetas, na tragédia grega, e seus discípulos ingleses entenderam que era preciso dar uma forma mais científica à sua teoria. Esse pode ter sido um dos fatores que contribuíram para a ideia de neutralidade.”

Na prática, existem psicanalistas que mantêm uma atitude mais sisuda. "É uma questão de estilo pessoal. Tem quem seja mais reservado e há os que são expansivos. Mas isso não é uma regra da terapia", diz o psicanalista gaúcho David E. Zimerman.

2- Para ter resultado, é preciso fazer terapia durante muitos anos?

Na época de Freud, os tratamentos eram intensivos ( sessões diárias-exceto aos domingos) e terminavam em meses. Mas, ao longo das décadas, a psicanálise se desenvolveu como um processo que durava muitos anos. Hoje a prática não corresponde a nenhuma das duas alternativas. "A psicanálise não pode ser definida como um tratamento breve, porque exige um tempo de elaboração, e esse tempo varia de pessoa para pessoa", diz a psicanalista Dulce Barras, de São Paulo. Na sua clínica, o usual é começar com duas sessões semanais, que podem se reduzir a uma, e o tratamento dura, em média, de três a cinco anos. Segundo Mania Deweik, o tratamento pode parecer longo para quem busca resultados imediatos contra a tristeza, o medo, a ansiedade. "Mas crescer não é um processo instantâneo. E, além disso, cada paciente tem sua história e seu ritmo", diz Mania.

(É preciso esclarecer que hoje há a combinação da Psicanálise com outras técnicas mais dinâmicas e focais, como a Psicoterapia de Orientação Analítica, que reduz significativamente o tempo do tratamento.)

3- A análise é um tratamento caro?

A ideia de um tratamento elitizado, que só acontece entre quatro paredes e com um paciente pagando caro por infinitas sessões, já não corresponde à realidade. "A psicanálise está nas creches, nos postos de saúde e nas instituições de saúde mental", explica Mania Deweik . O psicanalista David Zimerman afirma que a maioria das sociedades psicanalíticas mantém serviços ambulatoriais, com preços acessíveis à população. "Além disso, é normal analista e paciente conversarem e negociar a questão do dinheiro", diz Dulce Barros.

4- O paciente fala o tempo todo do passado, da mãe e do pai?

É importante trazer do passado as situações que continuam a perturbar ou a se repetir no presente, mas isso não significa que a análise vai girar em torno disso. "O único passado que interessa é o que não foi suficientemente elaborado, isto é, entendido e aceito. Por isso, continua incomodando o paciente", explica Mania.

Segundo Zimerman, o assunto de cada sessão fica a critério do paciente. É comum que a pessoa fale sobre situações cotidianas, ligadas ao trabalho ou à família. Mas, através desses temas que fluem espontaneamente, muitas vezes é possível fazer uma conexão com situações similares que já aconteceram. "Essas associações trazem compreensão. É o que tecnicamente chamamos de 'insight'. Nesse momento, o paciente se dá conta de que está agindo de determinada maneira porque tende a reagir da mesma forma. São jeitos de se comportar ligados a traumas ou relacionamentos antigos", explica o psicanalista. Nas palavras de Dulce Barros, os fatos imediatos são uma consequência do passado. "Na análise, a pessoa percebe que existe esse processo de repetição e que isso só termina quando há uma compreensão do que aconteceu.”

5- Tudo o que a pessoa faz tem a ver com sexo?

Segundo David Zimerman, essa falsa crença tem origem no próprio Freud, que relacionava todas as angústias e sintomas a algum problema sexual. "Hoje essa visão se justifica só em certos casos. Na maioria das vezes, há outros aspectos a considerar e que são mais importantes do que as questões ligadas ao sexo", explica o psicanalista. A questão é que, para Freud, o conceito de sexualidade ia muito além do ato sexual genital, incluindo várias outras manifestações prazerosas. "Nesse contexto, o sexo não deve ser entendido como relacionamento homem-mulher, mas como todas as experimentações ligadas ao prazer", explica Dulce Barras.

6- Muitos pacientes se apaixonam pelo psicanalista?

“Pode acontecer. Mas essa ‘paixão’ tem muitos coloridos, não só o do desejo sexual. Pode ser uma transferência da imagem da mãe, da amante, da competidora... Importante é que isso seja analisado como qualquer outra fantasia", explica Mania. Para Dulce, muitas vezes esse jogo de sedução esconde apenas uma outra forma de resistência. "O paciente imagina que, se encantar o médico, vai ser menos censurado." Nessa situação, o papel do psicanalista é decisivo. "Ele vai, sim, lidar com os sentimentos do paciente, mas não pode ficar envolvido com ele", explica Zimerman.

7- O paciente não pode saber nada sobre o seu psicanalista?

Freud atendia em sua própria casa, sob o mesmo teto em que moravam os oito filhos, a mulher e a cunhada. Portanto, a ideia de total neutralidade do profissional não tem nada a ver com ele, mas com a interpretação que seus seguidores fizeram de sua teoria. "Acredito que é preciso estabelecer limites, mas existem formas de olhar para isso. Cabe ao analista definir até que ponto a curiosidade do paciente é normal e a partir de que momento isso se transformar em mais um problema a ser trabalhado", explica Zimerman. Em uma relação tão íntima, muitas vezes o paciente passa a ver seu analista como um amigo, com quem gostaria de, por exemplo, poder sair para tomar um café. "Mas é importante preservar a cumplicidade que se conquistou dentro do tratamento. Por isso, a relação não deve mudar de formato", explica Mania, Segundo ela, não há hierarquia, mas o relacionamento não é de igual para igual. "Um fala e o outro escuta, as posições que as pessoas ocupam são diferentes. Essa não é uma relação de troca entre amigos", conclui Mania.

8- É obrigatório deitar no divã?

O que define a análise não é o divã, mas a escuta do analista. Todos concordam, porém, que o divã pode facilitar. "Freud atendia até 15 pessoas por dia. Não é fácil ficar submetido ao olhar do outro durante tanto tempo, tentando, ao mesmo tempo, captar o que aquela pessoa está dizendo", diz Mania. Apesar disso, os pacientes ficam à vontade para ocupar o espaço que desejam em seu consultório. Para o psicanalista David Zimerman, a pessoa fica livre para decidir. "Mas considero uma conquista do paciente quando ele decide fazer análise deitado. Isso apenas demonstra que ele sente confiança e não tem necessidade de tentar controlar seu analista", Isso também não é obrigatório para a psicanalista Dulce Barros, mas ela admite que a terapia flui mais tranquilamente com o paciente deitado. "Quem usa o divã geralmente está relaxado e menos defensivo.”

9- O psicanalista interpreta os sonhos?

O sonho é um dos caminhos de acesso ao inconsciente e auxilia o trabalho de análise. "Mas é o paciente que traz associações relacionadas ao sonho", explica Dulce. O analista ajuda e estimula a pessoa a fazer as suas próprias interpretações. "Não se trata de um oráculo, alguém que está dizendo algo que o outro não sabe... Na prática, o analista só junta aquilo que o paciente está próximo de descobrir por si mesmo", explica Mania.

10- É muito fácil enganar o analista?

Mesmo que o paciente minta, o analista tem como conduzir bem o tratamento. Na prática, isso não chega a ser importante, já que o analista não está preocupado com a veracidade dos fatos, mas com a forma como a pessoa conta suas verdades e também suas mentiras. "Mesmo que seja falsa, a história sempre vai ter a estrutura e o jeito de ser daquela pessoa. E isso é revelador", diz Mania. Para Zimerman, é importante que o analista assinale, em algum momento, que o paciente está mentindo para si mesmo em primeiro lugar.

