segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Quando a mente mente




As distorções cognitivas são maneiras que a nossa mente arranja de convencer-nos de algo que não é realmente verdade.Todos estamos sujeitos a eventos desta natureza, uns mais outros menos. Uns com mais frequência, outros com menos. Em alguns casos, quando os pensamentos fogem ao controle e se transformam num ciclo doloroso de repetição, acarretando limitação e sofrimento psicológico, é necessário procurar ajuda profissional.

Estes pensamentos imprecisos são normalmente utilizados para reforçar o pensamento e/ou emoções negativas, dizendo-nos coisas (nosso diálogo interno) que parecem racionais e precisas, mas na verdade só servem para fazer sentir-nos mal acerca de nós mesmos e dos outros.

Foi o psicólogo Aaron Beck que popularizou as distorções cognitivas.

São elas:

*Filtragem ou Visão em Túnel
Focamos os detalhes negativos e os aumentamos, enquanto filtramos todos os aspectos positivos de uma situação. A visão da realidade torna-se distorcida.

*Pensamento polarizado (tudo ou nada)
As coisas são “preto ou branco”. Não há meio termo. Você coloca as pessoas ou situações em categorias (ou desta ou daquela), sem tons de cinza.

*Leitura mental
Você acha que sabe o que os outros estão pensando, falhando assim ao considerar outras possibilidades mais prováveis. Exemplo: “Ele está pensando que eu não sei nada sobre esse projeto.”

*Supergeneralização

Chegamos a uma conclusão geral baseada num único incidente ou elemento de prova. Se algo de ruim acontece uma vez, esperamos que aconteça mais vezes.

*Tirar conclusões precipitadas
Sem que as pessoas nos informem, nós julgamos saber o que elas estão sentindo e porque agem de determinada forma e quais as razões que suportam isso. Mais especificamente, somos capazes de determinar como as pessoas estão se sentindo em relação a nós.

*Catastrofização
Esperamos que a catástrofe aconteça, independentemente da razão. Ouvimos falar de um problema e usamos a questão do tipo: “E se…” (ex.: “E se a tragédia acontecer?”E se isso acontece comigo? “).

*Magnificação ou minimização
Uma pessoa pode exagerar a importância de eventos insignificantes (como o seu erro, ou o desempenho de alguém). Ou pode negligenciar/reduzir de forma inadequada a magnitude dos eventos significativos, até que pareçam muito pequenos (por exemplo, as qualidades desejadas de uma pessoa ou as imperfeições de alguém).

*Personalização
Pensamos que tudo o que as pessoas fazem ou dizem está relacionado a nós. E vê-se como a causa de alguns eventos externos indesejáveis dos quais não é responsável. Exemplo: “O encanador foi rude comigo porque eu fiz algo errado.”

*Culpa
Por vezes atribuímos às outras pessoas a responsabilidade da nossa dor, ou então dirigimos a culpa dos problemas para nós mesmos. Por exemplo, dizemos coisas do tipo: “Pare de fazer-me sentir mal comigo mesmo!” Ninguém pode “fazer-nos” sentir de uma determinada forma. Isso é uma ilusão criada por nós mesmos, que funciona como proteção. Apenas nós mesmos temos controle (ou não) sobre as nossas emoções e reações emocionais.

*Filtro mental 
Você presta atenção indevida a um detalhe negativo em vez de considerar o quadro geral. Exemplo: “Porque eu tirei uma nota baixa na minha avaliação [que também continha várias notas altas] isso significa que estou fazendo um trabalho deplorável.”

*Supervalorizar o oposto (hipótese do oposto) 

Acreditar que se você não gosta de “X” você vai gostar do oposto de “X”. Exemplo: “Se não gosta de alguém tagarela, vai gostar de alguém calado.”

*Os “Deverias”
Muitos de nós temos uma lista de regras rígidas sobre os outros e acerca da forma como devemos comportar-nos. As pessoas que quebrarem essas regras fazem zangar-nos, e também sentimo-nos culpados quando nós violamos essas regras. Por exemplo, “Eu realmente devia fazer atividade física. Eu não deveria ser tão preguiçoso.” A consequência emocional é o sentimento de culpa.

*Argumentação emocional
Acreditamos que aquilo que sentimos deve ser automaticamente verdade. Se nos sentirmos estúpidos e aborrecidos, então temos de ser estúpidos e enfadonhos. Você assume que as suas emoções não saudáveis ​​refletem coisas que realmente são: “Eu sinto isto, por isso deve ser verdade.”

*Falácia da mudança
Esperamos que as outras pessoas mudem para se adequarem a nós se fizermos pressão ou as convencermos o suficiente. Precisamos mudar as pessoas, porque as nossas esperanças de felicidade parecem depender inteiramente delas.

