domingo, 27 de maio de 2018

Filhos de pais emocionalmente imaturos: infâncias perdidas




Ser filho de pais emocionalmente imaturos deixa marcas profundas. Tanto que são muitas as crianças que acabam assumindo responsabilidades de adultos e que crescem antes da hora forçados por essa incompetência paterna, por esse vínculo frágil, descuidado e negligente que apaga infâncias e arrasa a autoestima.
Ninguém pode escolher seus pais, sabemos disso, e mesmo que sempre chegue a hora em que como adultos temos pleno direito de optar pelo tipo de tratamento que queremos estabelecer com eles, uma criança não consegue fazer isso. Porque nascer é quase como cair por uma chaminé. Há quem tenha a sorte de ser pego por progenitores maravilhosos, habilidosos e competentes que lhe permitirão crescer de forma segura, madura e digna.

Por outro lado, há quem tenha o azar de aterrissar nos braços de pais imaturos que determinarão de forma implacável as bases da sua personalidade. No entanto, os especialistas em psicologia infantil e dinâmica familiar sabem que nestes casos podem acontecer duas coisas muito interessantes, e ao mesmo tempo determinantes.

Os pais com uma personalidade claramente imatura e incompetente podem favorecer a criação de crianças tiranas, assim como imaturas. Contudo, também podem propiciar que as próprias crianças assumam o papel do adulto que os pais se negaram a exercer. É assim que alguns pequenos acabam se responsabilizando por seus irmãos menores, se encarregando das tarefas do lar ou assumindo decisões que não correspondem à idade.
Este último fato, por mais curioso que possa parecer, não fará com que essa criança seja mais corajosa, mais madura nem mais responsável de uma forma que possamos entender como saudável. O que acontece principalmente é criar pessoas que perderam a sua infância. Convidamos você a refletir sobre isso.

Uma coisa que todos concordamos é que ter filhos não nos transforma em verdadeiros pais. A maternidade, como a paternidade mais sadia e significativa, é demonstrada estando presente, dando um afeto verdadeiro, enriquecedor e forte para que essa criança seja parte da vida, e não um coração partido e vinculado somente ao medo, às carências e à baixa autoestima.

Uma coisa de que toda criança precisa, muito além do simples alimento e da roupa, é a acessibilidade emocional, madura e segura onde se sentir conectada a certas pessoas para entender o mundo e, por sua vez, entender a si mesma. Se isso falha, tudo desmorona. As emoções da criança ficam invalidadas pelo pai emocionalmente imaturo ou pela mãe que, preocupada somente consigo mesma, descuida dos sentimentos e das necessidades emocionais dos filhos.

Por outro lado, cabe dizer que este tipo de dinâmica é mais complexa do que parece à primeira vista. Tanto que é importante diferenciar 4 tipos de mães e pais emocionalmente imaturos.

1-  Pais e mães com comportamento errante e desigual. São pais muito instáveis emocionalmente, dos que hoje fazem promessas e amanhã não as cumprem. Pais que hoje estão muito presentes e amanhã fazem os filhos sentirem que são um estorvo.

2-Os pais impulsivos, por sua vez, são aqueles que agem sem pensar, que realizam planos sem avaliar as consequências, que vão de erro em erro e de imprudência em imprudência sem pesar suas atitudes.

3-A maternidade e a paternidade passiva constituem, sem dúvida, um dos exemplos mais claros de imaturidade. São os que não se envolvem, os que estão presentes mas ausentes, e os que baseiam sua criação no “deixa acontecer”.

4- Também é comum a figura de pais desdenhosos, aqueles que fazem seus filhos sentirem que são um estorvo ou indesejados, os que acham que a educação é não é para eles e é algo de que não querem participar.
Estes quatro perfis esculpem a batidas de decepção uma infância truncada, ferida e invalidada. Toda criança que crescer neste contexto vivenciará claros sentimentos de abandono, solidão, frustração e ira.
As consequências psicológicas que costumam prevalecer nestes casos são tão variadas quanto complexas: solidão emocional, autoexigência, incapacidade de estabelecer relacionamentos sólidos, sentimentos de culpa, contenção emocional, repressão da ira, ansiedade, pensamentos irracionais…

Superar estas feridas por causa de uma infância perdida e de pais imaturos não é tarefa fácil, mas não é impossível. A terapia cognitivo-comportamental é muito útil, assim como a aceitação da existência dessa ferida causada pelo abandono ou a negligência. Mais tarde virá a necessária reconciliação com nós mesmos, onde nos permitimos sentir raiva e frustração por uma infância roubada e onde nos obrigaram a crescer muito depressa e nos deixaram sozinhos muito cedo.