COMO SABER SE ESTÁ FUNCIONANDO?


Ao longo do tempo, o paciente tem condições de saber se a terapia está surtindo efeito. "Quando a pessoa consegue mudar a realidade e percebe isso, ou se as coisas começam a dar certo no dia-a-dia, é possível associar essas situações a um tratamento bem sucedido", explica a psicanalista Dulce Barros. Segundo os especialistas, é normal sentir um certo incômodo em alguns momentos e resistir às colocações do analista e, por extensão, resistir ao tratamento. Mas, se esses sentimentos persistem por um periodo longo demais, é bom refletir sobre o que está acontecendo. "Quando não há empatia entre o paciente e o analista, por exemplo, o tratamento não evolui", explica a psicanalista Dulce.

Na prática, dá para se auto-avaliar a partir de situações cotidianas: o paciente que não falava em público de jeito nenhum, pode comemorar como um grande passo o fato de enfrentar cinco minutos de exposição durante uma reunião de trabalho. "Da mesma forma, quem antes evitava conversar com qualquer autoridade, com medo de críticas, vai se sentir fortalecido quando puder, aos poucos, encarar esses contatos com mais naturalidade, sem tanta insegurança", explica Mania Deweik. Segundo ela, um dos bons efeitos da análise é fazer com que a pessoa se perceba e se questione em cada situação, buscando saber por que reage de um jeito e não de outro. 

[Silvana Tavano]

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pai X Filho



 C P.  Sou casada há 20 anos e tenho um filho de 13. Há pelo menos 2 anos a dinâmica familiar está bem complicada. Não sei se sou permissiva ou se meu estilo de educar é mais aberto do que o do meu marido, mas sinto que meu filho "joga" com o casal. Sei que no ano passado eu dei brecha para ele (filho) fazer o jogo, mas agora tenho tentado apoiar o meu marido para que o filho saiba que há regras, que os pais têm autoridade, etc.. Porém, o meu filho é muito questionador e um pouco egoísta, até porque é adolescente e filho único. E o meu marido tenta ser firme, mas muitas vezes é mais do que isso, beirando ao autoritarismo. Em resumo, a situação ficou tão ruim que o meu marido foi morar com a minha cunhada e só passa os finais de semana em casa. Só que, se por um lado a "pressão" melhorou, pois eles, de certa forma, disputavam a minha atenção, por outro lado, ficou mais pesado para mim que tenho que lidar com o meu filho praticamente sozinha no dia a dia. Agora, nem um dos dois quer morar junto e eu fico no meio tentando reaproxima-los. Sei que é um dia a dia cansativo e com brigas corriqueiras. Além disso, eu sinto que o meu marido é meio imaturo e nem sempre se posiciona como pai. Enfim, terapia familiar não rola, eles não querem fazer. Você tem alguma sugestão?

Resposta:
Já ouvi quem compare a família a uma empresa: para funcionar bem, a direção (pai e mãe) tem que definir objetivos, se reunir com frequência e tomar decisões conjuntas, partilhando as suas ideias com os restantes elementos (os filhos). Qualquer organização só consegue obter bons resultados se cada um souber o seu papel e executar as suas funções, e se todos rumarem na mesma direção. Quando os próprios dirigentes se desentendem e não chegam a acordo quanto às estratégias, o efeito pode ser desastroso. É assim numa empresa e não será muito diferente numa família.

Importante é sua consciencia da origem dos problemas. Por vezes, os pais nem têm a noção de que estão em desacordo. Procuram apoio porque acham que os filhos estão impossíveis e só depois é que percebem que o comportamento dos filhos é, em grande parte, resultado da desorganização familiar.
Se o pai e a mãe têm pontos de vista divergentes sobre a educação do filho, é importante que dialoguem e se coloquem de acordo, porque a criança compreenderá muito cedo que um dos adultos é mais 'manipulável' e passa a tirar proveito da situação. 

O mais significativo é você afirmar que terapia 'não rola'. Parece haver entre vocês três um silencioso pacto de conivência conveniente (consciente ou não )  para a separação. 
Se 'não rola' a terapia familiar, o que acha de começar por você, para que descubra como lidar com o problema? Problema muito provavelmente de raizes bem mais profundas do que a rebeldia do seu filho. Ele é apenas o sintoma. Abraço
Aglair Grein-psicanalista


quarta-feira, 15 de maio de 2013

A sordidez humana



A sordidez humana
"Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós, que ri quando o outro cai na calçada?"

Ando refletindo sobre nossa capacidade para o mal, a sordidez, a humilhação do outro. A tendência para a morte, não para a vida. Para a destruição, não para a criação. Para a mediocridade confortável, não para a audácia e o fervor que podem ser produtivos. Para a violência demente, não para a conciliação e a humanidade. E vi que isso daria livros e mais livros: se um santo filósofo disse que o ser humano é um anjo montado num porco, eu diria que o porco é desproporcionalmente grande para tal anjo.
Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós (eu não consigo fazer isso, mas nem por essa razão sou santa), que ri quando o outro cai na calçada? Quem é esse que aguarda a gafe alheia para se divertir? Ou se o outro é traído pela pessoa amada ainda aumenta o conto, exagera, e espalha isso aos quatro ventos – talvez correndo para consolar falsamente o atingido?
Ilustração Atômica Studio

O que é essa coisa em nós, que dá mais ouvidos ao comentário maligno do que ao elogio, que sofre com o sucesso alheio e corre para cortar a cabeça de qualquer um, sobretudo próximo, que se destacar um pouco que seja da mediocridade geral? Quem é essa criatura em nós que não tem partido nem conhece lealdade, que ri dos honrados, debocha dos fiéis, mente e inventa para manchar a honra de alguém que está trabalhando pelo bem? Desgostamos tanto do outro que não lhe admitimos a alegria, algum tipo de sucesso ou reconhecimento? Quantas vezes ouvimos comentários como: "Ah, sim, ele tem uma mulher carinhosa, mas eu já soube que ele continua muito galinha". Ou: "Ela conseguiu um bom emprego, deve estar saindo com o chefe ou um assessor dele". Mais ainda: "O filho deles passou de primeira no vestibular, mas parece que...". Outras pérolas: "Ela é bem bonita, mas quanto preenchimento, Botox e quanta lipo...".

Detestamos o bem do outro. O porco em nós exulta e sufoca o anjo, quando conseguimos despertar sobre alguém suspeitas e desconfianças, lançar alguma calúnia ou requentar calúnias que já estavam esquecidas: mas como pode o outro se dar bem, ver seu trabalho reconhecido, ter admiração e aplauso, quando nos refocilamos na nossa nulidade? Nada disso! Queremos provocar sangue, cheirar fezes, causar medo, queremos a fogueira.
Não todos nem sempre. Mas que em nós espreita esse monstro inimaginável e poderoso, ou simplesmente medíocre e covarde, como é a maioria de nós, ah!, espreita. Afia as unhas, palita os dentes, sacode o comprido rabo, ajeita os chifres, lustra os cascos e, quando pode, dá seu bote. Ainda que seja um comentário aparentemente simples e inócuo, uma pequena lembrança pérfida, como dizer "Ah! sim, ele é um médico brilhante, um advogado competente, um político honrado, uma empresária capaz, uma boa mulher, mas eu soube que...", e aí se lança o malcheiroso petardo.

