segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Eu, Ele... e as mulheres dele





A.-Há 16 anos tenho um relacionamento. Quando o conheci ele era casado. Mesmo casado e antes de me conhecer teve um filho com outra mulher. Depois de estarmos juntos por 5 anos a mulher dele engravidou. Ele já estava de caso comigo, com a mãe do outro filho dele e ainda arranjou mais uma mulher. Esta terceira mulher fez um escândalo na porta da casa dele e ele se separou. Então ele se casou com esta terceira mulher, pois ela tinha metade da idade dele, 19 anos e engravidou. Estou com ele durante todo esse tempo. Vem mulheres, vão mulheres. Ele faz tudo para mim. Nos vemos todos os dias no horário do almoço. Saímos e viajamos muito. A atual mulher dele sabe de mim. Agora, 16 anos depois descobrimos eu e a mulher dele que ele tem um relacionamento com uma outra mulher há 4 anos.Aglair, amo esse homem, mas o que é isso? Sou feliz a seu lado, mas confesso que depois desta outra mulher estou muito chateada. Mas não consigo deixá-lo. De todas eu sou a que passeia mais, viaja mais, tem mais atenção dele.


Resposta:
Mulheres se envolverem com homens casados é algo tão antigo como o próprio casamento. 
Algumas mulheres, não se sabe por que, são fascinadas pelos romances difíceis, complicados, pelo desafio de provarem que a força do seu amor é suficiente para enfrentar o mundo, inclusive para quebrar as juras de um casamento, que dos seus pontos de vista (acreditando no que diz comumente o amado) está falido.

Infelizmente, considerando este perfil de homem, o mais provável é que se um dia aparecer uma outra mulher mais interessante e der mole, ele vai substituir a(s) amante(s), é claro, ou vai ficar com todas, como aconteceu no seu caso. E, quando todas carregam no sangue o gosto pela competição- além de esperarem muito pouco de um relacionamento- o círculo se fecha.

 Isso não quer dizer que você não possa ser feliz dividindo-o com outra(s), afinal quem pode saber o que é melhor para você é você mesma.  

Não acredito, porém,  que tenha me procurado somente para que eu a autorize.Se me consultou,  deve haver algum outro incômodo importante - que talvez nem você mesma tenha plena consciência - por trás desta felicidade. Talvez você comece a perceber que merece mais do que 1/3 de homem. Mais do que almoços diários, viagens esporádicas e muita adrenalina. Talvez comece a perceber que se contenta com muito pouco, mesmo sentindo-se a preferida... Nós aceitamos o amor que acreditamos merecer. É bom analisar isso, de preferência  numa terapia, que vai ajudá-la a descobrir por que você escolhe viver uma relação a três ou quatro pessoas, para descobrir por que tem evitado uma relação plena. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista







sábado, 13 de outubro de 2012

Amor platônico







 A.-Bem, sou uma pessoa bem resolvida, ao menos é o que imagino. Porém há um ano e três meses o homem que escolhi para passar o resto da minha vida e ter filhos faleceu. Não consigo dar passo algum em relação a outras pessoas. Me interessei por um rapaz há nove meses, tentei uma aproximação, o que tornou tudo mais difícil. Sou voluntária, ele trabalha coordenando esse setor que trabalho. O fato de ter de prestar contas a ele dificultou tudo. Creio que ele viu essa aproximação como algo antiético e passou a me ignorar quando percebeu minha estratégia de aproximação. Creio que seja solteiro, mas como conheço apenas uma amiga em comum, tenho receio de pedir a ela que nos apresente.Consegui o número do celular dele, por meios não muitos legais, creio que ele ficará bem aborrecido se souber. Enviei uns torpedos sem respostas. Enfim apenas especulações...Help me Please !!!

