quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vício pela Internet




M.- Estou precisando de ajuda, sou uma pessoa que prefere o contato virtual ao pessoal, sou viciada na internet, não gosto de sair, mas se deixar fico o dia todo na internet e a noite também. Parece uma espécie de fuga, onde o vazio sentido parece ser preenchido de alguma forma. Já me afastei várias vezes, mas infelizmente acabei voltando. Sempre retorno pra sites de relacionamentos. Parece que evito contato pessoal, mas como não consigo preencher o vazio fico nessa fuga horrorosa. Me atrapalha a vida pessoal, a vida profissional, porque logicamente não estudo. Preciso de sua ajuda pra superar. Sinto culpada por isso e ao mesmo tempo nunca sobrevivo sem.


Resposta:

O vício pela internet hoje é considerado um problema psíquico, como qualquer outro tipo de dependência: bebidas, jogo, drogas, compras, alimentos,etc
 Os principais sintomas envolvem: perder a noção do tempo online; não conseguir se concentrar em outras tarefas; isolamento da família e amigos; sentir culpa quando usa a internet; sofrer de ansiedade; ficar deprimido; atualmente ser menos ativo socialmente do que costumava ser.

A dependência de internet é 'tratável' como qualquer outra. Para isso existem terapias, algumas mais direcionadas e focadas, tratando especificamente o comportamento de uso da internet, criando novos hábitos.

Outras terapias entendem que pensamento pode gerar comportamento. E esses pensamentos (chamados pensamentos automáticos) ocorrem devido a uma crença central. A partir do momento que essa crença é identificada, pode-se trabalhar estratégias para modificá-la. Dessa forma, modificará os pensamentos e, consequentemente, o comportamento compulsivo.
 Por exemplo: a crença de que as pessoas não nos valorizam pode gerar um pensamento do tipo: "só consigo estabelecer contatos sociais pela internet, pois se as pessoas me conhecerem pessoalmente não vão gostar de mim".

Você precisa reencontrar algo perdido em si mesma para que possa encontrar novos caminhos para sua vida. Como em qualquer vício, o primeiro passo - e o mais importante e difícil- você já deu : perceber, aceitar e assumir sua dificuldade. Procure ajuda para andar mais rápido na direção da saída.  Abraço
Aglair Grein-psicanalista


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Desencontros




C.-Eu tenho 42 anos e fui casada durante 7 anos.. tenho duas filhas lindas.Depois da minha separacao que foi muito dolorosa(porque foi com a traicao da minha melhor amiga com o meu ex-esposo), me mostrei forte, mas hoje em dia sinto como isso atrapalha o meu relacionamento atual, pois sou muito ciumenta  e desconfiada.
Ja estou nesse relacionamento ha 2 anos onde tambem tive a decepcao de ser traida, e alem dele nao ser uma pessoa comunicativa, nao temos muito dialogo ,ate o dia que tomei a decisao de voltar para o Brasil, onde as minhas filhas vivem com o pai.So que nessa altura ele comecou se demonstrar mais afetivo e tinha ate intencoes de casamento. Fiquei 6 meses no Brasil, mas tambem sofri a falta dele.Depois de 6 meses começamos a conversar pela net e resolvi voltar por causa dele.Sei que ele tem sentimentos por mim,que tambem esta muito magoado. Nao estou sabendo lidar com isso, pois ele me humilha muito com palavras.Tenho muito medo de nao saber lidar com isso,e tambem porque nao sinto o apoio dele e vontade que que eu va...me sinto perdida e comeco a sentir novamente os sintomas da depressao.


Resposta:
 Cara C. , seu e mail está tão confuso quanto seus sentimentos. Veja bem : você foi traída duplamente no primeiro casamento e depois escolheu outro traidor. Não enxerga algumas evidências, pois, apesar de relatar que o atual companheiro a humilha ( humilhação é humilhação, seja com palavras ou atitudes) e não manifesta claramente querê-la ao seu lado, você se sente culpada pela mágoa dele. Dele? Culpa-se do que e por que?

