domingo, 8 de abril de 2018

É hora de perdoar quando pais tóxicos envelhecem?




É hora de perdoar quando pais tóxicos envelhecem 
e se tornam frágeis?


“Querido pai, tu me perguntaste recentemente por que afirmo ter medo de ti. Eu não soube, como de costume, o que te responder, em parte justamente pelo medo que tenho de ti, em parte porque existem tantos detalhes na justificativa desse medo, que eu não poderia reuni-los no ato de falar de modo mais ou menos coerente”. É assim que começa “Carta ao pai”, texto escrito por Franz Kafka quando tinha 36 anos. O ano era 1919, e esse gênio da literatura já havia produzido “A metamorfose” e “O processo”, mas a carreira de escritor estava estagnada. No manuscrito de quase cem páginas, que nunca foi enviado a seu destinatário, Kafka fala do sentimento de nulidade que frequentemente o dominava e que, segundo ele, era fruto da relação aterrorizante que tinha com o pai, Hermann Kafka, um comerciante de modos brutais: “seja como for, éramos tão diferentes e nessa diferença tão perigosos um para o outro, que se alguém por acaso quisesse calcular por antecipação como eu, o filho que se desenvolvia devagar, e tu, o homem feito, se comportariam um em relação ao outro, poderia supor que tu simplesmente me esmagarias sob os pés, a ponto de não sobrar nada de mim”. O que aconteceria se o escritor, que morreu precocemente, tivesse que cuidar desse pai tirano?


É claro que pais e mães falham, como qualquer ser humano, mas me refiro a relações tóxicas, carregadas de perversidade, dentro de casa, o espaço que deveria ser de proteção e aconchego. Os abusos – físicos, verbais e até mesmo sexuais – causam danos tão severos que essas marcas acompanham os indivíduos por toda a sua vida. Todos deveriam ter acesso a ajuda terapêutica, mas não é o que acontece. Muitos não conseguem superar as humilhações e vivem existências dilaceradas. Pode ser que pais tóxicos e abusadores tenham aprendido esse comportamento com seus próprios pais, mas, ao serem incapazes de interromper esse ciclo de tormenta, deixam um legado de dor para as gerações seguintes. Romper com tudo também tem um alto custo emocional.

Legalmente, os filhos são responsáveis pelos pais idosos, mas o aspecto jurídico está longe de esgotar o assunto, como explica a psicóloga, psicanalista e especialista em gerontologia Eloisa Adler: “na verdade, o que emerge é a questão de como cuidar de pais velhos com quem não foram construídas relações amorosas no decorrer da vida. Normalmente pensamos no idoso como uma entidade em si, alguém vulnerável que precisa ser protegido, sem levar em conta sua trajetória, quando a história da relação familiar é fundamental nesse momento tão difícil do ciclo vital. 

Mesmo que a carga emocional de assistir ao declínio dos pais seja pesada, esse processo é menos penoso quando há um lastro de amor e afeto”. Não há soluções prontas, diz ela, mas a dificuldade do cuidado é agravada em relações familiares conflituosas. Na sua opinião, uma palavra – ressignificação – pode trazer esperança para guiar o comportamento desses filhos que sofreram: “pode ser impossível para a pessoa cuidar diretamente desse pai ou dessa mãe.
No entanto, esse filho ou filha pode administrar os cuidados, ou seja, zelar para que o idoso receba o atendimento adequado. Embora o envolvimento não seja o mesmo, este pode ser o caminho para buscar um novo sentido para aquela relação que foi tóxica no passado, e eventualmente aliviar o ressentimento de uma história de maus tratos ao longo da vida.

(Adaptado da Web)

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Comprovado: crianças que apanham podem sofrer cerca de 13 tipos de transtornos


Agora é comprovado: crianças que apanham podem sofrer cerca de 13 tipos de transtornos

Não é de hoje que se questiona a chamada “palmada pedagógica”, que é aquela que se utiliza com a justificativa de educar.Nossos familiares de gerações anteriores e ainda hoje muitas pessoas argumentam que apanhavam de cinta, chinelo, espada de São Jorge e hoje estão educados e formados. Sim, mas antes não se sabia tanto sobre os transtornos mentais que as famosas palmadas podem gerar.

