sábado, 29 de setembro de 2012

Gozo masoquista




T. J. - Olá, tenho 28 anos, em 2011 conheci um homem de 42 e nos apaixonamos. O sexo era perfeito, nos encontrávamos com frequência, sms constantes.. ele sempre muito ciumento, a cada encontro queria deixar "marcas" em meu pescoço e seios para nenhum homem me olhar! Em dezembro de 2011 descobri que ele era casado ha 17 anos. Meu mundo acabou, depois disso ainda continuei com ele por 4 meses, mas não me sentia bem.. Ainda gosto dele mas paramos de nos encontrar. A mulher dele descobriu e me vigia noite e dia pelo facebook.  Gosto dele mas sei que não é para mim, fiquei obcecada, fico querendo saber noticias, cheguei ate a adicionar parentes dele no perfil falso que criei, não aguento mais essa paranoia mas não consigo ter forças para parar. Me ajude por favor!


Resposta :

Você gosta dele só pelo gozo do sexo ou para fazer de conta que sente amor ? Para o faz-de-conta, o tempo tem que ser limitado, como foi. 
Se seu mundo acabou por causa de uma relação alicerçada na mentira, o que sustenta seu mundo?  Cada um de nós tem o amor que acredita merecer.
 Como diz Flavio Gikovate, o psicanalista : " Se a felicidade sentimental depende do estabelecimento da confiança recíproca, ela será, pois, um privilégio das pessoas íntegras e de caráter. "

Masoquismo é isso: a pessoa agarrada ao sofrimento, ao desprazer. Precisa descobrir por que sustenta essa posição, por que ainda procura o triângulo. As mulheres, talvez por receberem uma educação que as ensina a serem pacientes e conformadas, são mais sujeitas ao masoquismo que os homens.

O que você quer que eu responda? Que você não deve ser amante de um homem que, além de casado, foi desonesto com você ? Isso seria moralismo. Prefiro dizer que você é dependente sexualmente dele. E, se o amor não compensa quando traz infelicidade, muito menos o sexo. Procure uma psicanalise e mergulhe fundo na descoberta das raízes poderosas do seu masoquismo. Sem isso, poderá repetir no futuro a escolha desastrosa. Abraço
Aglair Grein-Psicanalista



sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Abuso sexual



S.- Tenho 25 anos, sou bióloga, tenho um ótimo emprego, mas vivo insatisfeita em todas as áreas da minha vida. Aos 9 anos sofri abuso sexual repetidas vezes por parte do diretor da minha escola.Cheguei em casa,na primeira vez chorando contei para minha mãe e ela mal me ouviu, não acreditou.Nunca mais falamos sobre o ocorrido e nada foi feito para penalizar o diretor.Tive que frequentar aquela escola pelo resto do ano, e foi o período mais triste e nojento da minha vida... as vezes era chamada a ir à sala dele depois da aula e eu sabia porque. Tem horas que penso que isso está esquecido, mas ainda hoje, aquelas cenas voltam em minha mente…..Nunca consegui transar com os poucos namorados que tive até hoje..foram tentativas cheias de pavor..Me apaixono, mas quando o relacionamento começa a esquentar termino tudo ou o cara some ..Sofro de obesidade desde o inicio da adolescência, e não tenho motivação para me cuidar.Já fiz terapia por um tempo, mas desisti porque a psicóloga não me dava muita atenção, achei que perdia tempo e dinheiro.


Resposta :
Agradeço a confiança. Posso imaginar o quão difícil é fazer um relato como o seu. Acredito que se expor foi um ato de coragem e um primeiro passo para a resolução.
O abuso sexual em crianças é o mais frequente, o mais cruel e também o mais omitido crime sexual.

O que é grave é que hoje o seu presente é determinado pelo seu passado. Essa condição é intolerável .Você precisa decifrar o passado e resolvê-lo dentro de si para não viver mais com essas marcas. É preciso promover a aceitação do abuso e, mais importante que tudo, reconhecer o seu lugar na história da sua vida. Passado é passado e não deve mais ser vivido.  É preciso trabalhar também a emoção da raiva, que é legítima mas deslocada: ela está voltada contra você mesma, já que não encontra motivos para se cuidar , e se priva de relacionamentos satisfatórios.Viver encarcerada nas próprias lembranças não é viver.