Resposta:
Acontece muitas vezes de pessoas se apaixonarem por outras que nem as enxergam na sua frente.Muito desgastante e sempre dolorosa essa situação. Ele não parece estar interessado em você ou, talvez, em nenhum relacionamento. Uma hora você vai descobrir que está vivendo uma ilusão, que não existia ninguém mais envolvido a não ser você mesma e seu desejo de amar e ser amada.Amor- apesar de funcionar como- não deve ser ansiosamente buscado como um energético para nosso bem estar, para nossa autoestima, para colorir nossa vida. Não se trata de dizer que você é fraca por entrar nesta roubada, pois ninguém pode se achar tão forte para evitar que isso aconteça.


Espere para investir numa relação real e correspondida. Não se precipite procurando preencher um vazio com Nada. Nada além de ilusões e devaneios.Cuide-se no sentido de ir se despindo pouco a pouco de todos os resíduos da perda do seu amado. Sem pressa. Nossa mente e nosso coração nos traem e não nos avisam de certas manobras perigosas que usamos para fugir da solidão. Por isso se apaixonar é tão fácil. E por isso também, na maioria das vezes, desapaixonar é tão doloroso. Abraço
Aglair Grein-Psicanalista

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Mulheres bem sucedidas




F.M.-Tenho 33 anos, um ótimo emprego, sou uma mulher bem sucedida, independente, mas não tenho sorte em se tratando de relacionamentos. Casei aos 22 anos, me separei depois de 4 anos porque ele me traía descaradamente.Fiquei sozinha um tempo e conheci meu atual namorado na praia, onde ele morava.Ele mudou-se para minha casa depois de 5 meses e trabalha em casa, como designer gráfico, sem compromisso de horários. O que acontece hoje é que ele leva vida de solteiro. Quando dá na telha pega meu carro e vai pra praia surfar com os amigos por uns dias, e só me avisa quando está lá. Não colabora com nada nas despesas ou manutenção da casa, chego do trabalho e encontro a turma dele a jogar videogame e tomar cerveja  ...Já brigamos muito por isso, mas não resolve, nada muda.Quando reclamo, me chama de mesquinha, dinheirista e ameaça me deixar.Semana passada vi uma conversa dele no Msn com uma mulher, o tom era de intimidade e virei louca, perdi o controle, mas ele disse que é amizade, que me ama, que eu estou vendo fantasma. Pior é que eu tenho medo de estar louca mesmo...Sou sozinha, sem familia por perto, morro de angústia só de pensar em deixá-lo.O que eu faço?


Resposta:
Nem sempre as mulheres bem sucedidas profissionalmente estão tranquilas e satisfeitas (como dizem e aparentam) nas relações amorosas ou sociais. Algumas sentem-se isoladas, solitárias ou impossibilitadas de mudar de parceiro afetivo, e, às vezes, a ele se escravizam. Preferem continuar com o que já existe, a buscar uma nova oportunidade. Não se encorajam para se afastar e acreditam que ele pode mudar, mesmo que nada indique que isso poderá acontecer. A independência emocional  não corresponde à financeira.

Há um papel complementar, um ganho secundário da sua parte, neste vínculo afetivo. Você parece precisar deste parceiro para suprir suas próprias necessidades, carências ou dependência. 

Mesmo conscientizada do fato que ele age com irresponsabilidade, está impossibilitada de resolver o caso só com a conscientização. Você precisa resolver outros assuntos ligados à sua condição feminina para mudar essa situação.
Para ser capaz de dizer NÃO você precisa resolver suas carências, sua dependência emocional. Uma psicoterapia deveria estar nos seus planos.

Ele, o namorado, é quem é, e parece estar se sentindo bem como é. A incomodada é você.
 Diz o ditado: 'os incomodados que se mudem.' -Mas antes, que se capacitem emocionalmente, digo eu. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Amores impossíveis