Não é à toa que desde 2014 entrou em vigor a Lei da Palmada. Essa Lei proíbe qualquer tipo de agressão às crianças. E não é uma questão de superproteção ou de “passar a mão na cabeça” como dizem alguns, mas sim de entender os reflexos psicológicos que isso pode causar


O Journal of Family Psychology publicou uma pesquisa realizada na Universidade do Texas e de Michigan nos Estados Unidos que comprovou que crianças que levam “surra” podem desenvolver comportamentos antissociais e agressivos.Outros estudos, como o que foi realizado pela psicóloga Elizabeth Gershoff por mais de 20 anos constatou que há uma ligação estreita entre crianças que apanham e isolamento social, agressividade e doenças físicas e mentais.

Outro estudo da Universidade de Manitoba, no Canadá, com mais de 34 mil adultos identificou que os que sofreram algum tipo de agressão na infância tiveram maior tendência para doenças de peso, osseas e cardíacas.

Além dos problemas de saúde, qualquer tipo de agressão às crianças pode gerar sentimentos de injustiça e mágoa constante dos pais, assim como afastamento da família e dificuldades para comunicação, dificuldades para lidar com relações de poder e hierarquia ao longo da vida, baixa autoestima, dificuldades para lidar com ordens, baixa tolerância à frustração, personalidade intolerante e agressiva, além dos diferentes tipos de transtornos psicológicos que podem ser desencadeados por esse tipo de educação.

Crianças não precisam apanhar nunca, desde que os pais estejam preparados para educa-los, o que não acontece em 90% dos casos. O motivo do despreparo é a herança transgeracional, já  que os pais também são vitimas de outras vitimas, e esse ciclo se repete indefinidamente até que alguém busque ajuda, para quebrar seus traumas e crenças. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Tratamento psiquiátrico sem medicamentos?



Quem possui alguma ideia sobre saúde mental, provavelmente não concebe a existência dela sem medicação. Na sociedade contemporânea, praticamente todas as "doenças" mentais são susceptíveis de serem tratadas por drogas, independentemente do grau, muito menos quais são suas particularidades em relação à história de vida do paciente.

Como resultado de uma maneira de entender os conceitos de saúde, paciente, medicina e bem-estar, entre outros, acredita-se que todos os seres humanos podem ser tratados do mesmo jeito e que, por exemplo, uma depressão em uma mulher de 50 anos é idêntica a de um adolescente com 16. Em um homem que perdeu sua esposa ou uma jovem que não pode dormir à noite. E sob essa premissa, a todos são oferecidos a mesma solução: uma droga cuja promessa é trazer "equilíbrio", o que quer que isso represente.

Além disso, essa compreensão da saúde mental é tão dominante que pensar em outras alternativas pode ser considerado um absurdo, algo realmente louco.

No entanto, na Noruega, um projeto está sendo promovido buscando demonstrar a viabilidade de outra alternativa, ou seja, que é possível separar a saúde mental e psiquiátrica da abordagem farmacológica que dominou nossa cultura de saúde nos últimos 50 anos.

Na remota cidade de Tromso, no norte da Escandinávia, é onde fica o Hospital Psiquiátrico de Asgard, que já na entrada anuncia sua particularidade: "behandlingstilbud medikamentfritt", (livres do tratamento de drogas) slogan promovido pelo próprio Ministério da Saúde do país e que, entre outros fins, procura explorar outras formas de tratar a mente e seus distúrbios.

Qual é a alternativa? "Ouvir o paciente", disse Merete Astrup, diretora da instituição. 

A verdade é que, no que diz respeito à mente, suas "doenças" não são o resultado exclusivo de desequilíbrios neuroquímicos.  Depressão, ansiedade e outros distúrbios geralmente são sintomas nos quais às circunstâncias de nossas vidas são condensadas, mas que muitas vezes não compreendemos e ainda não exploramos.

Em outras palavras: não há duas pessoas no mundo que estão tristes pelos mesmos motivos. No entanto, a partir de uma abordagem moderna da mente humana, em vez de tentar entender essas razões, erroneamente para todos os indivíduos são oferecidos a mesma solução: um antidepressivo.

No momento não é possível saber até que ponto esse projeto lançado na Noruega chegará em outras partes do mundo. Entretanto, o mero gesto de ouvir o paciente psiquiátrico é, para os médicos que os tratam, um grande passo cuja direção talvez seja uma compreensão da saúde e do bem-estar como estados que fluem diretamente da subjetividade e das circunstâncias pessoais.

