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Família: as brigas cotidianas



M.R.
O meu cotidiano tem a ver com seu post da "violência ou agressão psicológica", que as vezes, sinto que estou cometendo com minha filha, que mora comigo, e tem dois filhos , e que os mantenho em minha casa, dando abrigo e ajudando financeiramente. Nossas brigas cotidianas são constantes, principalmente, na maneira de como ela encara sua vida em relação aos filhos e da forma como mantem seus quartos com roupas jogadas no chão, suas e de seus filhos, com os guarda-roupas livres e sem nenhuma peça no seu devido lugar -  ela é a filha mais velha e a tal da ovelha negra, porém, é trabalhadora, não falta no serviço e se esforça em conseguir se libertar da minha tutela, porém, sem grandes conquistas. Te pergunto: Isto é algum problema de ordem psicológica ou desvio de comportamento?


Resposta
Antes de tudo, parabéns pela iniciativa de dar um passo para mudar a situação.
Uma família funciona  numa dinâmica em que todos se afetam e provocam uns aos outros ações e reações, como numa engrenagem.Não é possível determinar aqui o que causa o comportamento da 'ovelha negra' (a ovelha negra é o 'sintoma' de uma desordem  familiar- não é necessariamente má, mas sim diferente), sem que se  analise sem paixão essa dinâmica. Há uma história familiar, onde não encontramos bandidos e mocinhos, mas comportamentos que originam conflitos. O que sua filha sinaliza com a falta de organização  - o que não ocorre fora de casa - pode ser uma forma de chamar a atenção para si, de manter-se numa rebeldia infantil, de mostrar que ainda precisa de cuidados.

Todo tipo de comportamento humano é decorrente de fatores de ordem psicológica, inclusive o seu quando a insulta, ameaça ou humilha. Mesmo com a intenção de estimulá-la, não é saudável. Nem para ela, nem para si mesmo. Você deve saber disso, senão não estaria incomodado.

De modo geral, é muito difícil para os envolvidos detectarem os 'nós' do problema relacional familiar, mas se cada um se dispuser a procurar em si o que pode ser melhorado- antes de acusar ou cobrar do outro- certamente as coisas tenderão a melhorar. Promover periodicamente conversas amigáveis, dirigidas a encontrar soluções, onde todos sejam livres para opinar- sem ofensas e ameaças - onde cada um ouça de verdade as razões do outro, poderá ser um útil exercício de construção da harmonia.  Abraço
Aglair Grein-Psicanalista

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