Isso vai bem mais longe do que calúnias e maledicências. Reside e se manifesta explicitamente no assassino que se imola para matar dezenas de inocentes num templo, incluindo entre as vítimas mulheres e crianças... e se dirá que é por idealismo, pela fé, porque seu Deus quis assim, porque terá em compensação o paraíso para si e seus descendentes. É o que acontece tanto no ladrão de tênis quanto no violador de meninas, e no rapaz drogado (ou não) que, para roubar 20 reais ou um celular, mata uma jovem grávida ou um estudante mal saído da adolescência, liquida a pauladas um casal de velhinhos, invade casas e extermina famílias inteiras que dormem.

A sordidez e a morte cochilam em nós, e nem todos conseguem domesticar isso. Ninguém me diga que o criminoso agiu apenas movido pelas circunstâncias, de resto é uma boa pessoa. Ninguém me diga que o caluniador é um bom pai, um filho amoroso, um profissional honesto, e apenas exala seu mortal veneno porque busca a verdade. Ninguém me diga que somos bonzinhos, e só por acaso lançamos o tiro fatal, feito de aço ou expresso em palavras. Ele nasce desse traço de perversão e sordidez que anima o porco, violento ou covarde, e faz chorar o anjo dentro de nós.

Lya Luft 

terça-feira, 19 de março de 2013

O complexo de vítima


O complexo de vítima

Autopiedade, incapacidade fantasiosa, cárcere auto imposto, castigo, culpa, lamentação, resignação e reclamação. E tudo isso como se tivesse arrastando correntes com pesos de chumbo por onde passa. Esse é o retrato daquele que carrega em si o complexo de vítima.

Um perfil preocupante, justamente por fazer o indivíduo crer que não é capaz de ter a própria vida nas mãos.  Buscam então através das reclamações que alguém se compadeça e os ajudem a mudar a própria vida. Alguns até se compadecem e tentam, mas existem coisas que ninguém realmente pode fazer por nós. Outros tantos sentem pena, repulsa, desprezo e aversão. O que só aumenta a sensação de ser um “coitadinho” realmente.

O coitadinho busca amor, atenção e um salvador, mostrando ao mundo o quanto sofre! Por trás de sua “coitadez”, com frequência se encontra alguém que se acredita muito especial por aguentar isso tudo e que muitas vezes não sai de relacionamentos tóxicos por achar que o outro não sobreviveria sem ele.

Nesse poço de “coitadez” também encontramos muitas fantasias negativas a respeito da realidade e especialmente de si mesmo, aonde não importa a situação, a vida vai ser vista mais ou menos dentro do prisma de vitimismo. Julgando-se inferior e incapaz.

Outro problema é que sabemos que os humanos fazem muitos acordos inconscientes, e toda vítima precisa de um algoz se quiser ser vítima. Não raro, esse vai ser o perfil que os sofredores por vocação procurarão (sem saber) para se relacionar. E vejam que triste é relacionar-se com alguém por uma necessidade de desempenhar um papel, e não por amor.

E qual seria o ganho em se viver desta forma? Honestamente não vejo muitos, mas existe um que se destaca além do ganho de atenção: por piedade, os outros tendem a pegar leve com o coitadinho. Passam a mão na cabecinha dele e dizem que vai ficar tudo bem.

Olhem que dinâmica complicada: se você passa a mão na cabeça do "coitado", você acaba reforçando a crença de que ele realmente é uma vítima. Se você ignora ou retruca, ele vai se sentir desprezado e um grande coitado.

Numa psicoterapia temos que trabalhar para devolver à vítima a responsabilidade pela própria vida. Fazê-la compreender e experimentar outras formas de funcionamento que podem ser muito mais gratificantes. Ela precisa sim de um salvador, mas esse salvador não será encontrado fora, apenas dentro de si. Em termos psicológicos, é preciso resgatar toda a projeção que ela faz no mundo externo e devolvê-la ao seu domínio de direito. Só fica a mercê do mundo externo quem ainda não se deu conta das forças que possui no mundo interno. No fim das contas o algoz número 1 da vítima é ela mesma.

[Via Escuta Analitica]

sábado, 16 de março de 2013

Medo de voltar para casa


M.- Consegui sair de uma depressao que me acompanhava por 5 anos. Pra mim e dificil comentar sobre esse assunto, pois acho que ja passei por todas  as etapas possiveis com medicamentos e terapias. Tambem ja cansei do papel de vitima. Concordo com todas as suas publicacoes por experiencia propria, mas nao estou conseguindo controlar meus ataques de ansiedade causados por medos de perda.Essa situacao ja se tornou tao cansativa que nem animo e vontade de escrever sobre o assunto tenho. Sabendo disso, sei que e bem dificil pra voce poder fazer qualquer tipo de analise. Neste momento me encontro fora do Brasil ha quase 1 ano, onde vim meio que me esconder e tentar me curar.Enfim, da depressao consegui me livrar, mas .. Tenho que voltar pra minha familia, mas toda vez que penso em deixar meu companheiro que tem me ajudado muito nao consigo me livrar do panico. Um email seria pouco pra te explicar minha estoria e realmente ela ja me cansou.

                       
Resposta:
A negação da realidade é um mecanismo de defesa psicológico e pode ser encontrado em indivíduos saudáveis, mas sua presença excessiva é, via de regra, indicação de possíveis conflitos paralisantes. Uma viagem pode ser benéfica e trazer de volta o bem estar e disposição para retomar a rotina, mas no seu caso percebe-se a angústia com a perspectiva de 'voltar para casa'.

Este "cansaço", esta indisposição para falar do assunto se deve, (assim como sua mudança de país) possivelmente, a uma resistencia em mexer em feridas escondidas, um artifício para escapar da dor que você finge não existir. É como se alguém, dentro de você, mentisse para te proteger.

Que parte de você quer fugir e não responde aos tratamentos? Que parte de você continua evitando a vida e sua realidade? É preciso mais do que uma resposta breve para esclarecer a insatisfação. É preciso um corajoso mergulho interior através de uma análise para descobrir as razões inconscientes do seu medo. Abraço
Aglair Grein- psicanalista

quinta-feira, 14 de março de 2013

A delicada posição da "Outra"



( Alguém me perguntou porque a abordagem do tema aqui se dá no feminino. Estatisticamente são as mulheres que disparado mais procuram apoio, esclarecimento e orientação quando não mais suportam o peso de uma relação dessa natureza. São elas que se expõem e confessam não mais aguentar as frustrações por se sentirem sempre a segunda opção. São as mulheres também que mais constroem fantasias românticas de um futuro a dois, sem considerar a realidade.  São elas, enfim que procuram o meu consultório. )

Tornar-se amante de um homem casado é sempre uma questão delicada. Movido por diversos motivos –amor, paixão, carência, sexo, comodismo–, esse tipo de relacionamento é mais comum do que se imagina e sempre esbarra nos limites da razão. Há mulheres que se sentem à vontade no papel da "outra" e desfrutam, sem culpa, da condição.Especialistas afirmam, no entanto, que ser amante é alternar, o tempo todo, sofrimento e prazer. 

As vantagens são a constante e intensa excitação inerente ao risco da descoberta, a sensação de novidade pela escassez ou dificuldade de encontros e ausência de rotina, a falta de responsabilidade ou compromisso com problemas do parceiro ou típicos de uma relação conjugal.