A iniciativa de estabelecer um modelo de tratamento psiquiátrico sem o uso de drogas vai na contramão dos interesses da indústria farmacêutica, motivo pelo qual provavelmente essa abordagem não ganhará destaque e, ao invés disso, infelizmente, deverá ser combatida por outros especialistas atrelados ao sistema.

( Texto adaptado da Web)


sábado, 28 de outubro de 2017

Não fale com sua filha sobre o seu corpo


Não fale com sua filha sobre o seu corpo, a não ser para mostrar-lhe como funciona. Não fale com sua filha sobre o seu corpo. Não diga nada se perdeu peso. Não lhe diga nada se aumentou de peso. Se você acha que o corpo de sua filha parece ótimo, não diga nada. Aqui estão algumas coisas que você pode lhe dizer em seu lugar:
“Você parece muito saudável!”, é uma opção muito boa. Ou que tal: ​​”Você parece muito forte?” Ou: “Se nota que você está feliz: brilha.”. Melhor ainda: elogie algo que não tem nada a ver com o seu corpo. Tampouco faça comentários sobre o corpo de outras mulheres. Não. Nenhum. Nem positivo, nem negativo.
Ensine a ela como ser amável com os demais, mas também como ser amável consigo mesma. Não se atreva a falar o quanto odeia seu corpo diante de sua filha, ou a falar sobre sua nova dieta. Melhor ainda, não faça dieta diante dela. Compre comida saudável. Prepare refeições saudáveis. Mas, não diga “por agora não estou comendo carboidratos”. Sua filha não deve pensar que os carboidratos são ruins, porque sentir vergonha do que você come apenas se traduz em ter vergonha de si mesma.
Incentive sua filha a correr porque isso a faz sentir-se menos estressada. Incentive-a a subir montanhas, porque não há lugar melhor para explorar sua espiritualidade que o topo do universo. Incentive-a escalar paredes ou fazer mountain bike, porque assusta, e, às vezes, isso é algo bom.

Ajude sua filha a gostar de futebol, de remo ou de hóquei, porque os esportes fazem dela uma melhor líder e uma mulher mais segura de si mesma. Explique a ela que não importa que idade tenha, nunca deixará de necessitar saber jogar bem em equipe. Nunca a faça jogar ou praticar um esporte que não adore por completo.

Talvez você e sua filha tenham coxas grossas ou grande caixa torácica. É fácil odiar essas partes do corpo tão longe de tamanho zero. Não o faça. Diga à sua filha que, se ela quiser, com suas pernas pode correr uma maratona, e que seu tórax não outra coisa que um bom estojo para carregar uns pulmões fortes. Pode gritar, pode cantar e pode levantar o mundo, se quiser.
Lembre à sua filha que o melhor que pode fazer com o seu corpo é usá-lo para mover a sua bela alma.

* Texto atribuído à María Montessori

domingo, 10 de setembro de 2017

Alguns sinais de que alguma coisa não vai bem na sua mente

Na verdade não se pode falar de uma mente “normal” e outra “anormal”. Se você olhar bem, o que em uma determinada época e local é “normal”, em outro tempo e outro lugar pode ser considerado patológico. A mente e o comportamento humano têm manifestações muito variadas, e o fato de saírem do comum não significa dizer que estejamos diante de algum tipo de problema.
Apesar disso, também é bom lembrar que a mente pode apresentar problemas e/ou adoecer. Por exemplo, isto acontece quando alguém desenvolve ideias ou condutas que sistematicamente machucam a si mesmo ou aos outros, ou quando existe uma dificuldade severa para distinguir os fatos das fantasias.

A grande dificuldade está nas pessoas que têm problemas psicológicos e que muitas vezes não são conscientes disso. Em geral isso se reflete em um relacionamento de confrontos: quanto mais graves os problemas, menos consciente a pessoa é. Isso se deve ao fato de que a dificuldade se cria na mente, e essa mesma mente é a que realiza a avaliação.
Por isso é importante estar atentos aos sintomas. Estes se definem como traços, sinais ou características de conduta. Não são conclusivos, mas podem sugerir a existência de alguma dificuldade na mente. A seguir apresentamos alguns deles.