Perdemos a infância, mas a vida se abre diante de nós maravilhosa, livre, e sempre convidativa para nos permitirmos ser aquilo que sempre quisemos e que, sem dúvida, merecemos. Devemos conseguir que a imaturidade emocional de nossos pais não nos impeça de construir a felicidade presente e futura que não conseguimos ter no passado.Se não conseguirmos sozinhos, há uma infinidade de recursos em terapias as mais diversas para nos ajudar.

Texto adaptado da Web

domingo, 8 de abril de 2018

É hora de perdoar quando pais tóxicos envelhecem?




É hora de perdoar quando pais tóxicos envelhecem 
e se tornam frágeis?


“Querido pai, tu me perguntaste recentemente por que afirmo ter medo de ti. Eu não soube, como de costume, o que te responder, em parte justamente pelo medo que tenho de ti, em parte porque existem tantos detalhes na justificativa desse medo, que eu não poderia reuni-los no ato de falar de modo mais ou menos coerente”. É assim que começa “Carta ao pai”, texto escrito por Franz Kafka quando tinha 36 anos. O ano era 1919, e esse gênio da literatura já havia produzido “A metamorfose” e “O processo”, mas a carreira de escritor estava estagnada. No manuscrito de quase cem páginas, que nunca foi enviado a seu destinatário, Kafka fala do sentimento de nulidade que frequentemente o dominava e que, segundo ele, era fruto da relação aterrorizante que tinha com o pai, Hermann Kafka, um comerciante de modos brutais: “seja como for, éramos tão diferentes e nessa diferença tão perigosos um para o outro, que se alguém por acaso quisesse calcular por antecipação como eu, o filho que se desenvolvia devagar, e tu, o homem feito, se comportariam um em relação ao outro, poderia supor que tu simplesmente me esmagarias sob os pés, a ponto de não sobrar nada de mim”. O que aconteceria se o escritor, que morreu precocemente, tivesse que cuidar desse pai tirano?


É claro que pais e mães falham, como qualquer ser humano, mas me refiro a relações tóxicas, carregadas de perversidade, dentro de casa, o espaço que deveria ser de proteção e aconchego. Os abusos – físicos, verbais e até mesmo sexuais – causam danos tão severos que essas marcas acompanham os indivíduos por toda a sua vida. Todos deveriam ter acesso a ajuda terapêutica, mas não é o que acontece. Muitos não conseguem superar as humilhações e vivem existências dilaceradas. Pode ser que pais tóxicos e abusadores tenham aprendido esse comportamento com seus próprios pais, mas, ao serem incapazes de interromper esse ciclo de tormenta, deixam um legado de dor para as gerações seguintes. Romper com tudo também tem um alto custo emocional.

Legalmente, os filhos são responsáveis pelos pais idosos, mas o aspecto jurídico está longe de esgotar o assunto, como explica a psicóloga, psicanalista e especialista em gerontologia Eloisa Adler: “na verdade, o que emerge é a questão de como cuidar de pais velhos com quem não foram construídas relações amorosas no decorrer da vida. Normalmente pensamos no idoso como uma entidade em si, alguém vulnerável que precisa ser protegido, sem levar em conta sua trajetória, quando a história da relação familiar é fundamental nesse momento tão difícil do ciclo vital. 

Mesmo que a carga emocional de assistir ao declínio dos pais seja pesada, esse processo é menos penoso quando há um lastro de amor e afeto”. Não há soluções prontas, diz ela, mas a dificuldade do cuidado é agravada em relações familiares conflituosas. Na sua opinião, uma palavra – ressignificação – pode trazer esperança para guiar o comportamento desses filhos que sofreram: “pode ser impossível para a pessoa cuidar diretamente desse pai ou dessa mãe.
No entanto, esse filho ou filha pode administrar os cuidados, ou seja, zelar para que o idoso receba o atendimento adequado. Embora o envolvimento não seja o mesmo, este pode ser o caminho para buscar um novo sentido para aquela relação que foi tóxica no passado, e eventualmente aliviar o ressentimento de uma história de maus tratos ao longo da vida.