As desvantagens vão desde o pouco (ou nenhum) compartilhamento de momentos agradáveis em público, a impossibilidade de planejar e realizar juntos programas prolongados como viagens e férias, não poder contar com o amado em momentos difíceis, restrições quanto aos telefonemas e, ainda, a dificuldade em lidar com o ciúme da mulher oficial. Outro fator negativo é que o envolvimento nem sempre constrói laços afetivos entre o casal. Como os encontros são limitados e geralmente quando os dois se veem acabam transando, esse tipo de relacionamento fica vinculado ao sexo.

Elas são raras, mas existem: mulheres que preferem namorar homens casados simplesmente por diversão, conscientes de sua escolha. Cobranças e compromisso não fazem parte de seu vocabulário, ao contrário de sexo por prazer. Esse comportamento sempre existiu, mas vem ganhando maior visibilidade porque as mulheres estão mais independentes e, como os homens, assumem o que querem e gostam.

 O envolvimento com homens casados também acontece porque muitas mulheres aprendem a relacionar amor e dor desde a infância, ou seja, na sua vivência com os adultos significativos das suas vidas (pais, avós) são desprezadas, ignoradas, controladas e exigidas a sempre fazer o que o outro espera delas. Com isso crescem com baixa autoestima e escolhem inconscientemente sujeitos indisponíveis, já que não se sentem merecedoras de afeto ou atenção.

Segundo as especialistas, dificilmente os homens casados que mantêm relacionamentos extraconjugais se separam. O motivo? Apesar de a vida sexual com a oficial estar desgastada ou inexistente, muitos homens valorizam suas famílias e amam suas mulheres e seus filhos. Para os homens, o sexo é apenas uma parte do amor, o amor erótico. O casamento pode se sustentar com o amor de amizade, companheirismo, um projeto de vida comum etc.

Parece ironia, mas quando um homem decide se separar da "matriz", raramente assume a "filial". A "outra", muitas vezes, representa para o indivíduo a sensação de liberdade e, ao se separar, o homem prefere viver experiências novas e diversificadas, sem o compromisso de estar vinculado a ninguém. Em algumas poucas ocasiões, só quando é um amor grande e verdadeiro eles ficam com a amante. No entanto, vários homens arrumam uma relação extraconjugal para amenizar os problemas de seu casamento ou até para esquentá-lo. E aí, quando se separam, a amante deixa de ter uma função. Ele não precisa mais dela.


sábado, 9 de março de 2013

A Psicoterapia de Orientação Analítica


A Psicoterapia de Orientação Analítica

Está incluída nas psicoterapias de insight (compreensão interna) e utiliza como referencial teórico a Psicanálise, por isso também é chamada de Psicoterapia Psicanalítica. Parte, portanto, de certas premissas básicas, como a existência de um sofrimento psíquico, de natureza consciente, que pode ter sido desencadeado por fatores externos atuais, mas que está intimamente relacionado a conflitos (emocionais) internos, estes eminentemente inconscientes, vinculados, por sua vez, a padrões estruturais da personalidade.

O processo terapêutico se baseia em dois pontos principais:

1. Na livre associação, quer dizer, o indivíduo em tratamento psicoterápico de orientação analítica deve ser capaz de comunicar todos os pensamentos e sentimentos que surgem durante a sessão terapêutica (freqüentemente de uma, duas, a três vezes por semana), o que vai permitir que o terapeuta compreenda os diversos significados conscientes e inconscientes dos mesmos.

2. Na capacidade do indivíduo de estabelecer novas compreensões emocionais internas de si mesmo e dos fatos e pessoas que o cercam, modificando, conseqüentemente, um ou mais padrões de comportamento. Como o objetivo é a aquisição, por parte do indivíduo, de compreensões emocionais (insight) e não apenas entendimentos intelectualizados de seus conflitos inconscientes e sua estrutura de personalidade, o processo terapêutico é geralmente mais longo e o resultado é permanente.

Desta forma, a Psicoterapia Psicanalítica está principalmente indicada em situações caracterizadas por inibições de certas capacidades que afetem o desempenho em uma ou mais esferas da vida do indivíduo, tais como profissional, amorosa, relacional, e cujos sintomas gerem desconforto psíquico em graus variados.

Também está indicada - como terapia exclusiva ou associada a outras formas de tratamento (psicofarmacológico, por exemplo) - em diversos quadros clínicos, tais como transtornos ansiosos, dissociativos e conversivos, de adaptação, de aprendizado (em crianças) e  transtornos depressivos e de ansiedade. Pode também ser utilizada na abordagem terapêutica de alguns transtornos de personalidade.

Fonte: Escuta Analítica


sexta-feira, 8 de março de 2013

Antidepressivos sem terapia não têm efeito





Os médicos precisam reconsiderar a forma como estão prescrevendo antidepressivos.Os estudos mais recentes vêm mostrando que os antidepressivos restauram a capacidade de determinadas áreas do cérebro a fim de contornar rotas neurais cujo funcionamento não está normal.

Mas essa mudança no "hardware" do cérebro só trará benefícios se houver uma mudança no "software" - na mente do paciente - algo que não é suprido pelos antidepressivos, só podendo ser alcançado mediante a psicoterapia ou terapias de reabilitação.

O alerta contundente está sendo feito pelo renomado neurocientista Eero Castrén, da Universidade de Helsinque (Finlândia).Trata-se de uma posição surpreendentemente franca, principalmente vinda de um neurocientista respeitado mundialmente.

Afinal, milhões de pessoas em todo o mundo tomam antidepressivos seguindo receitas de seus médicos, e as empresas farmacêuticas têm faturado bilhões de dólares vendendo essas drogas.Será então que um sistema tão amplamente aceito poderia estar totalmente errado?É exatamente isso que mostram estudos recentes na área.

Pesquisas em modelos animais demonstram que os antidepressivos não são uma cura por si sós.Em vez disso, o seu papel é o de restaurar a plasticidade no cérebro adulto.
Os antidepressivos reabrem uma janela da plasticidade cerebral, que permite a formação e a adaptação de conexões cerebrais através de atividades específicas e observações do próprio paciente, de forma semelhante a uma criança cujo cérebro se desenvolve em resposta a estímulos ambientais.

Quando a plasticidade cerebral é reaberta, problemas causados por "falsas conexões" no cérebro podem ser tratadas - por exemplo, fobias, ansiedade, depressão etc.A equipe do Dr. Castrén mostrou que os antidepressivos sozinhos não surtem efeitos para esses problemas, enquanto a psicoterapia sozinha obtém resultados de curta duração. Quando antidepressivos e psicoterapia são combinados, por outro lado, obtém-se resultados de longa duração.

"Simplesmente tomar antidepressivos não é o bastante. Nós precisamos também mostrar ao cérebro quais são as conexões desejadas," disse o pesquisador.
A necessidade de terapia e tratamento medicamentoso também pode explicar porque os antidepressivos às vezes não têm efeito. Se o ambiente e a situação do paciente permanecerem inalterados, a droga não tem capacidade para induzir mudanças no cérebro, e o paciente não se sente melhor.

O estudo de Castrén chamou a atenção das autoridades de saúde europeias, que lhe derem um financiamento de €2,5 milhões para detalhar suas descobertas.

Fonte Mente e Cérebro
http://diariodasaude.com.br/news.php?article=antidepressivos-sem-terapia-nao-tem-efeito&id=8605

sexta-feira, 1 de março de 2013

Abuso Sexual Infantil



Abuso Sexual Infantil 

Muitos pensam que abuso sexual infantil é ter uma relação sexual completa com uma criança, mas a definição é muito mais ampla. Podemos caracterizar como abuso : tocar a boca, genitais, bumbum, seios ou outras partes íntimas de uma criança com objetivo de satisfação dos desejos; forçar ou encorajar a criança a tocar um adulto de modo a satisfazer o desejo sexual. Fazer ou tentar fazer a criança se envolver em ato sexual. Forçar ou encorajar a criança a se envolver em atividades sexuais com outras crianças ou adultos. Expor a criança a ato sexual ou exibições com o propósito de estimulação ou gratificação sexual. Usar a criança em apresentação sexual como fotografia, brincadeira, filmagem ou dança, não importa se o material seja obsceno ou não.