A percepção e os problemas na mente
A percepção é a capacidade de captar o mundo com os sentidos. Audição, visão, tato, paladar e olfato. O correto é perceber as cores, as formas, os cheiros, etc., tal como são. Está bem, ok, existe uma margem, o nosso sistema de percepção é especialista em nos “passar a perna” e não por isso existe um problema sério em nossas mentes. Para determinar se é ou não é, uma dica é avaliar se estas “passadas de perna” estão condicionando a sua vida, e se são ou não a causa de um mal-estar.
Às vezes nossas mentes percebem coisas que realmente não estão ali. Vemos, ouvimos ou sentimos alguma coisa que não existe. Isto é vivenciado de forma muito real, mesmo não sendo. É comum que todos alguma vez tenhamos alguma experiência alucinógena. É comum, por exemplo, quando estamos sozinhos ou estamos em uma casa antiga: nestas situações a mente amplifica a intensidade de qualquer tipo de estímulo. Pense que o problema aparece quando isso se torna constante e o mal-estar que provoca se intensifica.

-A organização do pensamento
É compreensível que todos tenhamos momentos ou fases de dispersão. Passamos de um assunto para outro, ou de uma atividade para outra, sem muita ordem. O estresse ainda faz o caos aumentar. Em geral, a consequência é “apenas” mais estresse.
O problema aparece quando essa dispersão se transforma em incoerência e se mantém de forma quase constante. Tal incoerência se refere a uma certa incapacidade de manter o fio de um pensamento ou de uma conversa. A pessoa pula de uma ideia para outra, sem nexo aparente entre uma e outra.

-O conteúdo do pensamento
O conteúdo do pensamento denota uma mente afetada quando tem certos traços. O mais notável deles é a fixação. As crenças inflexíveis e intensas são, em si mesmas, um problema. Mas quando além disso estão afastadas da realidade, podem ser fonte de grande angústia.
Uma coisa é que alguém ter uma convicção absurda, mas que consiga superá-la. Isso quer dizer que lhe causa um mal-estar, nem intenso, nem constante, nem frequente. Neste caso, poderíamos falar de uma intolerância. Mas se essa crença fixa causar grandes doses de angústia, poderíamos falar de um problema de outro nível.

-O estado de consciência
Na nossa vida diária existem muitos fatos que fogem da consciência. Isso é próprio de qualquer mente “normal”. Por exemplo, acontece quando levantamos da cadeira para fazer alguma coisa e, assim que ficamos de pé, esquecemos ou deixamos para trás de forma deliberada nossas intenções.
No caso destas fugas de consciência se tornarem corriqueiras, ou envolverem fatos relevantes, poderíamos falar de um problema na mente. Se alguém faz alguma coisa e depois não tem ideia de por que ou para que ou como o fez, então há uma boa razão para suspeitar.

-A mente e a atenção
Os problemas de atenção têm a ver com uma ausência ou excesso de concentração. Quando existe falta de foco, a mente dança de um lado para o outro, sem rumo. Por exemplo, a pessoa é incapaz de seguir uma instrução passo a passo.
Se, pelo contrário, existe um excesso de foco, a pessoa perde a atenção periférica. Isso quer dizer que é incapaz de se conectar com o entorno quando dirige a sua atenção para alguma coisa. Obviamente, para que seja um problema da mente este sintoma precisa ser severo e se manter presente durante o tempo que os critérios diagnósticos estipulam.

-A memória e o reconhecimento

Os lapsos de memória e a incapacidade de reconhecimento podem ter muitas causas. Surgem do estresse, da fadiga, ou do excesso de estímulos, entre outros fatores. A memória humana não é como a de um computador. Por exemplo, pense que as emoções influenciam muito na profundidade com que registramos um fato ou um dado.
O que algumas pessoas chamam de “lacunas mentais” ou amnésias parciais ou totais de fatos relevantes constituem um indicador de que alguma coisa está acontecendo naquela mente. O esquecimento recorrente, ou a incapacidade de reconhecer fatos nos quais esteve envolvido, são fontes de suspeita com fundamento.

-A linguagem e a mente
A linguagem é o principal veículo do pensamento.Uma linguagem clara fala de uma mente clara. Mas ao contrário, sempre que existe um problema na mente, isso se reflete em uma linguagem confusa, desorganizada ou pouco pertinente.
No campo da linguagem cabem expressões não estritamente verbais, como o tom de voz ou o gestual. Alguém que não é capaz de sustentar o olhar ou que faz excessivos movimentos quando fala também pode ter problemas. Lembre-se de que neste, como nos outros casos, é necessário que a análise seja feita por um profissional.

(Texto adaptado da Web)