quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Depois da traição

D.- Fui casada por 4 anos, total de 8 anos juntos.Ele me deixava muito sozinha e acabei traindo. Ele desconfiou, começou a me cobrar e acabei contando.  Terminamos faz 4 meses e depois disso ficamos algumas vezes, mas ele engravidou uma menina e disse que vai morar com ela por causa do filho. A ultima vez que nos encontramos ele disse que podiamos ficar juntos, me beijou, mas depois, quando liguei, disse pra não ligar mais, que um dia ele me liga pra conversamos como amigos. Estou sem chão, eu queria tanto um filho e ele nunca quis, agora vai ter com uma pessoa que nem conhece? Doi tanto, estou enlouquecendo...

Resposta:
A infidelidade pode não ser a pior coisa que um parceiro faça ao outro, porém pode ser a mais perturbadora e desorientadora situação ocorrida na relação, e consequentemente capaz de destruir o casamento. Não necessariamente pelo sexo e sim pelos segredos e mentiras.

Agora que a separação aconteceu, é preciso aceitá-la e se perguntar por que aconteceu. É preciso refletir sobre a situação sem autopiedade e sem procurar culpados ou vítimas. Nós nem sempre conseguimos mudar uma atitude tomada impulsivamente no passado, porém podemos aprender com suas consequências e não mais nos repetirmos. Você deve se valer do que aconteceu para aprender a se refrear, a refletir antes de agir. Como diz o ditado : 'Não se pega mosca com vinagre.'

Agora é preciso encarar a vida, que muda continuamente e é preciso mudar com ela: abrir-se para possibilidades novas, se redefinir, contextualizar seus desejos. Com nova abordagem, talvez, e com muita coragem, com certeza. Procure, se for possível, uma orientação psicológica para facilitar e abreviar esta trajetória.
Abraço



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Perdas & Ganhos




 B-Estou atravessando um momento de vida dificil e unico. Eu estava viuvo e apos aproximadamente um ano de viuvez me vi envolvido em uma calorosa e bonita relação com uma nova mulher, apesar de termos ate amigos em comum em nossa infancia, do nada nos reencontramos sem nos conhecermos antes e mantivemos uma relação marital de aproximadamente dez anos.
 So que fiquei desempregado e o stress causado por esta situação veio e nos atingiu em cheio. conclusão fazem tres meses que nos separamos.Estou meio que curtindo um luto...de relacionamento. Porem não sou mais criança.Estou triste e precisando de um motivo pra continuar. Estou dolorido e de luto.

Resposta:

Meu caro amigo,  é preciso lembrar que a vida oscila, para cima e para baixo. Não fosse assim, seria linha reta, e linha reta no eletrocardiograma é morte.
 Quando a perda acontece - em qualquer nível e em qualquer idade - é preciso aceitá-la, dar-se o direito de ficar triste,  dar-se um tempo para curar as feridas, ter a coragem de reaprender a conviver bem consigo mesmo.

 Não há nada de errado com a vida e suas mudanças, mas sim com as nossas exigências para com ela. São os ciclos da vida que precisam ser reconhecidos e respeitados. Deixamos de sofrer tanto quando aceitamos isso.  Talvez seja bom lembrar que tudo no universo se modifica e se alterna : nascimento, amadurecimento e morte,  dia e noite, as fases da lua,  as estações do ano,  o ciclo das marés , etc. Por que seria diferente com os seres humanos?

Melhor é fazer da sua própria companhia, no momento, algo construtivo e enriquecedor, aproveitando para experienciar coisas novas, encontrar em si mesmo o melhor motivo para continuar. Solidão não se cura com a presença dos outros, se cura com amor próprio, como escreveu a Martha Medeiros. E, mais à frente, quando seu coração estiver curado, a vida poderá presenteá-lo outra vez. E outra vez sem garantias. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Doente e sem um amor



 L. Tenho 43 anos, sou solteira, nunca casei, mas sempre tive esse sonho, sempre me senti sozinha. Todos os relacionamentos que tive  (não foram muitos) foram conturbados e assim a idade passou e eu não constituí família. Estou a 3 anos e meio sozinha e a mais de um ano doente, uma doença crônica que está se agravando, quase não saio de casa, afastei-me das minhas atividades, porém,os sentimentos continuam, o coração continua a bater com vontade de ter alguém, inclusive, me apaixono.Angustio-me em saber que ninguém irá olhar para uma pessoa doente, que as minhas chances são quase nulas, sinto vontade de ter alguém, mas por mais que eu tenha uma boa presença e não represente a  idade que eu tenho, todos veem que estou com problemas de saúde. Estou me tratando, mas não sei até quando terei que conviver com essa doença, já fiz psicoterapia, mas devido a doença não pude comparecer mais e estou precisando muito. Será que quem é doente não tem vez para o amor? Sei que o homem é mais visão e tem menos tolerância a lidar com a doença, por isso, acho que o meu destino é sozinha como sempre soube desde a minha adolescência onde não era doente, mas já me sentia sozinha. Aguardo sua ajuda.