Acredito  que se sinta perdida, pois não está dirigindo o olhar para si mesma, perdeu a referência do seu valor, do seu desejo. Antes de esperar que o outro a queira, está na hora de você mesma se querer. Quando deixamos nosso bem estar e nosso destino na mão do outro, nos arriscamos a entrar numa roubada.
Do que você foge quando procura um lugar para onde ir? Não será de si mesma ? Faça um viagem para dentro de si afim de descobrir o que te impele a procurar e aceitar traições, humilhações e situações de insegurança. Gosto do Mia Couto quando diz que não precisamos procurar um lugar para ser feliz : nós devemos SER o lugar. 

É bom ainda cuidar da depressão para que não evolua. Isso não quer dizer tomar remédios para anestesiar sua angústia, mas sim procurar um apoio psicoterápico para resolver pendências emocionais da sua história de vida, do casamento anterior ( para não mais repetí-lo), para se reencontrar e se orientar. Abraço
Aglair Grein-psicanalista



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Família: as brigas cotidianas



M.R.
O meu cotidiano tem a ver com seu post da "violência ou agressão psicológica", que as vezes, sinto que estou cometendo com minha filha, que mora comigo, e tem dois filhos , e que os mantenho em minha casa, dando abrigo e ajudando financeiramente. Nossas brigas cotidianas são constantes, principalmente, na maneira de como ela encara sua vida em relação aos filhos e da forma como mantem seus quartos com roupas jogadas no chão, suas e de seus filhos, com os guarda-roupas livres e sem nenhuma peça no seu devido lugar -  ela é a filha mais velha e a tal da ovelha negra, porém, é trabalhadora, não falta no serviço e se esforça em conseguir se libertar da minha tutela, porém, sem grandes conquistas. Te pergunto: Isto é algum problema de ordem psicológica ou desvio de comportamento?


Resposta
Antes de tudo, parabéns pela iniciativa de dar um passo para mudar a situação.
Uma família funciona  numa dinâmica em que todos se afetam e provocam uns aos outros ações e reações, como numa engrenagem.Não é possível determinar aqui o que causa o comportamento da 'ovelha negra' (a ovelha negra é o 'sintoma' de uma desordem  familiar- não é necessariamente má, mas sim diferente), sem que se  analise sem paixão essa dinâmica. Há uma história familiar, onde não encontramos bandidos e mocinhos, mas comportamentos que originam conflitos. O que sua filha sinaliza com a falta de organização  - o que não ocorre fora de casa - pode ser uma forma de chamar a atenção para si, de manter-se numa rebeldia infantil, de mostrar que ainda precisa de cuidados.

Todo tipo de comportamento humano é decorrente de fatores de ordem psicológica, inclusive o seu quando a insulta, ameaça ou humilha. Mesmo com a intenção de estimulá-la, não é saudável. Nem para ela, nem para si mesmo. Você deve saber disso, senão não estaria incomodado.

De modo geral, é muito difícil para os envolvidos detectarem os 'nós' do problema relacional familiar, mas se cada um se dispuser a procurar em si o que pode ser melhorado- antes de acusar ou cobrar do outro- certamente as coisas tenderão a melhorar. Promover periodicamente conversas amigáveis, dirigidas a encontrar soluções, onde todos sejam livres para opinar- sem ofensas e ameaças - onde cada um ouça de verdade as razões do outro, poderá ser um útil exercício de construção da harmonia.  Abraço
Aglair Grein-Psicanalista

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Na corda bamba




L.R- Tenho 32 anos, solteira, moro há 10 anos com uma familia de parentes, e não sou feliz.Tenho um bom emprego, mas ele não me dá condição para viver sozinha. O que mais me faz sofrer é o sentimento de distancia dos meus pais e irmãos.Lembro que desde muito pequena morei com uma tia, com minha avó..sempre fora da casa dos meus pais. E eu gostava, chorava se ficasse em casa..Tenho saudades deles hoje, encontro as vezes quando vou visitá-los, mas não me sinto eu mesma junto com eles.Implico com manias, discuto, corrijo, critico e depois volto cheia de culpa e saudades.Fora isso, não tenho tido sorte no amor, encontro sempre homens errados, não sei como agir com eles.Tipo, não sei se telefono ou espero a iniciativa deles, não sei se estão afim e me seguro pra não mostrar sentimento e ficar exposta, é uma confusão que prefiro nem entrar nessas.Faz 2 anos que não tenho ninguém e a vida vai passando.Faço planos de mudar, mas não saem dos planos. Acho que não gosto de mim, sabe?



Cara L.R, veja bem que seus sentimentos são confusos e divididos com relação a seus pais e irmãos e também com os parceiros amorosos. Você não se sente "você mesma" em lugar algum ? Isso não acontece por acaso.  Percebo você, pelo que escreve, sem raízes, equilibrada numa corda bamba, sem confiança em si mesma e, por consequência, sem poder confiar nos outros.  Desta maneira fica muito difícil decidir sua vida, em todas as áreas: a escolha de um amor, a mudança para um lugar só seu, um trabalho que lhe propicie a independência financeira, e tudo mais.

Está claro que antes de tudo, para que as coisas aconteçam na sua vida, você terá que se conhecer, procurar no passado as razões da sua insegurança, encontrar um lugar no mundo que você possa ocupar de verdade. Precisa se reconstruir, construindo um renascimento e uma infância  por conta própria..  Como disse alguém , "as pessoas não nascem somente das suas mães, mas dão à luz a si mesmas muitas vezes durante a vida." Procure o suporte da psicanálise para este renascimento.Coragem ! abraço
Aglair Grein-Psicanalista

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Medo da morte



A.C- Tenho 41 anos, 2 filhas, e tenho um medo terrível da morte, e isso acaba me atrapalhando de Viver. Sou uma pessoa (me considero) esclarecida, leio sobre muitos artigos, mas esse medo me paralisa, fico imaginando como vai ser quando eu receber a noticia de que meu pai ou mãe ou marido, filhas morrer. Fico  pensando em como vai ser para minha família se eles receberem a noticia que eu morri ...  Esses pensamentos me atormentam, em cada aniversário que comemoro meu e dos meus. Já tomei Sertralina e aprendi um pouco a entender os sintomas da ansiedade, eu sei o que é certo mais não sei praticar isso .Por exemplo um dia uma amiga me contou que seu irmão antes de morrer pediu um copo de água, até hoje não consigo pedir que me deem um copo de água antes de dormir...Não sei o que fazer, ou melhor sei que da morte não escaparemos, mas sofro em pensar como e quando ela chegará. Tenho lutado muito contra meus pensamentos, mas as vezes se torna doloroso e difícil. Deixo de fazer muitas coisas virando assim escrava desse medo. Podes me ajudar ?

Resposta:

Você não está sozinha com seu medo, minha cara. Raros são os que falam com (aparente) tranquilidade sobre a morte. Este medo não é inato, mas comum a todos os mortais. Pensar na morte nunca é fácil, mesmo que seja parte de um processo natural, como é o nascimento. 

No entanto, seus pensamentos recorrentes e limitadores não são saudáveis e necessitam de atenção. Existem algumas hipóteses que  poderíamos levantar que pudessem justificar seu sofrimento,  mas nada que coubesse em uma resposta rápida, sem uma análise da sua história de vida e das características da sua personalidade.

O pensamento oriental nos ensina que a morte é mais temida por aqueles que têm uma vida mal vivida - ou não vivida. Diz que quem vive intensamente não teme a morte. Como você está vivendo a sua vida ? Lembre-se que quem teme sofrer já sofre o que teme.