*Rotulagem
Generalizamos uma ou duas qualidades num julgamento negativo global. Estas são formas extremas de generalizar. Ao invés de descrever um erro no contexto de uma situação específica, uma pessoa irá anexar um rótulo prejudicial para si mesmo. Por exemplo, podemos dizer: “Eu sou um perdedor” numa situação em que falhei numa tarefa específica. Ou, em vez de dizer que deixa as crianças na creche todos os dias, uma pessoa que gosta de rotular, diria que “ela abandona os seus filhos aos estranhos.”

*Estar sempre certo
Estamos constantemente a tentar provar que as nossas opiniões e ações são corretas. Estar errado é impensável. Estar certo (para a pessoa que usa esta distorção cognitiva), muitas vezes é mais importante que os sentimentos dos outros, mesmo com os seus ente queridos.

*Buscar lógica em tudo (onde não há lógica)

Exemplo: “ Querer entender o porque de acontecimentos que ocorrem ao acaso [encontrar o motivo ou o culpado para tudo].

Em alguns casos, quando os pensamentos fogem ao controle e se transformam num ciclo doloroso de repetição, acarretando limitação e sofrimento psicológico, é necessário procurar ajuda profissional.


[Via Reflexões da Psicanálise]

10 comentários:

  1. De tudo isto qual o tratamento para "pensamento polarizado,super generalização,tirar conclusões precipitadas, culpa, argumentação emocional, buscar lógica em tudo, estar sempre certo, falácia da mudança, e ter medo dos erros e acertos ?

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    1. O tratamento é unicamente por psicoterapia, caro Anonimo.Todas as abordagens visam o auto conhecimento e a conscientização do nosso modus operandi. Com isso, é possível corrigir distorções em geral. abraço

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  2. MP: Tenho uma filha que desde nova mente para encobrir coisas que fez. O que me preocupa é que ela já é adulta e continua neste mesmo processo e não aceita quando a fazemos ver que está vivendo toda uma vida calcada em mentiras. Ela acusa a família de não respeitá-la, jura que não mente e nós é que bisbilhotamos a vida dela. Isto serve para inúmeras situações. Nós concluímos que ela prefere viver um mundo de fantasia para si mesma, como fuga total da realidade que é "muito chata". Durante toda a sua vida sentimental, procurou relacionar-se com pessoas complicadas e que dessem a ela uma vida incomum. Assim, mesmo casada, continua buscando outros relacionamentos que sejam fora do comum, já que o marido (segundo ela) é muito frio. Outro fator que nos preocupa, como família, é que qualquer tentativa de entendimento e conversa mais significativa sobre esses assuntos, ela em pouquíssimos minutos entra em crise de agressividade, partindo para inúmeras reclamações de todos em volta. Ela já foi diagnosticada com síndrome do pânico e tomou citalopram durante um período, o que fez um efeito muito bom enquanto tomava, mas resolveu parar porque acha que não é maluca e que não precisa de remédios controlados e sim, as pessoas que convivem com ela é que precisam. Como devemos proceder, já que ela se recusa a ser tratada inclusive por psicólogas?

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  3. Falácia de mudança, Tirar conclusão precipitada.
    Coisas dificeis de lidar.
    Agora querer que as pessoas mudem e ainda se adequem a nós, bom aí definitivamente não dá.
    Corro léguas desse tipo de comportamento, mas as vezes sou alcançada.
    Beijos minha amiga.

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  4. Me identifiquei com (hipótese do oposto)."Se não gosta de alguém tagarela, vai gostar de alguém calado".
    -Sou bastante tagarela...meu ex marido me deixou (após 25 anos)
    hoje ele tem uma união estável com uma mulher" visivelmente ".calada.Por que será que ele esperou por tanto tempo para perceber que eu era tagarela? KKKKKKKKKKKKK

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  5. Nossa super interessante....me identifiquei com quase todas....rsrs.....eu tiro conclusões precipitadas de tudo qdo estou nervosa, acho que sei da história toda sem saber e querer ouvir a outra parte, acho que essa pessoa sempre está me manipulando....

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  6. Tenho um filho que se encaixa no perfil descrito pela autora do livro "Mentes perigosas" como psicopata. Tenho feito força para leva-lo ao especilista(psicólogo ou psiquiatra) mas ele reluta... Já passou por cinco casamentos e nenhum deu certo, as mulheres fogem dessa situação. O que posso fazer para ajuda-lo?

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  7. Quem tem devaneios constantemente, que fazer?
    COROINHA.

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  8. Aglair, me identifiquei com todos os tópicos, e pior, não sei o que desencadeou isto, atrapalha minha vida constantemente, o que eu faço?

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  9. Me identifiquei com quase todos, e pior que sei de onde foram desencadeados. Estou fazendo tratamento há quase dois anos com psiquiatra, às vezes tenho umas recaídas, mas continuo firme.

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