Resposta:
Você se apresenta dizendo que é doente e sem amor. É cronicamente doente porque sem amor, ou sem amor porque é doente ? Fico com a primeira alternativa, já que diz sentir-se sozinha desde muito tempo. E mais : desde adolescente "sempre soube" que era este seu destino. Destino ou sua profecia ?

A base do amor do outro é o nosso amor próprio, que ao ser emitido, recebe seu reflexo. Em outras palavras, a falta de amor reflete a falta de amor próprio, então para amar - e ser amada - é preciso recuperar a própria identidade. Podemos perceber que muitas pessoas adoecem pela falta de amor próprio e em conseqüência, desejam desesperadamente o amor dos outros como forma de compensar a falta de amor por si mesmas.

Quando adoecemos devemos perceber como um sinal de que devemos olhar profundamente para dentro de nós mesmos.Olhar sem medo para o passado, para toda a nossa vida.O que ficou mal resolvido ou fez com que se sentisse rejeitada, abandonada, sem valor, sentindo que não merece sequer receber amor?
Caso esta busca seja muito difícil ou infrutífera, recomendo que volte a procurar ajuda da psicanálise, num trabalho sério onde você mergulhe de verdade.
É preciso livrar-se deste desamparo, desta vitimização, do contrário, sua vida não muda. Para se liberar, tem que falar e ser ouvida até descobrir qual a origem da baixa auto estima que a martiriza .
Viver é pensar, sentir, analisar e agir o tempo todo. Não espere mais ! Abraço
Aglair Grein-psicanalista




domingo, 2 de setembro de 2012

Ciumes do passado




L.- Moro numa cidade do interior, tenho 25 anos e um namoro de 3 anos que me completava...tínhamos planos de nos casar neste ano, mas algo do meu passado que me envergonha muito veio à tona, ele ficou sabendo por amigos em comum. Antes dele namorei um cara e sofri na mão dele, era apaixonada e fazia tudo o que ele queria pra não perdê-lo. Ele pediu troca de casais e eu, mesmo não querendo concordei...Sei que meu namorado me ama como eu o amo, mas nossa vida está virada no avesso. Ele sofre e me faz sofrer com as cobranças, diz que perdeu o respeito por mim...está insuportável. Tenho vontade de terminar, não vejo como ele aceitar e perdoar.


Resposta :
Perdoar o que ? É preciso entender e aceitar que todo mundo tem um passado, uns mais outros menos sexualmente emocionantes, mas todos têm.  O que o sexo em grupo significou pra você pode ter sido menos importante que algumas 'ficadas' emocionantes dele.
Quem já assistiu o filme “Closer” talvez tenha aprendido que não é bom chegar perto demais nem de quem a gente ama. A vida é dinâmica, e a graça está em poder ser diferente em cada pedaço dela, poder fazer vários capítulos. Ele faz parte do último capítulo da sua vida, e é isso que ele precisa entender. O que passou não interfere na tua capacidade de gostar dele agora. Nenhum encontro anterior pode ser comparado ou equivale ao que você vive com ele atualmente.
 Infelizmente você não pode fazer mais nada a não ser esperar que ele aceite a pessoa que você é hoje, antes que possam fazer projetos de casamento. Não pode ser perdoada uma traição que não houve.

Para rematar, um trecho de um poema de José Saramago:

"Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais."
Abraço

sábado, 1 de setembro de 2012

A pele que habito



M.A.- Preciso de ajuda, pois não tenho coragem de falar sobre isso com ninguém. Sou triste desde que nasci, me lembro de ter sido sempre rejeitada pela minha mãe, de nunca ter sido compreendida por ninguém.Tenho 22 anos e nunca tive um namorado que não me fez sofrer.Me apaixonar é terrivel, pois passo o tempo no inferno sofrendo com medo de ser traída ou abandonada e de uns anos pra cá evito me envolver com homens...o último era gay e eu sabia,ele me contou, mas insisti tanto que perdi o amigo.A dor é tao grande que me corto as vezes, para aliviar...Tenho marcas no corpo todo. Faz um tempo que não me corto porque tenho fugido de relacionamento.


Resposta:
A automutilação após vivência de forte emoção, como a raiva, é uma forma adquirida de lidar com a emoção, um comportamento com características impulsivas. Cortar-se para sentir na pele e colocar para fora a dor interna. Ferir-se porque não há possibilidade de ferir o outro. Destruir-se porque não se pode destruir o objeto da dor. O alivio das emoções ruins faz com que se passe a repetir a automutilação incontrolavelmente.

 O que é preciso saber é que há outras formas saudáveis e não autodestrutivas de suportar perdas, raiva, ou ameaças externas.Um novo comportamento pode ser aprendido através de psicoterapia analítica ( para investigar as origens do impulso) aliada à medicação antidepressiva.
É importante que você procure buscar profissionais especializados (psiquiatras, psicoterapeutas) em tratamento para transtornos do impulso.
 Procure ajuda e construa um novo caminho, pois a vida começa todos os dias. Abraço.
Aglair Grein-Psicanalista

Para tratamento gratuito da Automutilação:
 Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso  do IPq- HCFMUSP pelo tel:  11 3069-7805  e para mais informações pode-se acessar o site: www.amiti.com.br