Os remédios ajudam, mas não resolvem. Anestesiam os sentimentos e podem dar conforto temporário, mas a angústia pode voltar à tona se não for resolvida. Você deveria investigar com mais seriedade as raízes desta fixação com o inevitável, com a única garantia de todos os seres vivos. Deveria expressar mais seu medo, de preferência com um psicoterapeuta, até para descartar a hipótese de uma depressão ou outro distúrbio. Além do mais,  refletir e elaborar as questões relativas à morte pode transformar sua vida. É bem possível que levando seus fantasmas para tomar sol, eles desapareçam.

Como disse Gilberto Gil:
" Não tenho medo da morte, mas sim medo de morrer.
Qual seria a diferença?- você há de perguntar...
É que a morte já é depois que eu parar de respirar
E morrer ainda é aqui na vida, no sol, no ar...

Abraço,
Aglair Grein- psicanalista





segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Mais um grito de socorro





S.-Ando muito perturbada, estou exagerando nos cigarros, a bebida até que consigo controlar, percebi que estou até perdendo peso. O meu problema é que fico esperando o momento certo para me separar e cada vez que tento conversar meu marido me interrompe, e diz pra eu parar de reclamar.
 Ele até que tem sido gentil e amoroso, mas estou tão cheia mágoas, que sinto esse vazio, até o sexo me parece vazio.
Recebi uma proposta de emprego e nem isso foi capaz de me empolgar, pois sei que meu problema não está no trabalho e sim dentro de mim. Algumas vezes paro na janela do quarto e penso se eu seria capaz de cair 5 andares abaixo...final de semana passo o dia todo em casa, enquanto ele está no trabalho, e quando ele chega me leva passear, e vou sem nenhuma vontade ou vaidade.
Isso está acabando comigo!!! Eu queria tanto ficar bem, já não tenho mais motivação para tentar 'salvar' esse casamento mas também não estou certa se a separação será a minha salvação.Choro sozinha pelos cantos, muitas vezes até mesmo no trabalho.. Agora estou aqui, redigindo um e mail com mais um choro. Encaminho essa mensagem como um desabafo e mais um grito de socorro.

Resposta:
Como não mencionou há quanto tempo sente-se assim, não há como afirmar com certeza se está em crise devido ao casamento ou sofrendo de Depressão. A sua infelicidade - incluindo no casamento- tanto pode ser causa como consequência de um estado depressivo.

Por outro lado, se as dificuldades da vida sempre causassem depressão, todas as pessoas estariam deprimidas e não é isto que acontece. Os eventos estressantes provavelmente disparam a Depressão - que é uma doença - nas pessoas predispostas, vulneráveis.
Uma boa comparação para esclarecer as diferenças entre a Depressão e a tristeza normal é a diferença entre Clima e Tempo. O Clima de uma região determina como ela se comporta ao longo do ano por anos a fio. O Tempo é a pequena variação que ocorre com o Clima.  O Clima é o estado dominante ( Depressão) e o Tempo ( tristeza ) as variações que existem dentro dessa faixa.

Se está sentindo isso há mais de 15 dias, o mais urgente neste momento é procurar ajuda para melhorar seu estado psicológico.As decisões ficam mais difíceis e até impossíveis quando não estamos em equilíbrio.Não espere que seu marido, amigos ou familiares entendam seu sofrimento.Por mais que tenham boa vontade e a intenção de ajudá-la, não sabem como fazê-lo, pois ninguém sabe o que um deprimido sente, só ele mesmo e talvez quem tenha passado por isso.
Repito : Depressão é uma doença e tem tratamento, que não quer dizer, como muitos pensam, necessariamente tomar remédio.Procure a ajuda de uma terapia o mais rápidamente possível, pois para tudo nesta vida existe solução. Abraço

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Eu, Ele... e as mulheres dele