(Adaptado da Web)

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Comprovado: crianças que apanham podem sofrer cerca de 13 tipos de transtornos


Agora é comprovado: crianças que apanham podem sofrer cerca de 13 tipos de transtornos

Não é de hoje que se questiona a chamada “palmada pedagógica”, que é aquela que se utiliza com a justificativa de educar.Nossos familiares de gerações anteriores e ainda hoje muitas pessoas argumentam que apanhavam de cinta, chinelo, espada de São Jorge e hoje estão educados e formados. Sim, mas antes não se sabia tanto sobre os transtornos mentais que as famosas palmadas podem gerar.

Não é à toa que desde 2014 entrou em vigor a Lei da Palmada. Essa Lei proíbe qualquer tipo de agressão às crianças. E não é uma questão de superproteção ou de “passar a mão na cabeça” como dizem alguns, mas sim de entender os reflexos psicológicos que isso pode causar


O Journal of Family Psychology publicou uma pesquisa realizada na Universidade do Texas e de Michigan nos Estados Unidos que comprovou que crianças que levam “surra” podem desenvolver comportamentos antissociais e agressivos.Outros estudos, como o que foi realizado pela psicóloga Elizabeth Gershoff por mais de 20 anos constatou que há uma ligação estreita entre crianças que apanham e isolamento social, agressividade e doenças físicas e mentais.

Outro estudo da Universidade de Manitoba, no Canadá, com mais de 34 mil adultos identificou que os que sofreram algum tipo de agressão na infância tiveram maior tendência para doenças de peso, osseas e cardíacas.

Além dos problemas de saúde, qualquer tipo de agressão às crianças pode gerar sentimentos de injustiça e mágoa constante dos pais, assim como afastamento da família e dificuldades para comunicação, dificuldades para lidar com relações de poder e hierarquia ao longo da vida, baixa autoestima, dificuldades para lidar com ordens, baixa tolerância à frustração, personalidade intolerante e agressiva, além dos diferentes tipos de transtornos psicológicos que podem ser desencadeados por esse tipo de educação.

Crianças não precisam apanhar nunca, desde que os pais estejam preparados para educa-los, o que não acontece em 90% dos casos. O motivo do despreparo é a herança transgeracional, já  que os pais também são vitimas de outras vitimas, e esse ciclo se repete indefinidamente até que alguém busque ajuda, para quebrar seus traumas e crenças. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Tratamento psiquiátrico sem medicamentos?



Quem possui alguma ideia sobre saúde mental, provavelmente não concebe a existência dela sem medicação. Na sociedade contemporânea, praticamente todas as "doenças" mentais são susceptíveis de serem tratadas por drogas, independentemente do grau, muito menos quais são suas particularidades em relação à história de vida do paciente.

Como resultado de uma maneira de entender os conceitos de saúde, paciente, medicina e bem-estar, entre outros, acredita-se que todos os seres humanos podem ser tratados do mesmo jeito e que, por exemplo, uma depressão em uma mulher de 50 anos é idêntica a de um adolescente com 16. Em um homem que perdeu sua esposa ou uma jovem que não pode dormir à noite. E sob essa premissa, a todos são oferecidos a mesma solução: uma droga cuja promessa é trazer "equilíbrio", o que quer que isso represente.

Além disso, essa compreensão da saúde mental é tão dominante que pensar em outras alternativas pode ser considerado um absurdo, algo realmente louco.

No entanto, na Noruega, um projeto está sendo promovido buscando demonstrar a viabilidade de outra alternativa, ou seja, que é possível separar a saúde mental e psiquiátrica da abordagem farmacológica que dominou nossa cultura de saúde nos últimos 50 anos.

Na remota cidade de Tromso, no norte da Escandinávia, é onde fica o Hospital Psiquiátrico de Asgard, que já na entrada anuncia sua particularidade: "behandlingstilbud medikamentfritt", (livres do tratamento de drogas) slogan promovido pelo próprio Ministério da Saúde do país e que, entre outros fins, procura explorar outras formas de tratar a mente e seus distúrbios.

Qual é a alternativa? "Ouvir o paciente", disse Merete Astrup, diretora da instituição. 

A verdade é que, no que diz respeito à mente, suas "doenças" não são o resultado exclusivo de desequilíbrios neuroquímicos.  Depressão, ansiedade e outros distúrbios geralmente são sintomas nos quais às circunstâncias de nossas vidas são condensadas, mas que muitas vezes não compreendemos e ainda não exploramos.

Em outras palavras: não há duas pessoas no mundo que estão tristes pelos mesmos motivos. No entanto, a partir de uma abordagem moderna da mente humana, em vez de tentar entender essas razões, erroneamente para todos os indivíduos são oferecidos a mesma solução: um antidepressivo.

No momento não é possível saber até que ponto esse projeto lançado na Noruega chegará em outras partes do mundo. Entretanto, o mero gesto de ouvir o paciente psiquiátrico é, para os médicos que os tratam, um grande passo cuja direção talvez seja uma compreensão da saúde e do bem-estar como estados que fluem diretamente da subjetividade e das circunstâncias pessoais.

A iniciativa de estabelecer um modelo de tratamento psiquiátrico sem o uso de drogas vai na contramão dos interesses da indústria farmacêutica, motivo pelo qual provavelmente essa abordagem não ganhará destaque e, ao invés disso, infelizmente, deverá ser combatida por outros especialistas atrelados ao sistema.

( Texto adaptado da Web)


sábado, 28 de outubro de 2017

Não fale com sua filha sobre o seu corpo


Não fale com sua filha sobre o seu corpo, a não ser para mostrar-lhe como funciona. Não fale com sua filha sobre o seu corpo. Não diga nada se perdeu peso. Não lhe diga nada se aumentou de peso. Se você acha que o corpo de sua filha parece ótimo, não diga nada. Aqui estão algumas coisas que você pode lhe dizer em seu lugar:
“Você parece muito saudável!”, é uma opção muito boa. Ou que tal: ​​”Você parece muito forte?” Ou: “Se nota que você está feliz: brilha.”. Melhor ainda: elogie algo que não tem nada a ver com o seu corpo. Tampouco faça comentários sobre o corpo de outras mulheres. Não. Nenhum. Nem positivo, nem negativo.
Ensine a ela como ser amável com os demais, mas também como ser amável consigo mesma. Não se atreva a falar o quanto odeia seu corpo diante de sua filha, ou a falar sobre sua nova dieta. Melhor ainda, não faça dieta diante dela. Compre comida saudável. Prepare refeições saudáveis. Mas, não diga “por agora não estou comendo carboidratos”. Sua filha não deve pensar que os carboidratos são ruins, porque sentir vergonha do que você come apenas se traduz em ter vergonha de si mesma.
Incentive sua filha a correr porque isso a faz sentir-se menos estressada. Incentive-a a subir montanhas, porque não há lugar melhor para explorar sua espiritualidade que o topo do universo. Incentive-a escalar paredes ou fazer mountain bike, porque assusta, e, às vezes, isso é algo bom.

Ajude sua filha a gostar de futebol, de remo ou de hóquei, porque os esportes fazem dela uma melhor líder e uma mulher mais segura de si mesma. Explique a ela que não importa que idade tenha, nunca deixará de necessitar saber jogar bem em equipe. Nunca a faça jogar ou praticar um esporte que não adore por completo.

Talvez você e sua filha tenham coxas grossas ou grande caixa torácica. É fácil odiar essas partes do corpo tão longe de tamanho zero. Não o faça. Diga à sua filha que, se ela quiser, com suas pernas pode correr uma maratona, e que seu tórax não outra coisa que um bom estojo para carregar uns pulmões fortes. Pode gritar, pode cantar e pode levantar o mundo, se quiser.
Lembre à sua filha que o melhor que pode fazer com o seu corpo é usá-lo para mover a sua bela alma.

* Texto atribuído à María Montessori