sábado, 1 de setembro de 2012

A pele que habito



M.A.- Preciso de ajuda, pois não tenho coragem de falar sobre isso com ninguém. Sou triste desde que nasci, me lembro de ter sido sempre rejeitada pela minha mãe, de nunca ter sido compreendida por ninguém.Tenho 22 anos e nunca tive um namorado que não me fez sofrer.Me apaixonar é terrivel, pois passo o tempo no inferno sofrendo com medo de ser traída ou abandonada e de uns anos pra cá evito me envolver com homens...o último era gay e eu sabia,ele me contou, mas insisti tanto que perdi o amigo.A dor é tao grande que me corto as vezes, para aliviar...Tenho marcas no corpo todo. Faz um tempo que não me corto porque tenho fugido de relacionamento.


Resposta:
A automutilação após vivência de forte emoção, como a raiva, é uma forma adquirida de lidar com a emoção, um comportamento com características impulsivas. Cortar-se para sentir na pele e colocar para fora a dor interna. Ferir-se porque não há possibilidade de ferir o outro. Destruir-se porque não se pode destruir o objeto da dor. O alivio das emoções ruins faz com que se passe a repetir a automutilação incontrolavelmente.

 O que é preciso saber é que há outras formas saudáveis e não autodestrutivas de suportar perdas, raiva, ou ameaças externas.Um novo comportamento pode ser aprendido através de psicoterapia analítica ( para investigar as origens do impulso) aliada à medicação antidepressiva.
É importante que você procure buscar profissionais especializados (psiquiatras, psicoterapeutas) em tratamento para transtornos do impulso.
 Procure ajuda e construa um novo caminho, pois a vida começa todos os dias. Abraço.
Aglair Grein-Psicanalista

Para tratamento gratuito da Automutilação:
 Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso  do IPq- HCFMUSP pelo tel:  11 3069-7805  e para mais informações pode-se acessar o site: www.amiti.com.br


Um comentário:

  1. Muito bom!
    Fiz a análise deste filme, mas como as visões são diversas a sua foi especialmente maravilhosa no caso acima apresentado. Fiquei admirada com este foco que me parece muito coerente, inclusive sobre o trato medicamentoso no que aponta supostamente em outra linha um caso próximo boderline, mas aqui o que interessa é o sofrimento que parece-me preocupante e um tanto delicado em relação a integridade física da pessoa!
    Parabéns!

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