A.-Há 16 anos tenho um relacionamento. Quando o conheci ele era casado. Mesmo casado e antes de me conhecer teve um filho com outra mulher. Depois de estarmos juntos por 5 anos a mulher dele engravidou. Ele já estava de caso comigo, com a mãe do outro filho dele e ainda arranjou mais uma mulher. Esta terceira mulher fez um escândalo na porta da casa dele e ele se separou. Então ele se casou com esta terceira mulher, pois ela tinha metade da idade dele, 19 anos e engravidou. Estou com ele durante todo esse tempo. Vem mulheres, vão mulheres. Ele faz tudo para mim. Nos vemos todos os dias no horário do almoço. Saímos e viajamos muito. A atual mulher dele sabe de mim. Agora, 16 anos depois descobrimos eu e a mulher dele que ele tem um relacionamento com uma outra mulher há 4 anos.Aglair, amo esse homem, mas o que é isso? Sou feliz a seu lado, mas confesso que depois desta outra mulher estou muito chateada. Mas não consigo deixá-lo. De todas eu sou a que passeia mais, viaja mais, tem mais atenção dele.


Resposta:
Mulheres se envolverem com homens casados é algo tão antigo como o próprio casamento. 
Algumas mulheres, não se sabe por que, são fascinadas pelos romances difíceis, complicados, pelo desafio de provarem que a força do seu amor é suficiente para enfrentar o mundo, inclusive para quebrar as juras de um casamento, que dos seus pontos de vista (acreditando no que diz comumente o amado) está falido.

Infelizmente, considerando este perfil de homem, o mais provável é que se um dia aparecer uma outra mulher mais interessante e der mole, ele vai substituir a(s) amante(s), é claro, ou vai ficar com todas, como aconteceu no seu caso. E, quando todas carregam no sangue o gosto pela competição- além de esperarem muito pouco de um relacionamento- o círculo se fecha.

 Isso não quer dizer que você não possa ser feliz dividindo-o com outra(s), afinal quem pode saber o que é melhor para você é você mesma.  

Não acredito, porém,  que tenha me procurado somente para que eu a autorize.Se me consultou,  deve haver algum outro incômodo importante - que talvez nem você mesma tenha plena consciência - por trás desta felicidade. Talvez você comece a perceber que merece mais do que 1/3 de homem. Mais do que almoços diários, viagens esporádicas e muita adrenalina. Talvez comece a perceber que se contenta com muito pouco, mesmo sentindo-se a preferida... Nós aceitamos o amor que acreditamos merecer. É bom analisar isso, de preferência  numa terapia, que vai ajudá-la a descobrir por que você escolhe viver uma relação a três ou quatro pessoas, para descobrir por que tem evitado uma relação plena. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista







sábado, 13 de outubro de 2012

Amor platônico







 A.-Bem, sou uma pessoa bem resolvida, ao menos é o que imagino. Porém há um ano e três meses o homem que escolhi para passar o resto da minha vida e ter filhos faleceu. Não consigo dar passo algum em relação a outras pessoas. Me interessei por um rapaz há nove meses, tentei uma aproximação, o que tornou tudo mais difícil. Sou voluntária, ele trabalha coordenando esse setor que trabalho. O fato de ter de prestar contas a ele dificultou tudo. Creio que ele viu essa aproximação como algo antiético e passou a me ignorar quando percebeu minha estratégia de aproximação. Creio que seja solteiro, mas como conheço apenas uma amiga em comum, tenho receio de pedir a ela que nos apresente.Consegui o número do celular dele, por meios não muitos legais, creio que ele ficará bem aborrecido se souber. Enviei uns torpedos sem respostas. Enfim apenas especulações...Help me Please !!!

Resposta:
Acontece muitas vezes de pessoas se apaixonarem por outras que nem as enxergam na sua frente.Muito desgastante e sempre dolorosa essa situação. Ele não parece estar interessado em você ou, talvez, em nenhum relacionamento. Uma hora você vai descobrir que está vivendo uma ilusão, que não existia ninguém mais envolvido a não ser você mesma e seu desejo de amar e ser amada.Amor- apesar de funcionar como- não deve ser ansiosamente buscado como um energético para nosso bem estar, para nossa autoestima, para colorir nossa vida. Não se trata de dizer que você é fraca por entrar nesta roubada, pois ninguém pode se achar tão forte para evitar que isso aconteça.


Espere para investir numa relação real e correspondida. Não se precipite procurando preencher um vazio com Nada. Nada além de ilusões e devaneios.Cuide-se no sentido de ir se despindo pouco a pouco de todos os resíduos da perda do seu amado. Sem pressa. Nossa mente e nosso coração nos traem e não nos avisam de certas manobras perigosas que usamos para fugir da solidão. Por isso se apaixonar é tão fácil. E por isso também, na maioria das vezes, desapaixonar é tão doloroso. Abraço
Aglair Grein-Psicanalista

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Mulheres bem sucedidas




F.M.-Tenho 33 anos, um ótimo emprego, sou uma mulher bem sucedida, independente, mas não tenho sorte em se tratando de relacionamentos. Casei aos 22 anos, me separei depois de 4 anos porque ele me traía descaradamente.Fiquei sozinha um tempo e conheci meu atual namorado na praia, onde ele morava.Ele mudou-se para minha casa depois de 5 meses e trabalha em casa, como designer gráfico, sem compromisso de horários. O que acontece hoje é que ele leva vida de solteiro. Quando dá na telha pega meu carro e vai pra praia surfar com os amigos por uns dias, e só me avisa quando está lá. Não colabora com nada nas despesas ou manutenção da casa, chego do trabalho e encontro a turma dele a jogar videogame e tomar cerveja  ...Já brigamos muito por isso, mas não resolve, nada muda.Quando reclamo, me chama de mesquinha, dinheirista e ameaça me deixar.Semana passada vi uma conversa dele no Msn com uma mulher, o tom era de intimidade e virei louca, perdi o controle, mas ele disse que é amizade, que me ama, que eu estou vendo fantasma. Pior é que eu tenho medo de estar louca mesmo...Sou sozinha, sem familia por perto, morro de angústia só de pensar em deixá-lo.O que eu faço?


Resposta:
Nem sempre as mulheres bem sucedidas profissionalmente estão tranquilas e satisfeitas (como dizem e aparentam) nas relações amorosas ou sociais. Algumas sentem-se isoladas, solitárias ou impossibilitadas de mudar de parceiro afetivo, e, às vezes, a ele se escravizam. Preferem continuar com o que já existe, a buscar uma nova oportunidade. Não se encorajam para se afastar e acreditam que ele pode mudar, mesmo que nada indique que isso poderá acontecer. A independência emocional  não corresponde à financeira.

Há um papel complementar, um ganho secundário da sua parte, neste vínculo afetivo. Você parece precisar deste parceiro para suprir suas próprias necessidades, carências ou dependência. 

Mesmo conscientizada do fato que ele age com irresponsabilidade, está impossibilitada de resolver o caso só com a conscientização. Você precisa resolver outros assuntos ligados à sua condição feminina para mudar essa situação.
Para ser capaz de dizer NÃO você precisa resolver suas carências, sua dependência emocional. Uma psicoterapia deveria estar nos seus planos.

Ele, o namorado, é quem é, e parece estar se sentindo bem como é. A incomodada é você.
 Diz o ditado: 'os incomodados que se mudem.' -Mas antes, que se capacitem emocionalmente, digo eu. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Amores impossíveis