O número de crianças e adolescentes abusados sexualmente no Brasil é cada vez maior, mas só uma minoria apresenta queixa. Isso se dá devido ao grande trauma psicológico acarretado e também porque muitas vezes o abusador mantém algum grau de parentesco com a vítima, quando não é o próprio pai ou padrasto, o que gera medo de retaliação. 

Os principais sinais que a criança pode mostrar e podem ser observados pelos pais, professores ou outro cuidador da criança são:

*Mudanças no comportamento como perda do apetite, pesadelos, medo de dormir, se afastar das atividades rotineiras. *Afastamento dos amigos. *Voltar a fazer xixi na cama. *Chupar o dedo. *Dificuldade de concentração na escola. *Medo de alguma pessoa, ou pânico de ser deixada em algum lugar ou com alguém. *Comportamento agressivo ou perturbador, delinquência, fuga de casa ou prostituição.*Comportamentos autoagressivos.*Irritação genital ou sangramento, inchaço, dor, coceira, cortes ou arranhões na área genital, vaginal ou anal.

Qual deve ser a postura dos pais? 

Em primeiro lugar, não entrar em pânico. Muitas vezes, os pais já até tinham algum “pressentimento” sobre determinada pessoa, mas não deram a devida atenção à sua percepção. A criança pode ter medo de contar aos pais ou familiares, pois muitas vezes o abusador faz ameaças a ela ou aos seus entes queridos. Se a criança conseguir contar aos pais, atenção! Acreditem, dificilmente uma criança inventa histórias dessa natureza. Conforte a criança. Explique que não foi culpa dela. A culpa é do abusador e ele fez algo muito errado. Deixe a criança saber que você sente pelo que aconteceu. Fale a ela que você vai fazer de tudo para que isso não aconteça novamente. Leve a criança e a família para um aconselhamento ou terapia.

Quais as principais sequelas do abuso sexual infantil:

*Confusão – A criança pode achar que é normal porque o abusador disse que é, mas é confuso por que ele também falou para não contar para ninguém.

*Culpa – Por não ter feito nada para parar o abuso; porque pode ter sentido alguma sensação boa; por ter recebido algo especial por fazer aquilo; porque acha que fez algo para que o abuso acontecesse; porque acha que é tão má que mereceu o abuso.

*Medo – De ter sofrido um dano físico irreparável; de ser descoberto pelos outros; de que os outros, ao olhar para ela saberão que foi abusada por ser má.

*Raiva – Do abusador; de si mesma, por não parar o abuso, ou por ter gostado; do pai/mãe que não a protegeu de ser abusada; pode parecer uma criança passiva e submissa, mas está explodindo por dentro; pode descarregar sua raiva maltratando animais ou crianças menores

*Perda da confiança – Nos pais; nos adultos.

Se isso aconteceu com alguma criança que você conhece, busque ajuda especializada. Leigos no assunto com frequência machucam mais do que ajudam.

Fonte: Cláudia Bruscagin

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sadomasoquismo


SADOMASOQUISMO: ENTENDA A PRÁTICA ABORDADA POR '50 TONS DE CINZA'

O sadomasoquismo representa o casal, composto por um sádico, que gosta de provocar sofrimento; e um masoquista, que desfruta do prazer de sentir a dor. Um masoquista não vive sem um sádico e vice-versa.

Este tipo de comportamento sexual veio à tona com a chegada ao Brasil do livro Cinquenta Tons de Cinza da autora inglesa Erika Leonard James. Com base em sua própria experiência profissional a sexóloga Carla Cecarello afirma que é uma parcela pequena da sociedade que se encanta com chicotes, tapas e velas – um número inversamente proporcional aos milhões de interessados no livro e neste tipo de história. Ao fenômeno de vendas, ela atribui o aspecto comportamental que está por trás da agressividade na cama.

A sexóloga explica que o sadomasoquismo existe em diferentes graus, e pode estar presente mesmo sem todo o estereótipo que cerca a prática. “Às vezes o casal não é sadomasoquista na cama, mas, na atitude, como aquele homem que só pensa nele, não quer fazer uma preliminar, quer ser o dominante. Eu creio que este tipo de enredo encanta muito porque existe um grau de sadismo em muitas relações”, observa.

Apesar de o tema estar mais em foco nos dias atuais, Carla afirma que as relações sadomasoquistas sempre existiram, partindo do princípio do “dominar” e do “ser dominado”. Até nas fantasias sexuais a relação de poder e submissão se faz presente – as mulheres vestidas de empregadas; os homens, vestidos com fardas configuram uma relação de poder e submissão. “Acho que na verdade este comportamento não é muito aceitável pelas pessoas, mas eu diria que muito mais gente do que podemos imaginar faz isso na cama”, aponta Carla.

Mais do que chicotes, algemas e roupas de couro, o sadomasoquismo reflete essa necessidade de se impor em uma relação ou o contrário, a valorização em sofrer para agradar o outro. A especialista explica que o comportamento sádico ou o masoquista não depende de fatores genéticos, mas é resultado de uma influência muito grande do ambiente familiar e social que essa a pessoa vive nos primeiros anos de vida. Pais agressivos, que praticam violência entre si ou contra a criança, chantagistas ou vingativos podem reforçar este traço. “Este ambiente familiar provoca na criança sentimentos de negativismo e desilusão. Tudo é muito facilitado até os seis anos de idade, que é quando definimos nossa sexualidade”, explica. 

Na vida fora da cama, os adeptos ao sadomasoquismo também demonstram traços que se traduzem em forma de agressividade na hora do sexo. “O sádico geralmente é uma pessoa mais egoísta, que busca somente os próprios interesses, não consegue trabalhar em conjunto nem dividir. Por outro lado, o masoquista não se impõe, todo mundo passa por cima, não tem voz ativa”, analisa.

Oswaldo explica que não existe violência dentro de uma relação deste tipo, mas a busca de diferentes formas de prazer associadas à dor e humilhação, desde a dominação e submissão, até as ações com dores ou punições físicas. Ele acrescenta que, nas últimas décadas, os praticantes têm preferido usar a sigla BDSM (Bondagismo, Dominação, Sadismo e Masoquismo), justamente para fugir do estereótipo da situação onde um bate e o outro apanha. O especialista ressalta também que o sadomasoquismo não se enquadra em uma psicopatologia. “Não necessariamente existe a agressividade fora da cama, pois ambos se adequam socialmente, reservando para a privacidade os jogos que lhes dão prazer”, afirma.

Andar com salto agulha em cima do corpo do parceiro, provocar queimaduras, amarrar, vendar os olhos, e até mesmo argolas para amarrar os mamilos, o pênis ou o clitóris e puxar. Essas são algumas das práticas que os casais sadomasoquistas gostam de fazer na cama. Entre os objetos preferidos estão roupas de couro bem coladas, pois definem o corpo, tachas pontiagudas, algemas, bandagens, vela, chinelos, cordas, cadeados, fitas adesivas, chicotes, roupas de couro e de metal. Carla conta que existe até quem é adepto da asfixia sexual, ou seja, quando o parceiro chega ao orgasmo, o outro o sufoca com um saco para sentir prazer com o sofrimento alheio.

