quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Violência psicológica é crime!




S.- Tenho 50 anos, casei aos 18 e tenho dois filhos adultos.Sofro de fibromialgia, sinto dores terriveis todo dia e o dia inteiro...Minha angustia vem desde que me casei, pois nunca tive o respeito do meu marido.Ele desfaz de mim , fala que tenho problemas mentais, xinga na frente dos filhos, de amigos, me ofende, humilha e ameaça de me deixar morar na rua quando digo que vou deixá-lo. Hoje em dia ele não me agride mais fisicamente...Paramos de ter vida sexual há anos, pois eu tenho verdadeiro nojo dele..Cansei de reclamar, brigar, não adianta nada, ele tem sempre uma palavra pronta para me intimidar. Não tenho profissão, nem estudo, e ele é que manda no dinheiro, me sinto presa numa armadilha.Tem dias que me pergunto se o resto da minha vida vai ser assim, mas não tenho forças para deixar o casamento, tenho medo de me arrepender, de perder meus filhos, de perecer sozinha.



Resposta:

Cara S. , hoje os tribunais já reconhecem a violência psicológica como motivo de penalização e punição para os agressores morais. Está no artigo 7 da Lei Maria da Penha, que descreve muito bem constrangimentos, ridicularização e perseguição, entre outras ações causadoras de danos emocionais.

São homens e mulheres que chamam seus companheiros de incapazes, fracassados, burros, loucos, e não se cansam de relacionar na frente dos amigos e familiares todas as  'más' qualidades do seu parceiro. Um dos desafios é detectar essas agressões, pois nem sempre o agressor admite que o é. A reação deles, quando confrontados em juízo com as provas das suas agressões, geralmente é rir e dizer que aquilo tudo era brincadeira.

Não, o resto da sua vida não deverá ser assim ! Já que as tentativas para conversar fracassaram durante tantos anos, busque documentar esses fatos - com gravações, por exemplo - e procure ajuda especializada. Um bom advogado é um primeiro passo. Como percebe-se que você está muito fragilizada para essa iniciativa, recomendo que recorra antes à ajuda psicológica para se fortalecer emocionalmente, e também para investigar e tratar os sintomas da fibromialgia - que são a manifestação física das dores da sua alma. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Casamento sem sexo funciona ?







R.- TENHO 54 ANOS ..SOU CASADA, TENHO DOIS FILHOS ADULTOS ...PARECE QUE ESTÁ TUDO PERFEITO, MAS ESTOU VIVENDO UMA SITUAÇÃO MUITO DIFÍCIL.MEU MARIDO EM NOVEMBRO DE 2011 COLOCOU  2 STENTS NAS ARTÉRIAS DO CORAÇÃO, APOS O PERIODO DE RECUPERAÇÃO PENSEI QUE ELE VOLTARIA TER UMA VIDA CONJUGAL INTIMA NORMAL,MAS NÃO ACONTECEU. ELE NUNCA MAIS ME PROCUROU PARA FAZER SEXO. ANTES  DESSE PROCEDIMENTO ELE JÁ ESTAVA DEVAGAR E QUASE PARANDO.EU NÃO ME SINTO IMPORTANTE NESSA PARTE PARA ELE. EU ME RENOVO NA MINHA APARENCIA FISICA MAS O MEU INTERIOR ESTÁ LA EMBAIXO.TENHO UM PENSAMENTO MUITO PURITANO, NÃO PENSO PROCURAR SATISFAÇÃO COM OUTRO PARCEIRO, EU O AMO, É UM ÓTIMO  MARIDO E UM ÓTIMO PAI... DENTRO DE MIM TEM UMA GRANDE CONFUSÃO SINTO NECESSIDADE DE EXTRAVASAR ESSAS ENERGIAS ...VOCE PODE ME AJUDAR ?...
 OBS :  ELE TOMA SERTRALINA DE 25MG HÁ MUITO TEMPO...SERÁ QUE ISSO É A CAUSA?




Resposta:

Antes de responder, quero te dizer que o seu e mail em capslock chegou aqui como um grito de socorro...
Casais que fazem do sexo o principal suporte da relação não dá para acreditar que consigam um casamento sólido. O sexo tem que estar junto a outros aspectos importantes: o companheirismo, os sonhos, projetos em comum, o processo de criação dos filhos, as afinidades. Enfim, tem muitos aspectos a dois que são tão importantes quanto o sexo.