V.S.-Tenho 28 anos e está fazendo 4 anos que não namoro. Nunca rola. Ou o cara fica afim e eu não, ou eu fico afim e ele não... Esta falta de ser amada como mulher me faz muito mal e a cada perda é outro abandono, expectativas frustradas e eu sofro muito. Eu viro uma amiga pra beber, papo, ombro e sexo esporadicamente, diversão ou carência! Como se eu fosse muito foda mas não digna de amor. Quero ficar com quem EU gosto E goste de mim, quero me apaixonar pela pessoa e isto acontece, só não acerto o "por quem". Sei que eu estou errando na escolha mas não sei onde e como. Porque eles não fazem o tipo canalhas e eu não acho NADA em comum entre eles que eu pudesse dizer: "é isto".E quando o cara se pilha eu arrumo defeito, depois que ele se foi ou engatou com alguém penso que poderia ter oportunizado.  Alguns deles já me procuraram depois de meses querendo "começar de novo" que "não deu valor" mas aí eu já despilhei... Eu devo estar passando a imagem errada ou assusto. Acho que eu tenho um problema muito grave. Me dê uma luz, por favor, por onde posso começar a procurar o(s) meu(s) defeito(s)?


Resposta:
A escolha do parceiro - para homens e mulheres - está cercada por conteúdos inconscientes e projetivos. Existe, entre outras, uma grande influência dos modelos parentais na escolha e estabelecimento de vínculos amorosos, sendo este transmitido de uma geração para outra. Repetidamente vemos homens e mulheres procurarem em seus parceiros características semelhantes às da mãe e do pai, assim, inconscientemente. Desejando o impossível, o inatingível.

A busca por parceiros inatingíveis pode ser até comum na adolescência, mas a persistência, a repetição destes amores não correspondidos pode indicar a necessidade de resolução desta fixação.

Além disso, mesmo que você afirme que seus parceiros nada têm em comum, uma pessoa tende sempre a escolher e se relacionar com o mesmo modelo, com características similares sutis que você provavelmente não está conseguindo enxergar. 
Só desejar o impossível  é uma forma de evitar o que é possível. 

Para ficar livre deste modelo, deve ocorrer antes uma ressignificação de tudo o que viveu e vive, através da análise criteriosa da sua história, crenças, e conteúdos inconscientes. A psicanálise é muito bem indicada ao seu caso.  Abraço
Aglair Grein-Psicanalista

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O sofrimento no TOC





Meu nome é C., tenho 36 anos, sou divorciada e tenho uma filha de 9 anos.Desde que me entendo por gente sofro de TOC. A questão é que de uns tempos para cá a situação começou a se agravar e meu sofrimento tem sido intenso. Repetição de rituais, baixíssima autoestima, enfim sintomas que você deve conhecer pela sua experiência profissional. Fiz uso de medicamentos. Porém, o que realmente queria e quero, do fundo da minha alma, é conseguir viver com mais leveza e plenitude.
Na sua opinião, como devo praticar a terapia comportamental?


Resposta:
O TOC ( Transtorno Obsessivo Compulsivo) é um distúrbio de ansiedade bastante comum, que se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões, suficientemente graves para ocupar boa parte do tempo do indivíduo, causando desconforto e comprometendo seu desempenho profissional e suas relações interpessoais. Além do impulso para determinados rituais (organização, limpeza e outros), a pessoa pode ficar refém de pensamentos repetitivos e incontroláveis.

Ao lado da possibilidade de causa por fatores biológicos, fatores de ordem psicológica- como aprendizagens errôneas e crenças distorcidas- adquiridas em razão da educação, da cultura, do meio ambiente, podem contribuir para o aparecimento dos sintomas do TOC e, principalmente, para sua manutenção. É sobre essas causas que a terapia cognitivo- comportamental atua, e seu objetivo é justamente modificá-las.
Os tratamentos mais modernos para o TOC são feitos com medicamentos antidepressivos associados com a terapia cognitivo-comportamental.

Na terapia, além das sessões nas quais recebe informações sobre o TOC e sobre os recursos e técnicas para vencer os sintomas, o paciente faz exercícios práticos junto com o terapeuta, aprendendo a usar os recursos para, depois, utilizá-los em seu próprio domicílio ou local de trabalho. Espero que estas informações sejam úteis e a estimulem a persistir no tratamento. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista