segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O sofá do passado





S.- Tenho 46 anos um filho de 20 e estou no segundo casamento. Fui casada 20 anos e precisei ter muita força para enfrentar minha separação e mais ainda para casar novamente. Quando eu era jovem, era uma pessoa sagaz, atirada e me destacava. Tinha espírito combatente e isto me possibilitou muito cedo conquistar empregos em empresas cobiçadas.  Acabei casando cedo, acho até que tinha baixa auto-estima  achava que não era merecedora de um marido que me amasse de verdade e me respeitasse. Eu me "contentava" com minha vida instável, cheia de altos e baixos e me dediquei fortemente à criação de meu filho e a fazer aquele relacionamento durar. Até que não aguentei, pois os problemas foram piorando (bebidas, traições) e me separei.

Neste ínterim sufoquei o meu potencial para o trabalho. Não fiz faculdade . Voltei para o mercado de trabalho aos 39 anos.  Já tentei várias áreas, mas não me encontrei. Diante de tantas tentativas, sinto que me perdi. Hoje eu trabalho como corretora de imóveis mas vivo pensando em outras possibilidades. Sinto muita falta de realização. Quando olho para o passado, quando era jovem e apaixonada pela vida, meu maior desejo era ter feito Psicologia. Hoje, com uma visão mais crítica, embora eu goste desta área, não sei se valeria à pena.

Resposta:
O que você fez daquele espírito combativo do passado? Da paixão pela vida ? Sua essência não mudou, o que acontece é que você  deixou-se levar pelas circunstâncias, dedicou-se ao filho e aos maridos, e abriu mão de uma parte de si mesma. E foi o que poderia ter feito com os recursos que tinha na época. Mas nunca é tarde para realizar sonhos, desde que os medos sejam enfrentados e o passado não seja um sofá onde descansamos e justificamos nossa estagnação. O passado deve servir de trampolim para as novas conquistas.

Assisto diariamente na clínica muitas pessoas alcançarem a realização pessoal e profissional nesta fase da vida, com recomeços corajosos. O que elas fazem de especial ? Fazem  uma leitura diferente do passado, sem auto comiseração, sem vitimização, mas conscientes de que se foram capazes de superar obstáculos imensos, serão capazes de retomar as rédeas da própria vida em qualquer etapa. A vida é feita de recomeços e nem sempre um final é o fim.
Se sentir que necessita de ajuda profissional numa terapia, não hesite. Nem sempre somos capazes de resolver nossas questões sem ajuda. Use a coragem que está aí, em algum lugar esquecida dentro de você, e vá ao encontro de si mesma. Abraço
Aglair Grein-Psicanalista

Um comentário:

  1. Maravilhosa resposta, me enquadro perfeitamente no perfil dessa moça, me encontro com 46 anos, e voltando a faculdade, enfrentando novos começos e medos, e com muita esperança de mudanças que virão a seu tempo...um passo foi dado, sai do lugar e prossigo para realizações que virão a seu tempo....amei conhecê-la!

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