Casamento sem sexo -em alguns casos- até que funciona,  mas, como no seu caso, um dos dois ( ou os dois?)  está infeliz porque se sente insatisfeito e rejeitado, a primeira providência é conversar, a segunda é conversar ainda mais, e a terceira é ir ao médico para descartar problemas físicos - ou efeitos adversos da medicação antidepressiva.

A maioria dos casais não gosta de 'discutir a relação', porque mexer na situação é, no mínimo, desgastante. Mas se não gostam de discutir a relação, não vão ter relação. Só amor não basta. O amor tem alguma coisa de espontânea, de subjetiva, mas ele é também, e mais que tudo, um processo de construção da intimidade do casal. De mão de obra aplicada e constante.

Vá à luta! Convide amorosamente seu parceiro para conversar, exponha seu lado sem acusações, fale como se sente, pergunte como ele vê a situação, como ele se sente, e escute de verdade o que ele tem para dizer. Caso nada disso funcione, procure a ajuda de um terapeuta de casais( psicólogo ou psicanalista)  que por ser tecnicamente equipado para "ler" a situação, também é neutro e apto para uma avaliação isenta. Muitas vezes algumas poucas sessões já abrem um caminho. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O que a traição mostra sobre mim?




M. Tenho 38 anos,meu marido 40, casada há 20 anos, dois filhos e sofro desde que fui traída.Descobri a traição, depois de muito tempo notando que ele estava diferente com os filhos e comigo, por um telefonema onde a moça falava que estava grávida.Ouvi tudo na extenção e depois ele negou e negou... fui atras da moça, em outra cidade e ele não teve mais como fugir da verdade.Depois de muita dor, por causa dos filhos, decidi perdoar, mas nunca esqueci...Meus filhos me pedem que eu o deixe, não aguentam mais esse inferno...Faz 4 anos que reviro papéis,bolsos,carro, computador, celular e não saio com ele sem ficar procurando motivos para brigar.Não queria acabar o casamento, sei que ainda existe amor entre nós, mas estou sofrendo muito. Ele passou a ficar agressivo e eu acho que estou paranóica, não tolero que ele olhe nem mulheres na tv.


Resposta:
Ao viver uma traição é importante que apesar de toda a dor, se encare conscientemente a situação.
 A principal questão não é Porque ele fez isso ou O que eu fiz de errado, mas O que essa traição mostra sobre mim?  Culpar o outro ou a si mesma não leva a nada, pois isso também significa negação e fuga, complicando a situação. Saia do papel de vítima e de culpa, e comprometa-se com você mesma em enxergar e aprender a lição na situação.
Como este é um caminho difícil e doloroso, você deve procurar orientação profissional. Só assim será capaz de enxergar a sua verdade e a do outro. Se isso irá significar reconciliação ou não, é outra história.

 A verdade é que a lição que a traição veio mostrar continua não aprendida. A  traição continua não resolvida dentro de você, e ela se mostrará - como vem se mostrando -  em outras situações angustiantes, ou até mesmo em outra traição, seja com o mesmo parceiro ou com outro. Abraço
Aglair Grein-psicanalista

sábado, 25 de agosto de 2012

Quem sabe faz a hora


JC- Oi, Tenho 20 anos e meu problema é com mulher.Até hoje nunca fui até o fim com uma mulher, tentei algumas vezes dos 15anos ate a 2 anos atrás mais ou menos, ficava muito mal depois ... depois desisti pra não passar mais vergonha....Ficava muito a fim,mas na hora H acabava a ereção.Já pensei em acabar com minha vida, mas não tive coragem ..Nunca contei isso pra ninguém a não ser um medico em outra cidade ha 2 anos que fui escondido dos meus pais... ele fez uns exames e disse que não tem nada de errado.Falou pra procurar psicólogo, mas não tive coragem.  Já pensei até que posso ser gay,mas não tenho atração por homem, só por mulheres.Estou angustiado,com medo de passar a vida assim,não vejo saida, porque nem chego mais nas meninas,nem papo quero, perdi a vontade de sair com os amigos, porque eles só falam nisso, vivo em casa sozinho e saio só pra ir pra aula, esse mês deixei até o futebol.