Com tanta “violência” na cama, fica difícil acreditar que este casal consiga afastar a agressividade do convívio diário. No entanto, Carla explica que eles só entrarão em conflito quando não há concordância entre as práticas. “Se um dos dois não está gostando muito do que está vivenciando na cama, eles vão acabar brigando em algum momento. Mas se ambos gostam da agressividade, dificilmente ela vai para a vida fora do sexo, pois se é gostoso e bom, está tudo certo”, explica. 

A busca de limites também é feita em dupla e, conforme explica Oswaldo, cada casal cria suas próprias regras. O único entrave é quando um não dos dois não é adepto das preferências. “Se uma prática não é a preferida, não será usada no relacionamento, pois seria uma violência contra o outro, e isto está fora das possibilidades eróticas”, pontua.
Quando o sádico encontra o masoquista, as chances de o relacionamento sexual dar certo são grandes. “Se o casal está bem com isso, não existem problemas. Pode parecer estranho para quem está de fora, mas cada um sabe o seu próprio limite. É um relacionamento como qualquer outro, só que não tem nem frutinhas, nem rosinhas, só algemas e chicotes", finaliza a sexóloga.

Fonte: Danielle Barg

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A Síndrome da Insatisfação Crônica




W.-Tenho 21 anos, moro em Sp e muitas vezes acho que não me encaixo nessa sociedade, não sei se é necessidade de estar livre, mas as coisas que a sociedade impõe não são do meu agrado. Todos acham que uma faculdade é essencial,talvez seja, mas não tenho essa necessidade e acho que se fizer vou fazer frustada. Já passei em uma faculdade publica e um curso técnico em épocas diferentes e optei por não fazer. Trabalho em um escritório, ganho bem para minha idade, mas não gosto do que faço e penso constantemente em me demitir.  Meus empregos duram pouco sempre por isso. Não tenho grandes necessidade com coisas materiais. As pessoas geralmente dizem que queriam ter as oportunidades que tenho, de cursos, empregos, família etc. Como disse não sei se isso é necessidade de ser livre.. Já pensei em virar mochileira mas tenho medo de não conseguir me sustentar diariamente e acabar ' perdida'. Não sei o que faço se continuo nessa insatisfação, mas com uma vida segura, ou se me arrisco em coisas que gosto com a incerteza de amanhã.

Resposta:
A Síndrome da Insatisfação Crônica acomete mais pessoas do que podemos imaginar. A síndrome da insatisfação nos dá uma sensação de que nada na nossa vida se encaixa, que podemos ter muito mais que temos vivenciado naquele momento. Nada é suficiente, nada basta. O amor nunca é tão intenso e verdadeiro como deveria, a profissão nunca satisfaz como deveria, os amigos nunca são tão presentes como deveriam,  a família não nos entende, o sistema está contra nós, etc. Remamos contra a maré e nos perdemos, nos exaurimos em insatisfação.

Como poderemos estar bem com o outro, com o trabalho, com o sistema, com a família se não estamos bem com nós mesmos? Como cobrar do mundo uma resposta para a qual não temos a pergunta ? "Eu estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo", disse sabiamente John Lennon.

Não precisamos colocar uma mochila nas costas, atravessar oceanos e desertos em busca de.. de que? Buscamos, no final das contas,  por nós mesmos. É dentro de nós que moram as respostas que trarão a direção e o sentido de viver. É preciso que volte-se  para si e procure entender a sua alma. Sozinha ou com a ajuda de uma terapia. Depois de se descobrir e se compreender, encontrará coragem para escolher e aceitar um caminho. E sua viagem pelo mundo será muito mais enriquecedora e prazerosa - se até lá ainda entender que quer fazê-la - porque então será uma escolha e não uma fuga. Abraço
Aglair Grein-Psicanalista

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático


O transtorno de estresse pós-traumático acontece quando se vivencia um trauma emocional de grande magnitude. Esses traumas incluem guerras, catástrofes naturais, agressão física, estupro e sérios acidentes. Geralmente as situações estão relacionadas a uma ameaça real ou possível à sua vida ou integridade física e mental e engloba as seguintes características:

*Reviver o trauma através de sonhos e de pensamentos; 
*Esquiva e isolamento social: a pessoa foge de situações, contatos e atividades que possam reavivar as lembranças dolorosas do trauma;
*Hiperexcitabilidade psíquica e psicomotora: taquicardia, sudorese, tonturas, dor de cabeça, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, hipervigilância. 

A pessoa tem recordações com muita aflição, incluindo imagens ou pensamentos do trauma vivenciado. Sonhos amedrontadores também podem ocorrer e o indivíduo pode agir ou sentir como se o evento traumático estivesse ocorrendo novamente. Um grande sofrimento psicológico se desenvolve quando surgem lembranças de algum aspecto do trauma. Há uma intensa necessidade de se evitar sentimentos, pensamentos, conversas, pessoas ou lugares que ativem recordações do trauma. Também pode ocorrer uma incapacidade de se recordar algum aspecto importante do trauma, uma dificuldade em conciliar e manter o sono, irritabilidade ou surtos de raiva e baixa concentração. 

O transtorno de estresse pós-traumático pode se desenvolver algum tempo após o trauma. O intervalo pode ser breve como uma semana, ou longo como trinta anos. Os sintomas podem variar ao longo do tempo e se intensificar durante períodos de estresse. As crianças e os idosos têm mais possibilidade de desenvolver estresse pós-traumático do que as pessoas na meia idade.

A pessoa deve procurar um profissional da área psicológica que irá abordar o evento com técnicas de apoio e encorajamento. A medicação algumas vezes se faz necessária para um alívio inicial e uma melhor abordagem do quadro. Um acompanhamento psicoterápico é muito indicado, tanto para o paciente como- em alguns casos- para a família do paciente.

Fonte: Dra. Alice Sibile Koch

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O sofá do passado





S.- Tenho 46 anos um filho de 20 e estou no segundo casamento. Fui casada 20 anos e precisei ter muita força para enfrentar minha separação e mais ainda para casar novamente. Quando eu era jovem, era uma pessoa sagaz, atirada e me destacava. Tinha espírito combatente e isto me possibilitou muito cedo conquistar empregos em empresas cobiçadas.  Acabei casando cedo, acho até que tinha baixa auto-estima  achava que não era merecedora de um marido que me amasse de verdade e me respeitasse. Eu me "contentava" com minha vida instável, cheia de altos e baixos e me dediquei fortemente à criação de meu filho e a fazer aquele relacionamento durar. Até que não aguentei, pois os problemas foram piorando (bebidas, traições) e me separei.

Neste ínterim sufoquei o meu potencial para o trabalho. Não fiz faculdade . Voltei para o mercado de trabalho aos 39 anos.  Já tentei várias áreas, mas não me encontrei. Diante de tantas tentativas, sinto que me perdi. Hoje eu trabalho como corretora de imóveis mas vivo pensando em outras possibilidades. Sinto muita falta de realização. Quando olho para o passado, quando era jovem e apaixonada pela vida, meu maior desejo era ter feito Psicologia. Hoje, com uma visão mais crítica, embora eu goste desta área, não sei se valeria à pena.