Não há outra forma de trabalhar essas marcas senão pela terapia.Talvez a terapia de grupo, depois de um período de trabalho individual, possa ser mais adequada e eficaz, já que vítimas de abuso sexual definem a si mesmas inteiramente através da sua experiência de abuso, e sentem-se únicas nesta experiência. Não espere mais! Abraço.
Aglair Grein- Psicanalista

domingo, 23 de setembro de 2012

Desejar e Querer




S.M.- Cantar para mim sempre foi motivo de prazer e é algo que amo fazer.apesar de nunca ter tido o incentivo da família.Ultimamente tem pulsado em meu peito o latente desejo de voltar a Itália para aperfeiçoar a técnica do canto e para também trabalhar a fim de financiar meus estudos.Confesso que quero muito isso, mas me sinto insegura, com medo de enfrentar novamentre e sozinha, a vida lá fora. Por isso, dentro de mim, tem se instalado um conflito que não consigo resolver, pois sei que aqui ficando não conseguirei conquistar meus objetivos de realização pessoal. A inconstância emocional, é outro motivo que me impede de alçar o vôo...temo os desafios que terei que enfrentar para ter forças e foco para perseverar, o que aliás, tem sido meu calcanhar de Aquiles, a falta de perseverança em tudo o que me proponho a fazer, tem aniquilado meus projetos. Preciso de uma luz, por favor me oriente.



Resposta :
Em seu e-mail, você fala do que deseja e do que quer, mas você quer o que deseja ?
"Você quer o que deseja ? "O psicanalista Jorge Forbes lança uma questão com essa pergunta intrigante que fala do Querer e do Desejo como instâncias diferentes e independentes. Segundo ele, Desejar é sempre desejar o que não está no nosso alcance, a ponto de podermos agradecer a quem não nos dá o que foi pedido para manter vivo o desejo. Ou para justificar nosso medo.Toda dúvida ou indecisão vem do medo.

Por outro lado, o Querer é buscar,  encontrar os meios para alcançar, criar as condições para chegar lá, se dispor a enfrentar as dificuldades, encarar os medos. O Desejo mede os obstáculos, enquanto que o Querer vence os obstáculos.  Espero que você reflita sobre o seu Desejo de cantar e seu Querer cantar. Nenhum dos dois está na família, no destino, ou em qualquer outro lugar: eles estão em você e são responsabilidade sua. Como disse alguém : "A oportunidade só dança com aqueles que já estão no salão." Abraço
Aglair Grein-psicanalista


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Medo de ficar sozinha


A.L.-Tenho 49 anos, separada há 10, uma filha casada, e vivo uma relação enrolada há quase 4 anos com um homem de 58. Decidimos viver de modo mais livre, sem compromissos nem cobranças, e no começo foi bom. Ando muito incomodada porque ele não contribui com nada, nada, nem na parte financeira. Nos dias que ele vem ficar na minha casa,( algumas vezes na semana e finais de semana) se instala como um rei e eu faço tudo, desde compras até cozinhar, limpar e cuidar da roupa dele. Ele tem 2 filhos adultos que não conheço e volta e meia passa fim de semana com eles e nunca me convidou. Faz segredo da vida deles, se esconde para falar no telefone, quando ligam. Ele fuma e me irrita demais com fumaça e sujeira pela casa toda, apesar de que já pedi e briguei muito pra ele fumar na sacada. Gosto dele, mas faz um tempo que penso em acabar, mas descobri que o que me segura é o medo de ficar sozinha e me arrepender.


 Resposta:
O seu e-mail me fez pensar no quão pouco exigentes podemos ser quando temos medo da própria companhia, no quão tolerantes podemos ser para escapar de tomar conta de nós mesmos. Você escolhe se submeter a uma situação de subserviência, de infelicidade, para evitar olhar para si mesma, desamarrar os próprios nós e ficar livre. Livre, especialmente, para ser capaz de escolher uma companhia agradável, alguém que traga satisfação,  segurança, bem estar, e alguma reciprocidade. E momentos felizes, claro.