Resposta:
Caro J.C., se você já consultou um médico e nenhuma causa orgânica foi encontrada, com certeza sua dificuldade é de ordem psicológica. Metade do caminho já está concluido com essa descoberta.
As disfunções sexuais de origem psicológica são bem mais comuns do que se imagina, em qualquer idade - do homem ou da mulher. É que ninguém sai por aí falando das próprias dificuldades íntimas, muito menos os homens.
 Concordo que não é um assunto para ser conversado com qualquer pessoa, mas, se não existe liberdade para falar sobre isso com seus pais , ou outra pessoa da sua confiança, deve procurar um profissional da área médica que te encaminhe a um(a) psicologo(a) ou psicanalista . Se quiser encurtar o caminho,  informe-se sobre esses profissionais pedindo indicação a amigos e familiares. Não precisa explicar seus motivos, afinal você tem o direito de não se expor - mas não deixe de buscar uma solução.

 A questão financeira pode ser um obstáculo, mas ainda assim há solução. Nas universidades há tratamento a baixo custo.  Se você se sente constrangido de tratar do assunto com um profissional da saúde psicológica, pode optar pela orientação virtual. Hoje está muito em uso a terapia pela internet, que talvez te deixe mais à vontade para tratar de suas aflições. Importante é se movimentar e não se acomodar, pois soluções existem e muitas vezes as coisas se resolvem bem mais rapidamente do que você pensa. Tenha coragem, pois ninguém mais pode fazer isso além de você.Vá em frente ! Abraço
Aglair Grein-psicanalista

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O casamento como ele é...


C.A - Vou tentar contar meu problema. Sou casada ha 4 anos, não temos filhos, apesar dele querer muito, não me sinto preparada por causa das nossas brigas Amo meu marido e sei que ele me ama, mas nos ultimos 8 meses + ou - está impossivel ficar junto.Tudo é motivo para brigas e discussões que nao tem fim .Choramos juntos na ultima briga nessa semana, porque percebemos que não estamos mais nos controlando, a ponto de perder o respeito com o outro.Ele chegou a me agredir , como sempre faz quando fica irritado, mas desta vez não foi só com palavras pesadas. Estou com medo, perdida, nao sei o que fazer, e vejo que ele está na mesma situação. Ando muito ciumenta, jogando na cara dele que ele tem outra, uma paranoia.Já falamos varias vezes em acabar tudo, arrumamos malas, essas coisas.Mas, no fundo, não é isso que eu quero, ele é uma boa pessoa e eu amo. O que fazer ?


Resposta :

Na maioria das vezes os casais brigam por motivos 'bobos'. Constroem  um modo errado e viciado de olhar para a relação: enxergar e apontar as diferenças, em vez de focar nas semelhanças entre ambos. Essa visão distorcida é contagiante, e se torna uma bola de neve, um jogo de poder perigoso. Só ganha no amor quem não faz questão de ganhar.
Fico preocupada com o estágio da situação, pois a agressão - verbal, psicológica ou física-  é um sinal vermelho e não tem como ignora-lo.Você está certa em adiar o projeto do filho, pois antes dele o casal deve estar alinhado. Se existe amor das duas partes, e, mais importante do que o amor, se existe a vontade firme de ficar juntos, nada está perdido.

Na lista dos primeiros socorros, conversar sobre a situação é um bom começo. Conversar de modo verdadeiro, de coração aberto, implica em escutar de verdade o que o outro quer dizer. Escutar é uma forma de estar atento ao que a pessoa nos diz, mas mais do que isso, é perceber o que o outro nos quer comunicar. Não quer dizer reclamar, xingar, acusar, ofender ou se defender . 

Alguns casais têm medo de "discutir a relação" porque não sabem dialogar, ouvir o outro, considerar as razões do outro. As péssimas experiencias anteriores mostraram que as conversas se transformam sempre em bate-boca, onde cada um ataca e se defende. Mas quem não discute a relação não terá relação. Caso a comunicação esteja viciada neste padrão ou caso não haja mais comunicação, convém recorrer a uma terapia de casal para "aprender a conversar", para descobrir onde, quando e por que se perderam um do outro. Sempre vale a pena investir no resgate do relacionamento.

Casamento é para quem tem maturidade e coragem suficientes para não abandonar o barco aos primeiros sinais de naufrágio.  Só amor não basta. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista