quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Meu mundo caiu






 C.- Eu tenho 30 anos namorei por 6 anos e nesse espaço de tempo eu não prossegui com minha vida. Eu ficava em função da vida dele, não que ele fizesse com que eu agisse assim... eu é que vivia em função dele. Terminamos no final do ano passado e desde então não consegui me envolver com mais ninguém . Tive que viajar no mês passado e me encontrei com um rapaz que conheci pela internet, que me pareceu estar super interessado  mas depois de uma semana ele me aparece namorando uma garota. Estou péssima, nem sei se consegui te explicar o que estou sentindo e o que aconteceu comigo ou  melhor  o que esta acontecendo. To começando a sentir falta do meu ex. Não quero sentir isso. Mas o que vem na minha cabeça é que só ele pode me dar o que eu preciso, que não vou achar mais ninguém. Me ajude a entender isso.


Resposta:

O que está acontecendo com você é puro desamparo. O seu relato  indica que se anula quando está com um parceiro, vive a vida do outro . Essa fragilidade desmedida vem da dependência na relação amorosa e é devida a um jeito 'torto' de se relacionar. Algumas pessoas não só se entregam, mas abandonam a si mesmas e fundem-se ao outro, tornando-se parte dele. Quando há afastamento ou rompimento, ficam perdidas, sem eixo. Como se tivessem que ter sempre alguém ao lado para validar a própria existência.

A fantasia de voltar para o ex pode ser um recurso desesperado para não ficar sozinha. Como se o ex, que já te salvou um dia, pudesse voltar a salvá-la. Quem tem que salvar-se é você mesma, com decisão e coragem.

Procure a resposta às tuas questões em tua história familiar ou em tua educação, já que as mulheres são freqüentemente educadas para servir, agradar, depender de um homem que as ampare. Uma terapia iria te beneficiar muito, até para que, no desespero, não se ligue a alguém que não a mereça e volte a se fundir, procurando teu eixo em outra pessoa.

A vida não admite representantes: ninguém pode conquistar maturidade por nós, ninguém pode crescer por nós. Como diz aquela música antiga da  Maysa Matarazzo : " Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar... " Abraço
Aglair Grein-Psicanalista

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O que é o TOC ?


Considerado raro até há pouco tempo, o TOC ( Transtorno Obsessivo Compulsivo) é uma doença bastante comum, acometendo, aproximadamente, um em cada 40 ou 50 indivíduos. No Brasil, é provável que existam entre 3 e 4 milhões de portadores. Muitas dessas pessoas, embora tenham suas vidas gravemente comprometidas pelos sintomas, nunca foram diagnosticadas e mais dificilmente ainda, tratadas.

Talvez a maioria desconheça o fato de esses sintomas constituírem uma doença para a qual, de uns anos para cá, já existem tratamentos bastante eficazes.
O TOC é considerado uma doença grave por vários motivos: está entre as dez maiores causas de incapacitação, de acordo com a Organização Mundial de Saúde; acomete preferentemente indivíduos jovens ao final da adolescência e muitas vezes começa ainda na infância sendo raro seu início depois dos 40 anos; geralmente é crônica e, se não tratada, na maioria das vezes se mantêm por toda a vida.

O TOC é o chamado transtorno das manias, são aqueles quadros onde as pessoas têm manias. Mania de limpeza é a mais característica, mas ela pode se expressar de muitas outras maneiras; Mania de ordem (a pessoa precisa arrumar as coisas e bota-las em ordem), manias de colecionador, superstição (pessoas que precisam bater 3 vezes na madeira, que só saem com seus amuletos, tem medo do azar e fogem de gato preto), mania de contar as coisas, fazer contas com as placas de carro, mania de trancar e reverificar se trancou as portas e praticamente todas as outras manias, hábitos (não vícios) que você possa imaginar.

A mania fica caracterizada como doença, como transtorno, quando a pessoa tem a necessidade de repetir os seus atos de forma compulsiva (ou seja, a pessoa não consegue se controlar, não depende de sua vontade, ela faz sem querer ou sem perceber ou ainda não consegue impedir o ato pela sua vontade, dai o nome compulsiva, obrigatória), repetidamente.

As pessoas que tem estes sintomas costumam ter uma personalidade muito própria. São pessoas extremamente escrupulosas (tem uma preocupação na mente de não provocar problemas), costumam ser formais e distantes no relacionamento, frios afetivamente podem ou não ser pessoas arrogantes. Costumam ser autoritários quando ocupam postos de liderança e temerosos e tímidos quando não estão nesta posição. Intimamente são medrosos embora não admitam, fazendo um tipo de fortes. Não costumam ser sociáveis, tendo poucos amigos (depende do grau da neurose). Tem um comportamento normalmente calmo ou retraído, mas às vezes tem explosões que podem ser surpreendentes e até assustadoras (pela agressividade e violência). São pessoas metódicas, as vezes exageradamente perfeccionistas, sendo que alguns são muito insistentes embora a maioria desista com facilidade. Costumam ser indecisos.

Felizmente, têm sido desenvolvidos novos métodos de tratamento, utilizando medicamentos e psicoterapia, que conseguem reduzir os sintomas e, muitas vezes, eliminá-los completamente.

[Via Educação e Psicanalise]

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O que acontece num processo de análise ?




O inconsciente, em psicanálise, não é o mesmo que o contrário da consciência.
É o que traz o selo das palavras escutadas na infância, dos significantes primordiais que marcaram o sujeito desde que ele nasceu, que tem relação com sua história familiar, com os costumes e o discurso de sua família, pois assim como os traços genéticos, eles também são transmitidos através das gerações.