Resposta:
O que você fez daquele espírito combativo do passado? Da paixão pela vida ? Sua essência não mudou, o que acontece é que você  deixou-se levar pelas circunstâncias, dedicou-se ao filho e aos maridos, e abriu mão de uma parte de si mesma. E foi o que poderia ter feito com os recursos que tinha na época. Mas nunca é tarde para realizar sonhos, desde que os medos sejam enfrentados e o passado não seja um sofá onde descansamos e justificamos nossa estagnação. O passado deve servir de trampolim para as novas conquistas.

Assisto diariamente na clínica muitas pessoas alcançarem a realização pessoal e profissional nesta fase da vida, com recomeços corajosos. O que elas fazem de especial ? Fazem  uma leitura diferente do passado, sem auto comiseração, sem vitimização, mas conscientes de que se foram capazes de superar obstáculos imensos, serão capazes de retomar as rédeas da própria vida em qualquer etapa. A vida é feita de recomeços e nem sempre um final é o fim.
Se sentir que necessita de ajuda profissional numa terapia, não hesite. Nem sempre somos capazes de resolver nossas questões sem ajuda. Use a coragem que está aí, em algum lugar esquecida dentro de você, e vá ao encontro de si mesma. Abraço
Aglair Grein-Psicanalista

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Como saber se o ciúme é normal ou doentio?





De modo geral, o ciúme é uma emoção comum. De tempos em tempos somos levados a experimentar esse sentimento no campo do que poderíamos chamar "normal". E por ser uma emoção comum, se torna difícil, em muitos casos, distinguir entre o normal e o patológico. Existem quatro tipos de ciumentos: o zeloso, o enciumado, o ciumento e o delirante, capaz de matar caso se sinta traído.

Em questões de ciúme, a linha divisória entre imaginação, fantasia, crença e certeza freqüentemente se torna vaga e imprecisa. No ciúme as dúvidas podem se transformar em idéias supervalorizadas ou francamente delirantes.

Depois das idéias de ciúme, o ciumento é compelido à verificação compulsória de suas dúvidas.  Verifica se a pessoa está onde e com quem disse que estaria, abre correspondências, ouve telefonemas, examina bolsos, bolsas, carteiras, recibos, roupas íntimas, segue o companheiro, contrata detetives particulares. Toda essa tentativa de aliviar sentimentos, além de reconhecidamente ridícula até pelo próprio ciumento, não ameniza o mal estar da dúvida.

Os ciumentos estão em constante busca de evidências e confissões que confirmem suas suspeitas mas, ainda que confirmada pelo companheiro, essa inquisição permanente traz mais dúvidas ainda ao invés de paz. Depois da capitulação, a confissão do companheiro nunca é suficientemente detalhada ou fidedigna e tudo volta à torturante inquisição anterior.

 Como saber se o ciúme é normal ou doentio? O ciúme normal e transitório é baseado em fatos. O maior desejo seria preservar o relacionamento. No ciúme patológico há geralmente o desejo inconsciente da ameaça de um rival. Para algumas pessoas o ciúme é visto como zelo, sinal de amor ou valorização do parceiro; para outros é uma prova de insegurança e baixa auto-estima. Em ambos os casos existe uma gama de sofrimento para ambos os lados envolvidos. 

 Quando se trata do ciúme patológico é necessária uma intervenção profissional, porque além do sofrimento imposto a ambas as partes, existem muitos casos de mortes e tragédias familiares que apresentam como pano de fundo esta enfermidade.

Quanto mais intenso e menos controlável, maior o problema. Quanto maior a intensidade desse sentimento, mais estaremos ultrapassando os limites da normalidade, para, aos poucos, podermos ser devorados por uma obsessão capaz de destruir qualquer relacionamento.

Fonte Psiqweb

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vampiros Energéticos



Vampiros Energéticos: 10 formas de identificar o sugador

Todos nós os conhecemos! Sabemos como são! Como se vestem! E como agem! E seus propósitos: sugar o sangue de suas vítimas, pois só assim eles sobrevivem. De quem estamos falando? É
 claro que dos "Vampiros dos filmes", o Conde Drácula e seus amigos, seres errantes de capa preta e grandes dentes, ávidos por sangue (ou energia vital), e que andam pelas sombras em busca de suas vítimas que, na maioria das vezes, não percebem sua presença ou atuação maléfica, mesmo que estejam muito próximos. Aí, o filme termina e os vampiros desaparecem, certo? Errado!

Existe um tipo de vampiro que é de carne e osso, e com quem convivemos diariamente. Estamos falando dos "Vampiros de Energia”, pessoas de nosso relacionamento diário. Pode ser nosso irmão (a), marido/esposa, empregado, familiar, amigo de trabalho. vizinhos, gerente do banco, ou seja qualquer pessoa de nosso convívio, que esta roubando nossas energias, para se abastecer. Eles roubam energia vital, comum no universo, mas que eles não conseguem receber.

Mas, por que estas pessoas sugam nossa energia, afinal? Bem, em primeiro lugar a maioria dos Vampiros de Energia atuam inconscientemente, sugando a energia de suas vítimas, sem saber o que estão fazendo.

O vampirismo ocorre porque as pessoas não conseguem absorver as energias das fontes naturais, tão abundantes, e ficam desequilibradas energeticamente. Quando as pessoas bloqueiam o recebimento destas energias naturais (ou vitais), elas precisam encontrar outras fontes de energia mais próxima, que nada mais são do que as outras pessoas, ou seja, você.

Na verdade, quase todos nós, num momento ou outro de nossas vidas, quando nos encontramos em um estado de desequilíbrio, acabamos nos tornando vampiros de energia alheia.

Tipos de vampiros:

Mas, como identificar estas pessoas, ou estes vampiros? Em estudos feitos, foram identificados os seguintes tipos de vampiros (você provavelmente conhece mais de um):

Quais as principais características deles? Como combatê-los?

a) Vampiro Cobrador: Cobra sempre, de tudo e todos. Quando nos encontramos com ele, já vem cobrando o porque não lhe telefonamos ou visitamos. Se você vestir a carapuça e se sentir culpado, estará abrindo as portas. O melhor a fazer é usar de sua própria arma, ou seja, cobrar de volta e perguntar porque ele não liga ou aparece. Deixe-o confuso, não o deixe retrucar e se retire rapidamente.

b) Vampiro Crítico: é aquele que critica a tudo e a todos, e o pior que é só critica negativa e destrutiva. Vê a vida somente pelo lado sombrio. A maledicência tende a criar na vítima um estado de alma escuro e pesado e abrirá seu sistema para que a energia seja sugada. Diga "não" às suas críticas. Nunca concorde com ele. A vida não é tão negra assim. Não entre nesta vibração. O melhor é cair fora e cortar até todo o tipo de contato.

c) Vampiro Adulador: é o famoso "puxa-saco". Adula o ego da vítima, cobrindo-a de lisonjas e elogios falsos, tentando seduzir pela adulação. Muito cuidado para não dar ouvidos ao adulador, pois ele simplesmente espera que o orgulho da vítima abra as portas da aura para sugar a energia.

d) Vampiro Reclamador: é aquele tipo que reclama de tudo, de todos, da vida do governo, do tempo, etc. Opõe-se a tudo, exige, reivindica, protesta sem parar. E o mais engraçado é que nem sempre dispõe de argumentos sólidos e válidos para justificar seus protestos. Melhor tática é deixá-lo falando sozinho.

e) Vampiro Inquiridor: sua língua é uma metralhadora. Dispara perguntas sobre tudo, e não dá tempo para que a vítima responda, pois já dispara mais uma rajada de perguntas. Na verdade, ele não quer respostas e, sim, apenas desestabilizar o equilíbrio mental da vítima, perturbando seu fluxo normal de pensamentos. Para sair de suas garras, não ocupe sua mente à procura de respostas. Para cortar seu ataque, reaja fazendo-lhe uma pergunta bem pessoal e contundente, e procure se afastar assim que possível.

f) Vampiro Lamentoso: são os lamentadores profissionais, que anos a fio choram sua desgraças. Para sugar a energia da vítima, ataca pelo lado emocional e afetivo. Chora, lamenta-se e faz de tudo para despertar pena. È sempre o coitado, a vítima. Só há um jeito de tratar com este tipo de vampiro, é cortando suas asas. Corte suas lamentações dizendo que não gosta de queixas, ainda mais que não elas não resolvem situação alguma.

g) Vampiro Pegajoso: investe contra as portas da sensualidade e sexualidade da vítima. Aproxima-se como se quisesse lambê-la com os olhos, com as mãos, com a língua. Parece um polvo querendo envolver a pessoa com seus tentáculos. Se você não escapar rápido, ele irá sugar sua energia em qualquer uma das possibilidades. Seja conseguindo seduzi-lo com seu jogo pegajoso, seja provocando náuseas e repulsa. Em ambos os casos você estará desestabilizado, e, portanto, vulnerável. Saia o mais rápido possível. Invente uma desculpa e fuja rapidamente.

h) Vampiro Grilo-Falante: a porta de entrada que ele quer arrombar é o seu ouvido. Fala, absoluto, durante horas, enquanto mantém a atenção da vítima ocupada, suga sua energia vital. Para livrar-se, invente uma desculpa, levante-se e vá embora.

i) Vampiro Hipocondríaco: cada dia aparece com uma doença nova. Adora colecionar bula de remédios. Desse jeito chama a atenção dos outros, despertando preocupação e cuidados. Enquanto descreve os pormenores de seus males e conta seus infindáveis sofrimentos, rouba a energia do ouvinte, que depois sente-se péssimo.

j) Vampiro Encrenqueiro: para ele, o mundo é um campo de batalha onde as coisas só são resolvidas na base do tapa. Quer que a vítima compre a sua briga, provocando nela um estado raivoso, irado e agressivo. Esse é um dos métodos mais eficientes para desestabilizar a vítima e roubar-lhe a energia. Não dê campo para agressividade, procure manter a calma e corte laços com este vampiro.

Bem, agora que você já conhece como agem os Vampiros de Energia, vá a caça deles, ou melhor, saia fora deles o mais rápido possível. Mas, não esqueça de verificar se você, sem querer, é obvio, não é um destes tipos de Vampiro.


[Por Vera Caballero]

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Alcoolismo




O Alcoolismo

*Qual a principal razão para que as pessoas comecem a beber ?
Resposta: A bebida existe desde os primórdios da humanidade, quando foram descobertos seus efeitos relaxantes e de euforia. Então na maioria das sociedades ela é legalizada e seu consumo é até estimulado, o que leva com que as pessoas a utilizem  para celebrar datas comemorativas e conquistas, para se sentirem mais relaxados e também para aplacarem angústias e medos.

*A bebida afeta um jovem da mesma forma que afeta a um adulto?
Resposta: Não. Pois o jovem ainda está em formação tanto física quanto psiquicamente e isso faz com que a probabilidade dele se tornar dependente de álcool ou de qualquer outra droga seja bem maior.
No jovem ela é ainda mais nociva e devastadora, já que o leva a comportamentos de alto risco: como dirigir embriagado, se expor a situações de violências, entre outros.  Nessa fase de vida é muito comum que  busquem novas experiências e o consumo de substâncias tóxicas é uma delas. E um dado bastante preocupante, é que hoje em dia cada vez mais cedo os jovens começam a beber, algumas vezes até  influenciado por familiares.

*Quando alguém percebe que se tornou um alcoólatra?
Resposta: Geralmente não percebe. Quem percebe e às vezes até demora, são os familiares, que são afetados pelo vício do alcoólatra. E é importante quando perceberem fazerem todo o possível para conscientizar e levar o parente alcoólatra para tratamento, pois sozinho provavelmente ele não irá.

*Por quê?
Resposta: Porque ele não reconhece que se viciou, acredita na grande maioria das vezes que tem o controle, que pode parar de beber quando quiser. Existe aqui uma negação da realidade. Muitas vezes o que é óbvio para os outros não é para quem sofre do vício.

*O que a bebida significa para o alcoólatra? 
Resposta: A bebida significa para cada um algo diferente, mas geralmente quando alguém resolve beber, pode ser para relaxar, se divertir, ficar mais solto, acompanhar os amigos na balada ou pra anestesiar algumas emoções, como medos e angústias. E como se sentem mais desinibidos e menos ansiosos (momentaneamente) quando ingerem a bebida, tendem a repetir essa situação. E numa situação de vício, a pessoa não consegue mais dar conta das suas atividades cotidianas sem a ingestão do álcool, pois acredita que precisa dele. Na verdade o vício é tanto físico quanto psíquico.

*O que pode causar uma ressaca moral?
Resposta: A bebida afeta  todo o organismo e por trazer uma sensação de excitação,  ela faz com que as pessoas se sintam desinibidas para fazer atos que não fariam se estivessem mais conscientes.
A ressaca moral vem no dia seguinte quando o bebedor acorda e descobre o que fez. Digo descobre, porque às vezes ele nem lembra, são os outros que contam, e essa descoberta vem acompanhada de sentimentos de vergonha e de arrependimento, a famosa “ressaca moral”. 

*Que órgãos são afetados no alcoólatra?
Resposta: Praticamente todo o corpo, pois o álcool muito rapidamente entra na corrente sanguínea que percorre todo o organismo. Isso significa que o alcoólatra pode ter dores de cabeça, doença no fígado e também tem  outras que são tão nefastas quanto, ou até piores, como confusão mental, que leva á desestrutura familiar, desestrutura no trabalho. Enfim, consequências que geram muito sofrimento, principalmente para a família.

*Porque algumas pessoas podem beber esporadicamente e outras se tornam alcoólatras?
Resposta: Por ser a bebida no Brasil e na maioria dos países uma substância legalizada, ela é até cultuada, glamourizada  e seu consumo é estimulado.  Então as pessoas bebem para comemorar datas e conquistas. Mas quando atendemos pacientes que sofrem de alcoolismo, descobrimos que algo já não estava bem antes da ingestão do álcool. Essas pessoas já tinham muitos problemas psicológicos e ás vezes até psiquiátricos. A bebida para elas preenche um ‘vazio’. Vazio esse que todas as pessoas têm, mas no caso do alcoólatra ele não consegue lidar com a angústia desse vazio, não quer se questionar em relação a seus medos, conflitos, fracassos, preferindo se anestesiar. Alguns a usam até como um medicamento.
Em estágio avançado, o alcoólatra tem muitas perdas: perde trabalho, amigos, família e mesmo assim não consegue se livrar do vício. A bebida fica como único ‘parceiro’ de sua vida.

*Qual é o tratamento adequado?
Resposta: Um que leve o dependente a se livrar do vício. Existem tratamentos em clínicas especializadas, em grupos de apoio, mas o fundamental é que ele possa descobrir o porque se tornou um viciado, então é muito importante uma análise, que é o que o possibilitará a descobrir  as determinações inconscientes desse vício.  Pois ás vezes o alcoólatra até pára de beber, mas se não descobrir ( e elaborar)  as raizes profundas e  inconscientes do vício , poderá ter recaídas. O apoio da família também é muito importante.

[ Fonte: Escuta analítica]