V.S.-Tenho 28 anos e está fazendo 4 anos que não namoro. Nunca rola. Ou o cara fica afim e eu não, ou eu fico afim e ele não... Esta falta de ser amada como mulher me faz muito mal e a cada perda é outro abandono, expectativas frustradas e eu sofro muito. Eu viro uma amiga pra beber, papo, ombro e sexo esporadicamente, diversão ou carência! Como se eu fosse muito foda mas não digna de amor. Quero ficar com quem EU gosto E goste de mim, quero me apaixonar pela pessoa e isto acontece, só não acerto o "por quem". Sei que eu estou errando na escolha mas não sei onde e como. Porque eles não fazem o tipo canalhas e eu não acho NADA em comum entre eles que eu pudesse dizer: "é isto".E quando o cara se pilha eu arrumo defeito, depois que ele se foi ou engatou com alguém penso que poderia ter oportunizado.  Alguns deles já me procuraram depois de meses querendo "começar de novo" que "não deu valor" mas aí eu já despilhei... Eu devo estar passando a imagem errada ou assusto. Acho que eu tenho um problema muito grave. Me dê uma luz, por favor, por onde posso começar a procurar o(s) meu(s) defeito(s)?


Resposta:
A escolha do parceiro - para homens e mulheres - está cercada por conteúdos inconscientes e projetivos. Existe, entre outras, uma grande influência dos modelos parentais na escolha e estabelecimento de vínculos amorosos, sendo este transmitido de uma geração para outra. Repetidamente vemos homens e mulheres procurarem em seus parceiros características semelhantes às da mãe e do pai, assim, inconscientemente. Desejando o impossível, o inatingível.

A busca por parceiros inatingíveis pode ser até comum na adolescência, mas a persistência, a repetição destes amores não correspondidos pode indicar a necessidade de resolução desta fixação.

Além disso, mesmo que você afirme que seus parceiros nada têm em comum, uma pessoa tende sempre a escolher e se relacionar com o mesmo modelo, com características similares sutis que você provavelmente não está conseguindo enxergar. 
Só desejar o impossível  é uma forma de evitar o que é possível. 

Para ficar livre deste modelo, deve ocorrer antes uma ressignificação de tudo o que viveu e vive, através da análise criteriosa da sua história, crenças, e conteúdos inconscientes. A psicanálise é muito bem indicada ao seu caso.  Abraço
Aglair Grein-Psicanalista

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O sofrimento no TOC





Meu nome é C., tenho 36 anos, sou divorciada e tenho uma filha de 9 anos.Desde que me entendo por gente sofro de TOC. A questão é que de uns tempos para cá a situação começou a se agravar e meu sofrimento tem sido intenso. Repetição de rituais, baixíssima autoestima, enfim sintomas que você deve conhecer pela sua experiência profissional. Fiz uso de medicamentos. Porém, o que realmente queria e quero, do fundo da minha alma, é conseguir viver com mais leveza e plenitude.
Na sua opinião, como devo praticar a terapia comportamental?


Resposta:
O TOC ( Transtorno Obsessivo Compulsivo) é um distúrbio de ansiedade bastante comum, que se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões, suficientemente graves para ocupar boa parte do tempo do indivíduo, causando desconforto e comprometendo seu desempenho profissional e suas relações interpessoais. Além do impulso para determinados rituais (organização, limpeza e outros), a pessoa pode ficar refém de pensamentos repetitivos e incontroláveis.

Ao lado da possibilidade de causa por fatores biológicos, fatores de ordem psicológica- como aprendizagens errôneas e crenças distorcidas- adquiridas em razão da educação, da cultura, do meio ambiente, podem contribuir para o aparecimento dos sintomas do TOC e, principalmente, para sua manutenção. É sobre essas causas que a terapia cognitivo- comportamental atua, e seu objetivo é justamente modificá-las.
Os tratamentos mais modernos para o TOC são feitos com medicamentos antidepressivos associados com a terapia cognitivo-comportamental.

Na terapia, além das sessões nas quais recebe informações sobre o TOC e sobre os recursos e técnicas para vencer os sintomas, o paciente faz exercícios práticos junto com o terapeuta, aprendendo a usar os recursos para, depois, utilizá-los em seu próprio domicílio ou local de trabalho. Espero que estas informações sejam úteis e a estimulem a persistir no tratamento. Abraço
Aglair Grein- Psicanalista