Sendo o Inconsciente um saber não sabido, um saber que o sujeito tem mas que não está acessível para ele conscientemente, ele necessita de um Outro - o analista – que o escuta e marca em seu discurso onde ele tropeça, o que ele repete e as “sabotagens” que se faz. E o sujeito consegue decifrar em análise seu sintoma, descobre a causa de seu sofrimento, o porquê de suas repetições, das rupturas dos laços afetivos, do uso de entorpecentes, das escolhas desastrosas, das doenças repetitivas, etc. A análise possibilita que o paciente elabore um acontecimento, assim deixará de ser dominado pela repetição, o que muitas vezes é entendido como destino .

Na análise, o analista escuta algo além da intencionalidade, pois é no registro do inconsciente que ele opera, escuta aquilo que na palavra do sujeito o trai, o que lhe atravessa. “É como se as palavras pulassem de minha boca, mas não era o que eu queria dizer”, disse um paciente. Ora, é exatamente o que ele queria dizer, porém não sabia que o queria. E saber sobre isso lhe abre uma nova perspectiva, pois poderá fazer algo diferente a partir dessa descoberta. Assim poderá se colocar como senhor de suas escolhas e não mais atribuirá ao outro ou ao destino o que lhe acontece.

[Via Escuta Analitica]

domingo, 2 de dezembro de 2012

Pânico


D.- ME ENCONTRO DESESPERADO POR CAUSA DE UM SERIO PROBLEMA DE DESCONTROLE EMOCIONAL. DEPOIS DE PERDAS DE FAMILIARES E DE UM ACIDENTE EM 2004 EU ADQUIRI UM SERIO PROBLEMA : NAO FAÇO REFEIÇÕES FORA DE CASA E NAO CONSIGO VIAJAR. SOU LIMITADO  HA UM CERTO TEMPO À RUA DO MEU PROPRIO BAIRRO E TAMBEM  NAO CONSIGO MAIS SAIR PARA FAZER TRATAMENTO PSICOLOGICO E PSIQUIATRICO,,,ESTOU CADA VEZ MAIS PRESO EM MINHA RUA OU MINHA CASA,,,SEMPRE TIVE MUITA SAUDE, SEMPRE TRABALHEI  ,,,,,NAO TENHO NENHUM TIPO DE VICIO,,,MINHA ANSIEDADE ESTA TAO ALTA QUE AS VEZES A RESPIRAÇAO TRAVA, SOME,  NAO CHEGA AO FUNDO DE MEUS PULMOES ...NAO QUERO MORRER AQUI NESTE LUGAR . ESTOU SEM CONDIÇOES DE IR AO MEDICO FAZER UMA SIMPLES CONSULTA PORQUE NAO VOU ALEM DE DUAS QUADRAS DO MEU BAIRRO.


A ansiedade, muitas vezes combinada com o estresse pós traumático ou outros fatores, pode levar uma pessoa a se limitar à sua própria casa. As sensações de pânico, o medo de morrer são tão intensos que desencadeiam sintomas físicos, como sua falta de ar. E isso se transforma num círculo vicioso : o medo provoca os sintomas e os sintomas provocam mais medo.

Leia neste mesmo blog - no  mês de Setembro -minha resposta à uma consulente, que tem uma situação tão aflitiva como a sua-  com o título O MEDO DE TER MEDO-   http://avidanoespelho.blogspot.com.br/2012/09/o-medo-de-ter-medo.html . Espero que seja útil.

O que fazer de imediato ? Vejo como uma boa ideia procurar um apoio em atendimento pela internet- já que por ora é o mais conveniente- até que se fortaleça . O que posso garantir é que existe solução.  É bom lembrar que foi você mesmo que se colocou nestas limitações. E como se colocou, tem como usar os mesmos recursos para se libertar delas.  Com o tempo e com a melhora dos sintomas, certamente você poderá voltar à sua rotina, inclusive à psicoterapia e à medicação, se for o caso. Abraço

sábado, 1 de dezembro de 2012

TRAUMA


O trauma é causado por um acontecimento estressante “que está fora da amplitude da experiência humana usual, e que seria marcadamente perturbador para quase qualquer pessoa”.

Abrange as seguintes experiências incomuns: ameaça grave à vida ou integridade física; ameaça grave ou dano aos filhos, ao cônjuge ou a outros parentes próximos ou amigos; destruição repentina da casa ou da comunidade; ver outra pessoa que está ou foi recentemente ferida gravemente ou morta como resultado de um acidente ou de violência física”

As pessoas traumatizadas são incapazes de superar a ansiedade de sua experiência, permanecem sobrecarregadas pelo acontecimento, derrotadas e aterrorizadas.

Sintomas pós-traumáticos são fundamentalmente respostas fisiológicas incompletas suspensas pelo medo. Se o problema de descarga for repetidamente perturbado, cada estado de choque sucessivo irá demorar mais. Se a pessoa for incapaz de se orientar e escolher entre lutar e fugir, irá congelar ou colapsar. Se for capaz de descarregar esta energia, não se traumatizará.

As pessoas traumatizadas apresentam: flashbacks, ansiedade, pânico, insônia, depressão, queixas psicossomáticas, dificuldade de se abrir, ataques de raiva violenta e não provocada e comportamentos destrutivos repetitivos. O trauma não resolvido pode nos tornar excessivamente cautelosos e inibidos, ou fazer-nos entrar em círculos cada vez mais apertados de re-atuação perigosa, vitimização e exposição temerária ao perigo.

Os sintomas podem permanecer latentes, acumulando-se por anos ou décadas e durante um período estressante ou outro incidente, podem aparecer. Um acontecimento de pouca importância pode provocar um colapso súbito, semelhante ao que poderia ter sido causado por um acontecimento catastrófico isolado.

[Via Orgone Psicologia]