segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Doente e sem um amor



 L. Tenho 43 anos, sou solteira, nunca casei, mas sempre tive esse sonho, sempre me senti sozinha. Todos os relacionamentos que tive  (não foram muitos) foram conturbados e assim a idade passou e eu não constituí família. Estou a 3 anos e meio sozinha e a mais de um ano doente, uma doença crônica que está se agravando, quase não saio de casa, afastei-me das minhas atividades, porém,os sentimentos continuam, o coração continua a bater com vontade de ter alguém, inclusive, me apaixono.Angustio-me em saber que ninguém irá olhar para uma pessoa doente, que as minhas chances são quase nulas, sinto vontade de ter alguém, mas por mais que eu tenha uma boa presença e não represente a  idade que eu tenho, todos veem que estou com problemas de saúde. Estou me tratando, mas não sei até quando terei que conviver com essa doença, já fiz psicoterapia, mas devido a doença não pude comparecer mais e estou precisando muito. Será que quem é doente não tem vez para o amor? Sei que o homem é mais visão e tem menos tolerância a lidar com a doença, por isso, acho que o meu destino é sozinha como sempre soube desde a minha adolescência onde não era doente, mas já me sentia sozinha. Aguardo sua ajuda.


Resposta:
Você se apresenta dizendo que é doente e sem amor. É cronicamente doente porque sem amor, ou sem amor porque é doente ? Fico com a primeira alternativa, já que diz sentir-se sozinha desde muito tempo. E mais : desde adolescente "sempre soube" que era este seu destino. Destino ou sua profecia ?

A base do amor do outro é o nosso amor próprio, que ao ser emitido, recebe seu reflexo. Em outras palavras, a falta de amor reflete a falta de amor próprio, então para amar - e ser amada - é preciso recuperar a própria identidade. Podemos perceber que muitas pessoas adoecem pela falta de amor próprio e em conseqüência, desejam desesperadamente o amor dos outros como forma de compensar a falta de amor por si mesmas.

Quando adoecemos devemos perceber como um sinal de que devemos olhar profundamente para dentro de nós mesmos.Olhar sem medo para o passado, para toda a nossa vida.O que ficou mal resolvido ou fez com que se sentisse rejeitada, abandonada, sem valor, sentindo que não merece sequer receber amor?
Caso esta busca seja muito difícil ou infrutífera, recomendo que volte a procurar ajuda da psicanálise, num trabalho sério onde você mergulhe de verdade.
É preciso livrar-se deste desamparo, desta vitimização, do contrário, sua vida não muda. Para se liberar, tem que falar e ser ouvida até descobrir qual a origem da baixa auto estima que a martiriza .
Viver é pensar, sentir, analisar e agir o tempo todo. Não espere mais ! Abraço
Aglair Grein-psicanalista




2 comentários:

  1. Tudo correto o que escreveu,não é meu caso,apesar de as vezes minha auto estima ir parar no subsolo.O que acho bastante complicado é descobrir a origem da baixa auto estima.São tantos os caminhos:pode ser tanta coisa.E tem que ter muita lucidez e excelente profissional para se conseguir chegar no ponto de partida.A gente é tão desconhecida da gente mesmo que as vezes a baixa estima que a pessoa aprendeu a lidar doí menos que descobrir as razões e depois não conseguir lidar.Você escreve coisas muito bonitas que nos fazem refletir.

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  2. Que maravilha de texto!!! Parabéns...

    Bj
    Helô

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