O que há para fazer é um balanço do que traz de bom ( se é que traz) e de desconfortável essa relação "aberta". Coloquei entre aspas, porque me parece que é aberta somente para ele, que preserva sua individualidade e seu espaço - dentro do teu espaço também . Ele entrou na tua vida, ocupou os cômodos da casa, ignorando as tuas necessidades, os teus limites, a tua presença, enfim.
É claro que ele ocupou todo esse espaço porque você permitiu. 50% da responsabilidade, portanto, é tua.

 Não tenha medo de perdê-lo ou de ficar sozinha. Pior é perder-se.  O medo deve servir de dínamo, de motor para enfrentar os desafios, as mudanças. É mais do que hora de procurar uma maneira de fazer novos caminhos e quebrar a rotina. Ninguém acha um atalho sem se perder antes.  Se puder, seria ótimo procurar suporte terapêutico para aprender a ficar sozinha sem medo e não repetir esta história com outro parceiro . Lembre-se: nós aceitamos o amor que acreditamos merecer. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Ejaculação precoce




P.-Tenho 27 anos... nunca namorei sério e agora me apaixonei pela primeira vez...Acontece que tenho varios problemas de saúde, sofro do estômago, de varias alergias, tenho problemas de coluna , vivo em médicos, é bem complicado... mas o que mais atrapalha minha vida é nunca ter tido relação sexual completa, pois tenho ejaculação precoce, que acontece só de encostar na mulher, nas preliminares. Nunca tive coragem de contar isso para ninguém, nem para os médicos. Já passei por muita situação vergonhosa e faz anos que parei de procurar mulher por isso. Agora a menina é tudo de bom, e eu estou muito angustiado, já passou da hora e eu não tenho coragem de atacar, porque sei que vai acontecer de novo. Não quero perder a menina, mas fico paralisado só de saber que não vou conseguir segurar.

Resposta:
A ejaculação precoce é um distúrbio típico do início de atividade sexual- apesar de ocorrer  em qualquer idade- com causas exclusivamente de ordem psicológica.Não existe nenhum tipo de problema no sistema reprodutivo. É o problema mais comum entre os homens afetando de 20 a 30% deles.
Algum distúrbio psicológico como ansiedade, sentimento de culpa em relação ao sexo, ou antecedentes de situações traumáticas, como abusos sexuais ou simplesmente ter sido surpreendido por alguém enquanto se masturbava podem desencadear a disfunção.

A verdade é que apenas um episódio isolado de ejaculação precoce pode causar um estresse e uma frustração tão grande que este passa a ser o próprio fator desencadeante.
O tratamento geralmente é natural, com investigação das causas e aprendizado de técnicas de controle ejaculatório, sem necessidade de medicação. A recomendação, naturalmente, é que procure um tratamento psicológico, até para tratar os outros problemas de saúde citados que devem ser decorrentes da mesma ansiedade. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista

sábado, 15 de setembro de 2012

Ajustar-se a si ou ao mundo ?





M.- Me afastei  de algumas pessoas que me incomodavam. Minha mãe, uma pessoa autoritária e agressiva...Cansei de lidar com isso e de tentar entender, e me afastei.
 Em relação a outras duas pessoas que também me afastei, sinto que elas tinham uma “obsessão” por mim, uma preocupação exagerada que me incomodava.Sempre fui uma pessoa independente...Me casei, tive dois filhos, me separei e não casei de novo.
Um dia escutei de um homem que eu “assustava” os homens por ter uma personalidade forte, ser independente... e isso, afastava-os de mim.Durante algum tempo tentei mudar isso... ser mais “meiga”... Sei que sou carinhosa, além de ter consciência disto, já escutei também.
Sou muito “eu mesma”, ou seja, não sou e não me sinto apegada a ninguém além dos meus filhos.Isso faz com que eu pareça indiferente, egoísta ou desinteressada e sei que isso incomoda as pessoas.
Não me importo com o que as pessoas pensem ou falem de mim, não é isso que me incomoda.
O que me incomoda é o fato de “achar” que deveria lidar com essas situações ao invés de me afastar. Desejo alcançar um estágio que absolutamente nada, faça eu me sentir mal.


Resposta:
Você me diz que não se incomoda com o que as pessoas pensam ou dizem, mas repete várias vezes no seu e-mail o que as pessoas pensam e dizem a seu respeito, como referências de quem/como você é.
O discurso, portanto, não confirma a sua  auto-imagem de aceitação e independência. O que lhe faz mal e você me pede para ajudá-la a extirpar, talvez não seja o Ego, mas o conflito que lhe traz desconforto: ser quem é ou o que os outros esperam que seja ? Ajustar-se a si ou ao mundo ?

Por que tanta preocupação em se enquadrar aos padrões, em ser meiga, frágil e 'apegada'? O que importa é estar bem consigo mesma, aceitar-se como é. Estabelecer relações que a gente escolhe e controla - quando não ama- além de aceitável, é saudável. Mesmo que sejam relações parentais, que não são, como estamos acostumados a pensar, garantias de amor.

A educação que recebemos não nos ensina a ser desapegados e livres. Porque ela tende a privilegiar o apego que, apesar do que muita gente supõe, não é sinônimo de amor. Antes de nos ajustarmos ao mundo, é preciso que nos conheçamos, que nos aceitemos e então nos ajustemos a nós mesmos.
É claro que uma terapia é indicada para que de fato você alcance a auto-aceitação ou a mudança. E, de quebra, a paz, a liberdade e a verdadeira independência. Ouse. Abraço
Aglair Grein-psicanalista

sábado, 8 de setembro de 2012

Dependência afetiva



  F.-   Tenho 36 anos tive um relacionamento que durou 14 anos, nos amavamos muito porém ele me traiu algumas vezes, eu até perdoei, até que na última vez não teve mais como confiar... Fiz inúmeras loucuras porque eu sou do tipo que não aceito perder e quando amo me entrego pra valer! Separada por 2 meses conheci um rapaz e começamos um relacionamento, ficamos 4 anos juntos porém nos ultimos 6 meses fui vendo ele frio e distanciando só que eu não queria enxergar a verdade , até que há 2 meses atrás comecei a cobrar dele mudanças ... Estava me fazendo muito mal. Hoje não sei se amei ou se me apeguei por estar carente e ele ter me ajudado a esquecer o outro... Corri atrás dele, me humilhei, só que ele fala que o amor acabou. E eu deixei de viver minha vida pra viver a vida dele, ele era meu tudo, agora tô sem chão .. sei tbm que fiquei muito dependente dele! Hoje não sei distiguir se o amo ou se sinto falta de alguém do meu lado!  o primeiro me deixou e esse atual me deixou da mesma forma... A dor é igualzinha! Não sei se tento reconquistá-lo ou tento uma nova história!
   
Resposta:
No título do seu e-mail você pergunta: 'Quando nos sentirmos enganados, o que devemos fazer?' Percebo que você está muito perto de saber que é você que se engana. Um lado seu, dependente, se submete a amores emergenciais, contrário a um outro lado, que sabe muito bem  que não é isso que vai fazê-la feliz.

A pessoa nasce dependente de seus pais, mas com o passar dos anos isso tende a mudar.  Ela cresce, desenvolve a autoestima, a autoconfiança e, a partir daí, passa a estabelecer relações que não comprometam a sua individualidade. Ela encontra um eixo em si mesma.Quando não acontece essa transição, fica-se dependente do eixo de um outro.

Assim como o único caminho para a cura da dependência química é reconhecer a própria limitação, para o dependente afetivo também é essencial ter a consciência de que sofre de um transtorno emocional, que pode lhe trazer muito sofrimento. Uma relação torna-se um vício, uma dependência, quando serve para preencher uma dor ou um vazio; quando se exige do outro o que faz falta em si.

Você diz estar em dúvida se deve tentar reconquistá-lo ou tentar um nova história. Nem uma coisa nem outra, agora  Deve, isso sim, começar uma história consigo mesma, conviver com a sua pessoa,  procurar saber de onde vem esse necessidade de outro na sua vida, esclarecer-se, construir um eixo em si mesma, reconquistar-se. Ou conquistar-se pela primeira vez, talvez. Uma boa ideia é uma terapia, que facilita e encurta o caminho. Abraço
Aglair Grein-psicanalista

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Pânico: O medo de sentir medo

L. - Antes de tudo, quero que você saiba que não está sendo nada fácil escrever este e-mail.
Há alguns anos atrás, comecei a sentir umas coisas bastantes desagradáveis em meu corpo, sensação de desmaio, sensação de medo,dores musculares, palpitações, ansiedade, e a partir daí, comecei a abdicar de muitas coisas em função dessas sensações desagradáveis.
No início procurei um cardiologista o qual diagnosticou que eu não teria nada do que imaginava, eu tinha quase que certeza que estava com problemas no coração...Fiquei bastante aliviada com o diagnóstico; porém, os sintomas não foram embora, pelo contrário, pioraram a ponto de eu não querer mais nem sair de casa e fazer tudo aquilo que eu sempre gostei de fazer.Com isso, sempre que preciso estar em algum lugar tipo igreja, salas fechadas ou lotadas enfim...já fico ansiosa, chego a ficar com as mãos geladas, não me concentro direito e sempre estou dando desculpas para sair destes lugares. Minha mente fica uma confusão só!


Resposta:
Antes de tudo quero lhe dizer que não tenha vergonha de sofrer. Só não sofre quem não está vivo. Procure se valer do sofrimento para entrar no caminho da cura e encontrar uma solução para seu desamparo. O medo é um meio de descobrir o que precisamos encontrar. É bom lembrar que aquilo que tememos nem sempre tem poder sobre nós, mas o medo sempre tem.

Nos transtornos de ansiedade - que tem graus variados  - de ansiedade generalizada  a ataques de pânico - o corpo reage como se estivesse frente a um perigo, porém não há nada fora que possa justificar esta reação. Os 'gatilhos' são internos e incontroláveis.
As crises consistem em períodos de intensa aflição, geralmente com início súbito e acompanhados por uma sensação de catástrofe iminente. Os sintomas  são sudorese, taquicardia, sensações de desmaio, sensação de estar ' fora do corpo', sensação de morte iminente, além de outros.

É comum a pessoa passar a restringir a sua vida a um mínimo, como ocorre com você, limitando toda forma de estimulação para tentar evitar que "aquilo volte". É o medo de sentir medo. 

É importante buscar tratamento no início dos sintomas para evitar que a situação evolua para graus mais limitadores. Um tratamento eficaz vai além da medicação (nem sempre necessária) para controlar as crises, e implica em investigar e agir sobre os processos responsáveis pelo início, manutenção e recaída na crise. A psicoterapia faz isso em tempo relativamente curto. E, na minha experiência clínica, na grande maioria dos casos, há total remissão dos sintomas. Não espere mais, procure ajuda. Abraço

Aglair Grein- Psicanalista



quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Depois da traição

D.- Fui casada por 4 anos, total de 8 anos juntos.Ele me deixava muito sozinha e acabei traindo. Ele desconfiou, começou a me cobrar e acabei contando.  Terminamos faz 4 meses e depois disso ficamos algumas vezes, mas ele engravidou uma menina e disse que vai morar com ela por causa do filho. A ultima vez que nos encontramos ele disse que podiamos ficar juntos, me beijou, mas depois, quando liguei, disse pra não ligar mais, que um dia ele me liga pra conversamos como amigos. Estou sem chão, eu queria tanto um filho e ele nunca quis, agora vai ter com uma pessoa que nem conhece? Doi tanto, estou enlouquecendo...

Resposta:
A infidelidade pode não ser a pior coisa que um parceiro faça ao outro, porém pode ser a mais perturbadora e desorientadora situação ocorrida na relação, e consequentemente capaz de destruir o casamento. Não necessariamente pelo sexo e sim pelos segredos e mentiras.

Agora que a separação aconteceu, é preciso aceitá-la e se perguntar por que aconteceu. É preciso refletir sobre a situação sem autopiedade e sem procurar culpados ou vítimas. Nós nem sempre conseguimos mudar uma atitude tomada impulsivamente no passado, porém podemos aprender com suas consequências e não mais nos repetirmos. Você deve se valer do que aconteceu para aprender a se refrear, a refletir antes de agir. Como diz o ditado : 'Não se pega mosca com vinagre.'

Agora é preciso encarar a vida, que muda continuamente e é preciso mudar com ela: abrir-se para possibilidades novas, se redefinir, contextualizar seus desejos. Com nova abordagem, talvez, e com muita coragem, com certeza. Procure, se for possível, uma orientação psicológica para facilitar e abreviar esta trajetória.
Abraço



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Perdas & Ganhos




 B-Estou atravessando um momento de vida dificil e unico. Eu estava viuvo e apos aproximadamente um ano de viuvez me vi envolvido em uma calorosa e bonita relação com uma nova mulher, apesar de termos ate amigos em comum em nossa infancia, do nada nos reencontramos sem nos conhecermos antes e mantivemos uma relação marital de aproximadamente dez anos.
 So que fiquei desempregado e o stress causado por esta situação veio e nos atingiu em cheio. conclusão fazem tres meses que nos separamos.Estou meio que curtindo um luto...de relacionamento. Porem não sou mais criança.Estou triste e precisando de um motivo pra continuar. Estou dolorido e de luto.

Resposta:

Meu caro amigo,  é preciso lembrar que a vida oscila, para cima e para baixo. Não fosse assim, seria linha reta, e linha reta no eletrocardiograma é morte.
 Quando a perda acontece - em qualquer nível e em qualquer idade - é preciso aceitá-la, dar-se o direito de ficar triste,  dar-se um tempo para curar as feridas, ter a coragem de reaprender a conviver bem consigo mesmo.

 Não há nada de errado com a vida e suas mudanças, mas sim com as nossas exigências para com ela. São os ciclos da vida que precisam ser reconhecidos e respeitados. Deixamos de sofrer tanto quando aceitamos isso.  Talvez seja bom lembrar que tudo no universo se modifica e se alterna : nascimento, amadurecimento e morte,  dia e noite, as fases da lua,  as estações do ano,  o ciclo das marés , etc. Por que seria diferente com os seres humanos?

Melhor é fazer da sua própria companhia, no momento, algo construtivo e enriquecedor, aproveitando para experienciar coisas novas, encontrar em si mesmo o melhor motivo para continuar. Solidão não se cura com a presença dos outros, se cura com amor próprio, como escreveu a Martha Medeiros. E, mais à frente, quando seu coração estiver curado, a vida poderá presenteá-lo outra vez. E outra vez sem garantias. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Doente e sem um amor



 L. Tenho 43 anos, sou solteira, nunca casei, mas sempre tive esse sonho, sempre me senti sozinha. Todos os relacionamentos que tive  (não foram muitos) foram conturbados e assim a idade passou e eu não constituí família. Estou a 3 anos e meio sozinha e a mais de um ano doente, uma doença crônica que está se agravando, quase não saio de casa, afastei-me das minhas atividades, porém,os sentimentos continuam, o coração continua a bater com vontade de ter alguém, inclusive, me apaixono.Angustio-me em saber que ninguém irá olhar para uma pessoa doente, que as minhas chances são quase nulas, sinto vontade de ter alguém, mas por mais que eu tenha uma boa presença e não represente a  idade que eu tenho, todos veem que estou com problemas de saúde. Estou me tratando, mas não sei até quando terei que conviver com essa doença, já fiz psicoterapia, mas devido a doença não pude comparecer mais e estou precisando muito. Será que quem é doente não tem vez para o amor? Sei que o homem é mais visão e tem menos tolerância a lidar com a doença, por isso, acho que o meu destino é sozinha como sempre soube desde a minha adolescência onde não era doente, mas já me sentia sozinha. Aguardo sua ajuda.


Resposta:
Você se apresenta dizendo que é doente e sem amor. É cronicamente doente porque sem amor, ou sem amor porque é doente ? Fico com a primeira alternativa, já que diz sentir-se sozinha desde muito tempo. E mais : desde adolescente "sempre soube" que era este seu destino. Destino ou sua profecia ?

A base do amor do outro é o nosso amor próprio, que ao ser emitido, recebe seu reflexo. Em outras palavras, a falta de amor reflete a falta de amor próprio, então para amar - e ser amada - é preciso recuperar a própria identidade. Podemos perceber que muitas pessoas adoecem pela falta de amor próprio e em conseqüência, desejam desesperadamente o amor dos outros como forma de compensar a falta de amor por si mesmas.

Quando adoecemos devemos perceber como um sinal de que devemos olhar profundamente para dentro de nós mesmos.Olhar sem medo para o passado, para toda a nossa vida.O que ficou mal resolvido ou fez com que se sentisse rejeitada, abandonada, sem valor, sentindo que não merece sequer receber amor?
Caso esta busca seja muito difícil ou infrutífera, recomendo que volte a procurar ajuda da psicanálise, num trabalho sério onde você mergulhe de verdade.
É preciso livrar-se deste desamparo, desta vitimização, do contrário, sua vida não muda. Para se liberar, tem que falar e ser ouvida até descobrir qual a origem da baixa auto estima que a martiriza .
Viver é pensar, sentir, analisar e agir o tempo todo. Não espere mais ! Abraço
Aglair Grein-psicanalista




domingo, 2 de setembro de 2012

Ciumes do passado




L.- Moro numa cidade do interior, tenho 25 anos e um namoro de 3 anos que me completava...tínhamos planos de nos casar neste ano, mas algo do meu passado que me envergonha muito veio à tona, ele ficou sabendo por amigos em comum. Antes dele namorei um cara e sofri na mão dele, era apaixonada e fazia tudo o que ele queria pra não perdê-lo. Ele pediu troca de casais e eu, mesmo não querendo concordei...Sei que meu namorado me ama como eu o amo, mas nossa vida está virada no avesso. Ele sofre e me faz sofrer com as cobranças, diz que perdeu o respeito por mim...está insuportável. Tenho vontade de terminar, não vejo como ele aceitar e perdoar.


Resposta :
Perdoar o que ? É preciso entender e aceitar que todo mundo tem um passado, uns mais outros menos sexualmente emocionantes, mas todos têm.  O que o sexo em grupo significou pra você pode ter sido menos importante que algumas 'ficadas' emocionantes dele.
Quem já assistiu o filme “Closer” talvez tenha aprendido que não é bom chegar perto demais nem de quem a gente ama. A vida é dinâmica, e a graça está em poder ser diferente em cada pedaço dela, poder fazer vários capítulos. Ele faz parte do último capítulo da sua vida, e é isso que ele precisa entender. O que passou não interfere na tua capacidade de gostar dele agora. Nenhum encontro anterior pode ser comparado ou equivale ao que você vive com ele atualmente.
 Infelizmente você não pode fazer mais nada a não ser esperar que ele aceite a pessoa que você é hoje, antes que possam fazer projetos de casamento. Não pode ser perdoada uma traição que não houve.

Para rematar, um trecho de um poema de José Saramago:

"Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais."
Abraço

sábado, 1 de setembro de 2012

A pele que habito



M.A.- Preciso de ajuda, pois não tenho coragem de falar sobre isso com ninguém. Sou triste desde que nasci, me lembro de ter sido sempre rejeitada pela minha mãe, de nunca ter sido compreendida por ninguém.Tenho 22 anos e nunca tive um namorado que não me fez sofrer.Me apaixonar é terrivel, pois passo o tempo no inferno sofrendo com medo de ser traída ou abandonada e de uns anos pra cá evito me envolver com homens...o último era gay e eu sabia,ele me contou, mas insisti tanto que perdi o amigo.A dor é tao grande que me corto as vezes, para aliviar...Tenho marcas no corpo todo. Faz um tempo que não me corto porque tenho fugido de relacionamento.


Resposta:
A automutilação após vivência de forte emoção, como a raiva, é uma forma adquirida de lidar com a emoção, um comportamento com características impulsivas. Cortar-se para sentir na pele e colocar para fora a dor interna. Ferir-se porque não há possibilidade de ferir o outro. Destruir-se porque não se pode destruir o objeto da dor. O alivio das emoções ruins faz com que se passe a repetir a automutilação incontrolavelmente.

 O que é preciso saber é que há outras formas saudáveis e não autodestrutivas de suportar perdas, raiva, ou ameaças externas.Um novo comportamento pode ser aprendido através de psicoterapia analítica ( para investigar as origens do impulso) aliada à medicação antidepressiva.
É importante que você procure buscar profissionais especializados (psiquiatras, psicoterapeutas) em tratamento para transtornos do impulso.
 Procure ajuda e construa um novo caminho, pois a vida começa todos os dias. Abraço.
Aglair Grein-Psicanalista

Para tratamento gratuito da Automutilação:
 Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso  do IPq- HCFMUSP pelo tel:  11 3069-7805  e para mais informações pode-se acessar o site: www.amiti.com.br